. "E no meio do trono e ao redor do trono quatro animais cheios de olhos por diante e por detrás". Que isto signifique a guarda e a providência do Senhor para que os céus interiores não sejam accessíveis senão pelo bem do amor e da caridade, a fim de que os inferiores, que daí dependem, estejam em ordem vê-se pela significação de 'do meio do trono', que é o Senhor (pois Quem estava 'sentado' no 'trono' era o Senhor, como se vê acima, nº 268); e pela significação de 'ao redor do trono', que são os céus interiores ou superiores, pois eles estão no redor mais próximo do Senhor; pela significação de 'quatro animais', que eram querubins, que são a guarda e a providência Divinas a fim de que os céus interiores ou superiores não sejam accessíveis senão pelo bem do amor e da caridade (de que se tratará a seguir); e pela significação de 'olhos', de que eram 'cheios por diante e por detrás', que são a providência do Senhor, pois os 'olhos', quando se trata do homem, significam o entendimento, que é sua visão interna, mas quando os 'olhos' se referem ao Senhor significam a Divina providência (vê-se acima, nºs 68 e 152); e como pelos 'olhos' aí é significada a Divina providência do Senhor a fim de que os céus superiores não sejam accessíveis senão pelo bem do amor e da caridade, por isso os querubins foram vistos sendo 'cheios de olhos por diante e por detrás'. Que dessa providência do Senhor dependam os inferiores, que são os céus inferiores e também a igreja nas terras, a fim de que estes estejam em ordem, é porque o influxo do Senhor é imediato, de Si, e também mediato, pelos céus superiores nos céus inferiores e na igreja. Por isso, a menos que os céus superiores estejam em ordem, os inferiores não podem estar em ordem. (A respeito desse influxo, vide, na Doutrina da Nova Jerusalém, os nºs 277 e 278).
[2] Os querubins são os que se entendem aqui pelos 'quatro animais', como se vê em Ezequiel, que viu coisas semelhantes no rio Quebar, as quais foram descritas por ele nos capítulos 1 e 10, e nesse último capítulo os chamou de 'querubins' (vers. -2, 4-9, 14, 16, 18-19), dos quais se diz:
"E os querubins se elevaram; esses animais que vi no rio Quebar. (...) Esses animais que vi sob o Deus de Israel no rio Quebrar, entendi que eram querubins" (Ez. 10:15, 20).
Os quatro animais, que eram querubins, foram assim descritos por aquele profeta:
Junto ao rio Quebrar apareceu uma semelhança de quatro animais, cujo aspecto era: tinham a semelhança de homem, e cada um tinha quatro faces, e quatro asas tinha cada um deles (...) a semelhança de suas faces: quatro deles tinham faces de homem e faces de leão à direita, e quatro deles tinham à esquerda faces de boi, e quatro deles tinham faces de águia; (...) o aspecto deles era como candeias de fogo ardentes como o aspecto de lâmpadas, ardendo entre os animais, como esplendor de fogo, e do fogo saía relâmpago (...) Sobre as cabeças dos animais uma expansão, como o aspecto de um cristal admirável; (...) sobre a expansão que havia sobre a cabeça deles, uma espécie de semelhança de pedra safira, à semelhança de trono; e sobre a semelhança de trono, uma semelhança como o aspecto de um Homem sobre ele; do aspecto dos Seus lombos e por detrás vi uma espécie de aspecto de fogo, cujo esplendor se fazia ao redor, como o aspecto de um arco-íris que está na nuvem; assim era o aspecto do esplendor de JEHOVAH "em volta; este era o aspecto da semelhança da glória de JEHOVAH" (Ez. 1:5, 6, 10, 13, 22, 26-28);
por estes representativos se descreve o Divino do Senhor nos céus superiores e a Sua providência a fim de que os céus não sejam accessíveis senão pelo bem do amor e da caridade. E nessa descrição estão contidas todas as coisas que se dizem neste capítulo do Apocalipse a respeito da ordenação dos céus e que foram significadas pelo 'trono no qual estava sentado Um semelhante ao aspecto da pedra de jaspe' e 'pelo arco-íris ao redor do trono', pelas 'lâmpadas de fogo ardentes diante do trono' e pelas demais coisas que deixo de explicar individualmente.
[3] Por ora é demonstrado apenas que pelos 'querubins' na Palavra são significadas a guarda e a providência do Senhor, a fim de que os céus superiores não sejam accessíveis senão pelo bem do amor e da caridade, para que os inferiores estejam em ordem. Isto se vê com mais evidência pelos querubins postos diante do jardim do Eden, quando o homem foi dali expulso. Deles se fala assim, em Moisés:
"Quando" JEHOVAH Deus "expulsou o homem, fez habitar querubins para o oriente do Eden, e a chama de uma espada que girava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida" (Gn. 3:24);
o que se entende nesses capítulos pelo 'homem' e sua 'esposa' vê-se explicado nos Arcanos Celestes, a saber, que pelo 'homem' ali se entende a Igreja Antiqüíssima, que era a igreja celeste; e a igreja celeste se distingue da igreja espiritual no fato de a primeira estar no bem do amor ao Senhor, enquanto a segunda está no bem da caridade para com o próximo (vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 20-28). Os dois céus superiores são formados por homens que constituem essas duas igrejas nas terras. Quando, pois, a igreja celeste, que foi a Antiqüíssima e a primeira nesta terra, declinou e começou a se afastar do bem do amor, então se disse que 'fez habitar querubins para o oriente do Eden, e uma chama de espada que girava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida". Pelo 'oriente do Eden' é significado onde entra o bem do amor celeste; pela 'chama da espada que girava ao redor' é significado o vero desse bem, que protege; e pela 'árvore da vida' é significado o Divino que vem do Senhor nos céus superiores, que é o bem do amor e da caridade e, assim, o prazer celeste. Daí é evidente que pelos 'querubins' são significadas as guardas, a fim de que esses céus não sejam accessíveis senão pelo bem do amor e da caridade, pelo que também se diz a respeito deles: 'para guardar o caminho da árvore da vida'. (Que o 'oriente' signifique o bem do amor, vê-se nos nºs 1250 e 3708; que o 'Eden' signifique a sabedoria daí, nºs 99 e 100; que a espada signifique o vero que combate contra o falso e o dispersa, assim, o vero que protege, vê-se [acima], nºs 73 e 131; que a 'chama' signifique o vero do bem celeste, nºs 3222, 6832 e 9570; que a 'árvore da vida' seja o bem do amor ao Senhor e, assim, o prazer celeste, acima, nºs 109 e 110).
[4] Visto que isto é significado pelos 'querubins', por isso dois querubins de ouro maciço foram postos sobre o propiciatório que havia sobre a arca, a cujo respeito assim se diz em Moisés:
"Farás querubins, de ouro maciço os farás, das duas extremidades do propiciatório; (...) do propiciatório farás os querubins; (...) e estejam os querubins expandindo as asas para cima, cobrindo com suas asas o propiciatório (...) as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório; e porás o propiciatório sobre a arca (...) e ali virei a ti, e falarei contigo (...) entre os dois querubins" (Êx. 25:18-22; 37:7-9);
pela 'arca' e pela 'tenda' eram representados os céus superiores; pela 'arca', na qual havia o 'Testemunho' ou a 'Lei', era representado o céu íntimo ou terceiro; pelo 'habitáculo', que era fora do véu, o céu médio ou segundo; pelo 'propiciatório', a audição e a recepção de tudo do culto que procede do bem do amor e da caridade; pelos 'querubins', as guardas, e pelo 'ouro' de que eram feitos, o bem do amor. Daí também é evidente que os dois querubins tinham representado as guardas a fim de que os céus superiores não fossem accessíveis senão pelo bem do amor e da caridade. (Que pelo 'tabernáculo' em geral tenha sido representado o céu onde está o Senhor vê-se nos nºs 9457, 9481 e 10545; pela 'arca', o céu íntimo ou terceiro, nºs 3478 e 9485; pelo 'Testemunho' ou a 'Lei' na arca, o Senhor quanto à Palavra, nºs 3382, 6752 e 7463); pelo 'habitáculo', que era fora do véu, o céu médio ou segundo, nºs 3478, 9457, 9481, 9485, 9594, 9596 e 9632; pelo 'propiciatório', a audição e a recepção de tudo do culto que procede do bem do amor e da caridade procedente do Senhor, nº 9506; e pelo 'ouro', o bem do amor, nºs 113, 1551, 1552, 5658, 6914, 6917, 9510, 9874 e 9881).
[5] Visto que as guardas foram significadas pelos 'querubins',
Por isso também havia querubins nas cortinas do habitáculo e no véu (Êx. 26:1, 31),
E por isso Salomão fez no oráculo do templo querubins de madeira de oliveira, e os colocou no meio do interior da casa, e os cobriu de ouro; e também esculpiu todas as paredes da casa com esculturas de querubins, e também as portas (I Re. 6:23-29, 32-25);
pelo 'templo' também eram significados o céu e a igreja; pelo seu 'oráculo', o íntimo do céu e da igreja; pela 'madeira de oliveira', de que eram feitos os querubins, era significado o bem do amor, do mesmo modo que o 'ouro' de que eram cobertos; pelas 'paredes', nas quais foram esculpidos querubins, são significados os últimos do céu e da igreja, e pelos 'querubins', as guardas ali; pelas 'portas' nas quais também foram esculpidos querubins, é significada a entrada no céu e na igreja. Assim é evidente que os 'querubins' significaram as guardas para não se tivesse acesso ao céu senão pelo bem do amor e da caridade. E como os 'querubins' significaram essas guardas, também significaram a Divina providência do Senhor, pois essas guardas vêm do Senhor e são Sua Divina providência. (Que o 'templo' e a 'casa de Deus' signifiquem o céu e a igreja, vê-se acima, nº 220; assim, o 'oráculo' significa o íntimo deles. Que a 'madeira de oliveira' signifique o bem do amor, vê-se nos Arcanos Celestes, nºs 886, 3728, 4582, 9780, 9954 e 10261, do mesmo modo que o 'ouro', nº 242 acima. Que as 'portas' signifiquem a entrada e a admissão, vê-se também acima, nº 248).
[6] Por semelhante modo é descrito o novo templo, de que se trata em Ezequiel:
"Fizeram-se querubins e palmas, de sorte que havia uma palma entre um querubim e outro (...) assim se fez ao redor de toda a casa, da terra até a entrada acima, fizeram querubins e palmas; e a parede do templo" (Ez. 41:18, 20);
a 'palma' significa o bem espiritual, que é o bem da caridade (vê-se no nº 8369).
[7] Porquanto o Divino Vero protege pelo Divino Bem, por isso o rei de Tiro foi chamado 'querubim', pois pelo rei é significado o Divino Vero, e por 'Tiro' as cognições; assim, pelo 'rei de Tiro' é significada a inteligência, a cujo respeito assim se lê em Ezequiel:
Ó rei de Tiro, 'no Eden, jardim de Deus, estiveste; toda pedra preciosa era tua cobertura; (...) tu, querubim, a expansão do que protege, te coloquei no monte da santidade de Deus, no meio das pedras de fogo andavas, perfeito em teus caminhos, no dia em que foste criado" (Ez. 28:12-15).
(Pelo 'rei' é significado o Divino Vero, como se vê acima, nº 31; e por 'Tiro', as cognições, como se vê nos Arcanos Celestes, nº 1201; pelas 'pedras preciosas', os veros e bens do céu e da igreja, nºs 9863, 9865, 9868, 9873 e 9905; foram chamadas 'pedras de fogo' porque o 'fogo' significa o bem do amor, nºs 934, 4906, 5215, 6314 e 6832). Como o 'rei de Tiro' significa a inteligência proveniente do Divino Vero, e é esta que guarda ou protege, por isso o rei de Tiro foi chamado 'querubim, a expansão do que protege'.
[8] Visto que os céus superiores não podem ser accessíveis senão pelo bem do amor e da caridade, isto é, não por culto e por orações a não ser que procedem desse bem, por isso o Senhor falou com Moisés e Aarão, quando entraram no habitáculo, de entre os dois querubins que havia sobre a arca (Êx. 25:22), como também se vê em Moisés:
"Quando Moisés entrou na tenda da assembléia (...) ouviu uma voz falando com ele de cima do propiciatório que estava sobre a arca do testemunho, de entre os dois querubins" (Nm. 7:89).
Como é o Divino procedente do Senhor que provê e guarda, por isso se disse a respeito do Senhor:
Que Ele está assentado sobre querubins (Is. 37:16; Sl. 18:9-10; 80:1; 99:1; ISm. 4:4; IISm. 6:2).
[9] Uma vez que neste capítulo se trata da ordenação de todas as coisas para o juízo, por isso também se trata dos querubins, isto é, da guarda e da providência do Senhor a fim que os céus superiores não sejam accessíveis senão pelo bem do amor e da caridade, pois, se isto não tivesse sido feito antes do juízo, os céus mesmos em que estão os verdadeiros anjos correriam perigo, porque os céus que estavam para perecer (dos quais se trata no Apocalipse, capítulo 21:1), não estavam no bem do amor e da caridade, mas somente em alguns veros. Com efeito, ali se achavam, do mundo cristão, todos os que estavam na doutrina da fé só que alguns confirmaram por várias passagens da Palavra e pela qual tinham alguma conjunção com o último céu. Mas essa conjunção foi rompida quando esse céu, que foi chamado 'primeiro céu' (Ap. 21:1), foi dissipado. Então foi ordenado pelo Senhor que, dali em diante, ninguém fosse conjunto aos céus exceto quem estivesse no bem do amor ao Senhor e na caridade para com o próximo. Isto é o que se entende em particular pelas coisas que agora se seguem neste capítulo. Portanto, está muito enganado quem acredita que, depois disso, os céus podem ser accessíveis por meio de culto e orações por aqueles que estão na fé só e não ao mesmo tempo no bem da caridade. O culto deles não é mais recebido nem as suas orações ouvidas, mas considera-se somente o amor de suas vidas. Por isso, se o amor de si e do mundo reina, qualquer que seja o culto externo em que estejam, eles são conjuntos aos infernos, e também são para lá levados após a morte, e não são levados antes para algum céu que deve perecer, como aconteceu até agora.
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