AE 717

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E sobre as suas cabeças sete diademas”. Que isto signifique significa os Divinos veros no último da ordem, os quais são os veros do sentido da letra da Palavra, aqui os que foram adulterados e profanados, vê-se pela significação das ‘cabeças do dragão’, que são os verdadeiros conhecimentos da Palavra, que foram adulterados e profanados; que elas signifiquem a insanidade nas coisas espirituais, mas com a astúcia de enganar e de seduzir, vide acima (n. 714); pela significação de ‘diademas’ ou das pedras preciosas, que são os Divinos veros no último da ordem, que são os veros do sentido da letra da Palavra (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘sete’, que são é todas as coisas e se diz das coisas santas e, no sentido oposto, das profanas, porque se trata de veros da Palavra adulterados e, assim, profanados. Daí é evidente que os ‘sete diademas sobre as cabeças do dragão’ significam os Divinos veros no último da ordem, aqui, os que foram adulterados e profanados.
[2] Que as ‘pedras preciosas’, que são os ‘diademas’ signifiquem os Divinos veros no último da ordem, quais são os veros no sentido da letra da Palavra, é porque a ‘pedra’ significa o vero; daí, as ‘pedras preciosas’ significam os Divinos veros. Que sejam os Divinos veros no último da ordem, quais são os veros do sentido da letra da Palavra é porque eles transluzem, pois neles há o sentido espiritual, e neste sentido há a luz do céu, pela qual todas as coisas do sentido da letra da Palavra são transparentes e, também, variegadas segundo as séries no sentido espiritual; daí vêm as modificações da luz celeste que apresentam cores tais como aparecem nos céus e, daí, nas pedras preciosas de vários gêneros.
[3] Que tenham sido vistos ‘diademas sobre as sete cabeças do dragão’ é porque os veros do sentido da letra da Palavra brilham onde quer que estejam, tanto nos maus quanto nos bons. Com efeito, a luz espiritual que há neles não é extinta pelo fato de os veros estarem nos maus, porque o céu, mesmo assim, influi nesses veros. Como, todavia, os maus os adulteram e, assim, não veem qualquer luz do céu neles, mas, não obstante, creem que os veros são santos, pelo fato de os aplicarem para confirmar os falsos de sua religião, por isso, pela fé da santidade com eles, os veros brilham, não obstante, diante deles. E visto que é assim, e por esses veros adquirirem para si comunicação com os céus, por isso eles são finalmente privados deles e deixados em seus falsos, nos quais não existe luz alguma, o que acontece quando são mandados ao inferno.
[4] Que os veros do sentido da letra da Palavra apreçam como diademas pode-se ver pelos diademas no mundo espiritual. Nos palácios dos anjos no céu muitas coisas resplandecem pelas pedras preciosas. E, ás vezes, pedras preciosas são enviadas dali aos inferiores e dadas como presentes àqueles que fizeram algum bem. E, também, são até vendidas, como no mundo, principalmente por judeus, que também ali negociam com elas. Foi dado e concedido que os judeus negociem com elas no mundo espiritual, tal como no mundo natural, porque eles têm o sentido da letra da Palavra como santo. Daí também é que as mulheres nobres abaixo dos céus também se ornam com diademas, semelhantemente ao que fazem no mundo. E quando foi perguntado de onde vêm os diademas no céu e, dali, nos inferiores, foi dito que vêm do Senhor e da luz espiritual que vem d’Ele, e que são os últimos dessa luz, que são chamados efeitos, e que, assim, são formas representativas das afeições do vero do bem. Portanto, são os Divinos veros no último da ordem, tais como são os veros do sentido da letra da Palavra. Visto que dali vêm as pedras preciosas, por isso também a alguns no mundo dos espírito é permitido formar diademas pela inserção de algumas [???] verdades do sentido da letra da Palavra, mas esses diademas não são genuínos e duros como cristais, porque são artificiais.
[5] Por aí se pode ver agora o que é significado pelos ‘diademas’ ou pelas ‘pedras preciosas’ nas passagens que se seguem. Em Isaías:
“Aflita e arrojada pelas tempestades, achada sem consolação, eis que Eu assento com antimônio as tuas pedras e os teus alicerces... em safiras, e porei um carbúnculo por teus sois, e as tuas portas por pedra de rubi, e todo o teu limite em pedras de desejo, e todos os teus filhos ensinados por Jehovah”. (Is. 54:11-13).
Essas palavras foram ditas a respeito da ‘estéril, que não pariu’, que terá muitos filhos, pela qual são significados os gentios que não tiveram os Divinos veros por não terem a Palavra; daí se diz ‘aflita e arrojada pelas tempestades, achada sem consolação’; ‘estar aflita e ser arrojada pelas tempestades’ se diz dos falsos, pelos quais foi infestada e impelida a toda direção. que o Senhor, quando viesse, lhes revelaria os Divinos veros e assim os instruiria é significado por ‘assentará com carbúnculo as suas pedra, as safiras por alicerces, o carbúnculo por sóis, as pedras de rubi por portas e as pedras de desejo por limites’. Que por essas pedras preciosas que são nomeadas se entendam os Divinos veros nos últimos, nos quais há os veros internos, que são os veros tais como estão no sentido espiritual da Palavra, é evidente, pois por ‘alicerces’, ‘portas’ e ‘limites’ que estabelecerá com as pedras preciosas, são significados os últimos. Daí se segue que pelas ‘pedras’ em geral e pelas ‘safiras’, ‘carbúnculos’ e ‘pedras de rubi’ são significados os veros tais quais estão no sentido da letra da Palavra, que são os últimos porque são para o homem natural e sensual. Visto que a instrução dos gentios nos Divinos veros se entende por elas, segue-se, por isso, ‘e todos os teus filhos ensinados de Jehovah’. O que, todavia, as ‘safiras’, os ‘carbúnculos’ e os ‘rubis’ significam em particular, não é aqui o lugar para se dizer, mas somente que as ‘pedras preciosas’ em geral significam os últimos veros.
[6] Como a ‘cidade da Nova Jerusalém’ significa a doutrina da Nova igreja, e os ‘alicerces de seu muro’ os últimos Divinos veros, e as ‘portas’ os Divinos veros que introduzem, por isso os alicerces são descritos por ‘doze pedras preciosas’, e as portas por ‘pérolas’, no Apocalipse:
“E os ‘alicerces do muro da cidade’ da Nova Jerusalém ‘ornados de toda pedra preciosa; o primeiro alicerce de jaspe, o segundo de safira, o terceiro de calcedônia, o quarto de esmeralda, o quinto de sardônica, o sexto de sárdio, o sétimo de crisólito, o oitavo de berilo, o nono de topázio, o décimo de crisópraso, o undécimo de jacinto, o duodécimo de ametista. Doze portas, doze pérolas, cada porta [era] uma pérola. E as ruas da cidade de ouro puro, como vidro transparente” (Ap. 21:19-21).
Por essas ‘doze pedras preciosas’ de que são feitos os alicerces, e pelas ‘doze pérolas’, de que são feitas as portas, são significados os últimos Divinos veros, que são os veros do sentido da letra da Palavra, sobre os quais se funda a doutrina dessa igreja e pelos quais o homem é introduzido como que por portas. Que os ‘alicerces’ sejam de ‘pedras preciosas’ e as ‘portas’ de ‘pérolas’ é porque o sentido da letra da Palavra contém em si o sentido espiritual, assim, a luz do céu, da qual o sentido da letra da Palavra transparece, como essas pedras pela luz e pelo fogo. Mas, a este respeito, ver-se-á na sequência, onde cada uma dessas coisas deve ser explicada.
[7] Coisas semelhantes foram significadas pelas ‘pedras preciosas’ que faziam o peitoral do juízo que foi chamado “Urim e Thummim”, que ficava sobre o éfode de Aarão, e também pelas que eram postas sobre os ombros do éfode. Em Moisés:
“Farão o éfode de ouro, jacintino, púrpura, escarlate duas vezes tingido [???] e linho fino torcido, obra de inventor. ... Tomarás duas pedras schoham , e esculpirás nelas os nomes dos filhos de Israel ... obra de artífice de pedra, com gravuras de selo esculpirás as duas pedras sobre os nomes dos filhos de Israel, circundados com fundo de ouro os farás. E porás as duas pedras sobre os ombros do éfode. ... E farás o peitoral do juízo, obra de inventor, tal como o obra do éfode o farás... e o encherás com enchimento de pedras; haverá quatro ordens pedra. A primeira ordem um rubi [rubinus], um topázio e um carbúnculo; a segunda ordem um crisópraso, uma safira e um diamante; a terceira ordem um cyanus, uma ágata e uma ametista; e a quarta ordem um tharschish, um schoam e um jaspe. ... As pedras estarão sobre os nomes dos filhos de Israel, doze sobre os nomes deles, gravuras de selo para cada uma sobre o seu nome, para as doze tribos serão.” Este é o peitoral do juízo, Urim e Thummim. (Êx. 28-6:30).
Ninguém pode saber o que essas coisas envolvem a menos que saiba o que Aarão representava e, daí, o que as suas vestes significavam, e o que significavam em particular o ‘éfode’, porque as suas vestes, pelo que significaram foram chamadas ‘vestes de santidade’. Depois, o que era significado pelo ‘peitoral’ sobre o éfode, que foi chamado ‘peitoral do juízo, Urim e Thummim’, também o que era significado pelas ‘doze tribos de Israel’ e ‘as doze pedras sobre os nomes deles’. No que concerne a Aarão mesmo, ele representava o Senhor quanto ao sacerdócio, que é o Seu reino celeste, mas as suas ‘vestes’ em geral representavam o reino espiritual, pois este nos céus reveste o reino celeste. Com efeito, há dois reinos em que os céus foram distintos, o reino celeste e o reino espiritual; chama-se reino celeste onde é recebido o Divino Bem procedente do Senhor, e reino espiritual onde é recebido o Divino Vero. Por isso, o Divino Vero é significado em geral pelas ‘vestes de Aarão’, e pelo ‘éfode’ é significado o Divino Vero nos últimos, porque era o último manto. Que as ‘vestes’ em geral signifiquem os veros, e as ‘vestes do Senhor’, que apareceram como luz branca quando Ele foi transfigurado diante dos discípulos, tenham significado o Divino Vero procedente d’Ele, e, semelhantemente, as ‘vestes do Senhor divididas pelos soldados’, vê-se acima (n. 64, 65, 195, 271, 395, 475, 476, 637). Daí se pode ver que pelas ‘doze predas no peitoral do éfode’ foram significados os Divinos veros nos últimos, semelhantemente ao que foi significado pelos ‘doze filhos de Israel’ e pelas ‘doze tribos’. Que por estes e aqueles sejam significados na Palavra os veros da igreja em todo o conjunto vê-se acima (n. 431 e 657).
[8] Que esse peitoral tenha sido confeccionado de pedras preciosas, sob as quais estavam os nomes dos doze filhos de Israel, foi para que eles recebessem por ele as respostas do céu, as quais se apresentavam no peitoral e, por ele, por meio de variegações de cores resplandecendo daquelas pedras, segundo as representações dos Divinos veros nos céus, onde os Divinos veros que fluem do Senhor pelos céus em direção aos inferiores se apresentam por meio de variegações das cores. Por aí se pode ver por aquelas ‘pedras preciosas’ também foram significados os Divinos veros nos últimos. (Estas coisas, porém, veem-se plenamente explicadas nos Arcanos Celestes, n. 9856-9909, e, também, a respeito das ‘duas pedras schoham’ que havia sobre o ombro do éfode, n. 9831-9855. Que o ‘éfode’ tenha significado o externo do reino espiritual, que é o Divino vero nos últimos, n. 9824. O que, porém, significaram em particular o ‘rubi’[rubinus], o ‘topázio’ e o ‘carbúnculo’, n. 9865; o’ crisópraso’, a ‘safira’ e o ‘diamante’, n. 9866; o ‘cyanus’, a ‘ágata’ e a ‘ametista’, n. 9870; e o ‘tharschisch’, o ‘schoham’ e o ‘jaspe’, n. 9872).
[9] Coisas semelhantes foram também significadas pelas ‘pedras preciosas’ pelas quais foi descrito o conhecimento das cognições do vero e bem e, daí, a inteligência do rei de Tiro, em Ezequiel:
Ó rei de Tiro, “tu, cheio de sabedoria, e perfeito em beleza; no Éden, jardim de Deus, estiveste. De toda pedra preciosa era a tua cobertura, rubi [rubinus], topázio e diamante; tharschisch, sárdio e jaspe; safira crisópraso e esmeralda, e ouro. ... Tu, querubim, expansão do que cobre, e te estabeleci; no monte da santidade de Deus estiveste, no meio das pedras de fogo andaste” (Ez. 28:12-14).
Visto que pelo ‘rei de Tiro’ são significadas as cognições do vero da igreja oriundas da Palavra, e, de fato, de seu sentido literal, daí se diz que ‘estivera no Éden, jardim de Deus’; pelo ‘Éden, jardim de Deus’, é significada a inteligência pela Palavra proveniente do Senhor, pois o ‘Éden’, assim como o ‘oriente’, é o Senhor, e o ‘jardim de Deus’ é a inteligência que vem d’Ele. E como a verdadeira inteligência é adquirida, isto é, dada, unicamente pelas cognições do ver e do bem da Palavra entendidas segundo o seu sentido genuíno, daí se diz que ‘de toda pedra preciosas era a tua cobertura’; ‘de toda pedra preciosa’ significa as cognições do vero e do bem, e ‘cobertura’ significa o externo da Palavra, que cobre o seu interno. O externo da Palavra é o sentido de sua letra cobrindo o interno, que é o seu sentido espiritual. Uma vez que daí o homem tem sabedoria e inteligência, por isso se diz: Ó rei de Tiro, ‘tu, cheio de sabedoria e perfeito em beleza’; ‘beleza’ significa a inteligência, porque toda beleza nos céus é segundo ela. O sentido da letra da Palavra também se entende por ‘querubim, expansão do que cobre’, pois os ‘querubins’ significam a proteção a fim de que não haja acesso ao Senhor senão pelo bem do amor, e é o sentido da letra da Palavra que protege, porque cobre os seus interiores. ‘Monte de santidade’ significa a igreja quanto à doutrina do amor e da caridade, ‘ pedras de fogo’, no meio das quais andou, significam os veros do bem do amor segundo os quais é a vida. Que pelas ‘pedras preciosas’ aqui sejam significados os veros transparecendo pela luz do céu, a qual é o Divino Vero, pode-se ver claramente pelo fato de ‘Tiro’, na Palavra, significar as cognições do vero e do bem, cognições essas que são os veros últimos, quais são os do sentido da letra da Palavra. (Que ‘Tiro’ signifique as cognições do vero e bem vê-se acima, n. 514).
[10] No mesmo:
“Síria era a tua negociante, por causa da multidão de tuas obras, com crisópraso, púrpura e bordado, e linho fino e rubi [pyropum] deram por tuas negociações. ... Os negociantes de Scheba e Raama, eles foram os teus negociantes pelos primeiros de todo aromático, e por toda pedra preciosa, e ouro” (Ez. 27:16, 22).
Também essas palavras são a respeito de Tiro, pela qual eram significadas as cognições do vero e do bem da igreja oriundas da Palavra (como acima). Como pela ‘Síria’ e por ‘Scheba’ e “Raama’ são significadas semelhantemente as cognições do vero e do bem, e pelas ‘negociações’ são significadas as aquisições delas, por isso se diz que aquelas regiões deram ‘pedras preciosas por suas negociações’. As cognições do vero e do bem são os veros nos últimos, quais são os veros do sentido da letra e literal da Palavra.
[11] Em Jó:
“Lugar de safira são as suas pedras, e tem o pó de ouro... onde é achada a sabedoria? e qual é o lugar da inteligência?... Não se dá ouro por ela, e por seu preço não se pesa prata; não é comparada ao ouro de Ofir, ao ônix precioso e à safira; não se compararão com ela ou ouro e o diamante... o coral e o cristal [???] não serão mencionados, e a escolha da sabedoria é melhor que das pérolas; não se compararão com ela o topázio da Etiópia; ... eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o afastar-se do mal é a inteligência” (Jó 28:6, 12, 13, 15-19, 28).
Uma vez que toda sabedoria e inteligência vem dos últimos Divinos veros entendidos espiritualmente, e como pelas ‘pedras preciosas’ aí nomeadas, o ‘ônix’, a ‘safira’, o ‘diamante’, o ‘topázio’, e pelas ‘pérolas’, são significados esses veros, e visto que essas pedras são pedras de matéria terrestre, mas tidas como preciosas no mundo, e nada são em relação à inteligência e à sabedoria, por isso se diz ‘essas pedras não podem ser equiparadas à inteligência e à sabedoria, tampouco ao ouro e à prata’. Faz-se comparação com elas porque elas também são significantes, e, de outro modo, nada seriam, relativamente.
[12] Em David:
“Tu”, ó Jehovah, “Te levantarás e terás misericórdia de Sião... porque os Teus servos desejam a suas pedras” (Sl. 102:13, 14);
pelas ‘pedras de Sião’, que os servos de Jehovah desejam, se entendem os Divinos veros, pois por ‘Sião’, de quem Jehovah terá misericórdia, entende-se a igreja que está no amor celeste.
[13] Em Zacarias:
“Eis a pedra que pus diante” do grande sacerdote “Josué, sobre uma pedra estão sete olhos; eis que Eu esculpo a sua escultura. ... Naquele dia... clamará um varão ao seu companheiro, sob a videira e sob a figueira” (Zc. 3:9,10).
Essas palavras são a respeito do advento do Senhor, e pela ‘pedra’ posta diante do sacerdote Josué é significado o Divino Vero, que é a Palavra; ‘sete olhos em uma pedra’ significam a Divina sabedoria e inteligência, que pertencem ao Divino Vero, assim, à Palavra; ‘sete’ se diz das coisas santas da Palavra e da igreja, e ‘olhos’ significam a inteligência e a sabedoria; ‘esculpir a escultura’ significa o seu representativo e significativo; pela ‘videira’ e pela ‘figueira’, sob as quais virão, é significada a igreja e a doutrina dos veros internos e dos veros externos; os veros internos são os que se chamam espirituais, e os veros externos são os que se chamam naturais; estes são significados pela ‘figueira’ e aqueles pela ‘videira’.
[14] Em Moisés:
“Viram o Deus de Israel, e sob os Seus como que uma obra de pedra safira, como a substância do céu quanto à pureza” (Êx. 24:10);
pelo ‘Deus de Israel’ entende-Se o Senhor; pela ‘obra de pedra safira sob os Seus pés’ entende-se o Divino Vero nos últimos, como é a Palavra na letra, pois a ‘planta do pé’ significa o último, que era a única coisa que a nação judaica pôde ver, pois estavam nos externos da Palavra, da igreja e do culto, e não nos internos; a ‘safira’ significa o que é translúcido pelos veros internos; ‘como a substância do céu quanto à pureza’ significa a translucidez do céu angélico. (Estas coisas, porém, foram explicadas nos Arcanos Celestes, n. 9406-9408). Como a ‘pedra preciosa’ significa o Divino Vero nos últimos transluzente pelos veros interiores, por isso luminar da cidade da Nova Jerusalém, no Apocalipse, é descrito como sendo
“Semelhante à pedra preciosa, como a pedra de jaspe, como cristal resplandecente” (Ap. 21:11).
E visto que o ‘cavalo branco’ ali significa o entendimento da Palavra, e por ‘Aquele que montava esse cavalo’ é significado o Senhor quanto à Palavra, por isso foi visto que
Sobre a cabeça d’Aquele que montava esse cavalo havia muitos diademas, e Seu nome era chamado a Palavra de Deus (ap. 19:12, 13).
[15] Estas coisas são ditas a respeito das pedras preciosas com aqueles que estão nos Divinos veros. Agora se dirá alguma coisa a respeito das pedras preciosas com aqueles que estão nos falsos infernais. Com estes, quando vivem no mundo, há também pedras preciosas, porque estão igualmente nas cognições do vero e do bem, oriundas do sentido natural da Palavra, que é o sentido da letra. Daí é que a estes se atribuem igualmente pedras preciosas, como aqui, ao ‘dragão’, sobre cuja cabeça foram vistas ‘sete diademas’. A razão disso é que a Palavra é, ainda, a Palavra, e os seus veros são ainda veros em si, quer estejam nos maus, quer nos bons. O fato de maus perverterem e falsificarem os veros da Palavra não muda a essência dos veros. Daí é que na sequência do Apocalipse foram vistas coisas semelhantes sobre ‘a mulher sentada sobre a besta escarlate’, pela qual se descreve a Babilônia, da quais se dizem estas coisas:
A mulher sentada sobre a besta escarlate cheia de nomes de blasfêmias, “e tinha sete cabeças, e dez chifres; estava... vestida de púrpura e escarlate, e coberta de ouro e pedra preciosa, e pérolas... e sobre a fronte, um nome escrito... grande Babilônia” (Ap. 17:3-5).
A este respeito, porém, ver-se-á na sequência. Semelhantemente, em outra passagem no Apocalipse:
“Os mercadores da terra chorarão e lamentarão sobre” a grande Babilônia “porque ninguém compra mais suas mercadorias, mercadorias de ouro e de prata e de pedras preciosas, e pérolas e linho fino, e púrpura, e seda e escarlate;... e os mercadores... dirão: Ai, ai da grande cidade, que se vestia de linho fino e púrpura, coberta de ouro, pedra preciosa e pérolas” (Ap. 18:11, 12, 15, 16).
[16] como pelas ‘pedras preciosas’, pela ‘púrpura’ e pelo ‘linho fino’ são significadas as cognições do vero e do bem da Palavra, por isso se diz a respeito do homem rico
Que se vestia de púrpura e linho fino, em cujo vestíbulo Lázaro estava prostrado (Lc. 16:19,20);
pelo ‘rico’ entende-se a nação judaica, que, porque tinha a Palavra, na qual há os Divinos veros, é por isso citada como ‘estando vestida de púrpura e linho fino’; e pelo pobre ‘Lázaro’ entendem-se os gentios, que não tinha a Palavra e, assim, não tinham os veros. Daí é evidente que os ricos, embora fossem maus e fossem depois lançados no inferno, estavam com ‘vestes de púrpura e linho fino’.
[17] Tais coisas também se dizem a respeito do ‘rei do setentrião’ que fez guerra contra o rei do meio-dia, em Daniel:
O rei do setentrião, “como a um deus honrará as fortalezas sobre a sua estação, um deus a quem seus pais não conheceram ele honrará com ouro, prata, e pedra preciosa e coisas desejáveis; fará as munições das fortalezas com um deus estranho; ao que reconheceu será dada grande honra” (Dn. 11:38, 39).
Trata-se nesse capítulo da guerra do rei do setentrião contra o rei do meio-dia, e pelo ‘rei do setentrião’ se entendem os que estão no conhecimento da Palavra e, todavia, não vida, por isso na fé só assim chamada e não na caridade, sendo esta rejeita como não conduzindo à salvação. Pelo ‘rei do meio-dia’, porém, entendem-se os que estão na inteligência pela Palavra, porque estão na caridade. Estes são ‘o rei do meio-dia’ ou ‘do rei do meio-dia’ porque o ‘meio-dia’ significa luz e têm a luz da inteligência da Palavra aqueles que estão na caridade, que é a vida da fé. Que, porém, o ‘rei do setentrião’ e ‘do rei do setentrião’ sejam citados acima é porque o ‘setentrião’ significa a noite e também uma luz fria, como é a luz do inverno, pela qual, por não ter o calor, não vem frutificação alguma, porque o ‘calor’ espiritual é a caridade, e do calor, pela luz, vem toda germinação. Trata-se da guerra entre esses reis porque se trata do último tempo da igreja, quando se põe tudo da salvação no conhecimento da Palavra e nada na vida. Com a nação judaica, nas tradições, pelas quais falsificaram a Palavra, e os veros da Palavra se tornam tradições quando não há a vida da caridade. Semelhantemente, os veros da Palavra se tornam falsos quando a fé é separada da caridade. Por aí se pode ver que pelo ‘rei do setentrião’ também se entendem os que estão na fé só, isto é, os que estão na fé sem a caridade.
[18] Os mesmos também se entendem em Daniel pelo ‘bode’ que lutou contra o carneiro. Esses mesmos também se entendem pelo ‘dragão’ neste capítulo, com a diferença de que pelo ‘dragão’ se entendem propriamente os eruditos que se confirmaram por doutrina e vida na fé separada da caridade, pois esses têm veneno como dragões, a qual mata a caridade. Daí é que em Daniel também se nomeia o anjo Miguel (cap. 12:1). Que pervertam e falsifiquem os veros da Palavra aqueles põem tudo da igreja no conhecimento das cognições daí, e nada da vida, é o que se entende por ‘o rei do setentrião honrar um deus estranho que os pais deles não reconheceram’ e por ‘honrá-lo com ouro, prata, pedra preciosa e pérolas’. Pelo ‘deus’ deles entendem-se os veros da Palavra falsificados, porque onde na Palavra se diz ‘Deus’ entende-se o Senhor quanto ao Divino Vero, assim também o Divino Vero procedente do Senhor, e onde se diz ‘Jehovah’ entende-se o Senhor quanto ao Divino Vero, assim também o Divino Bem procedente do Senhor. Por isso, pelo ‘deus estranho que os pais não conheceram’ entendem-se os veros da Palavra falsificados, os quais são falsos em si mesmos, e não foram reconhecidos por aqueles que foram anteriormente da igreja. Esses veros e bens mesmos da Palavra, embora falsificados, são significados pelas ‘pedras preciosas’, pelas ‘coisas desejáveis’ e também pela ‘prata’ e pelo ‘ouro’, pois os veros da Palavra não mudam a sua essência pelo fato de estarem nos maus. Pelas ‘fortalezas sobre a estação’ e pelas ‘munições das fortalezas’ são significadas as coisas que são da própria inteligência, confirmadas pelo sentido da letra da Palavra, sentido esses que é tal que, se não for entendimento interiormente, pode ser arrastado para confirmar quaisquer heresias. Por aí se pode ver agora o que é significado pelos ‘sete diademas sobre as cabeças do dragão’.

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