. “Tendo as harpas de Deus.” Que isto signifique a glorificação do Senhor pela afeição espiritual vê-se pela significação de ‘harpas’, que são as confissões e as glorificações (de que se tratou [acima], n. 323 e 856); daí, as ‘harpas de Deus’ são as confissões e as glorificações ao Senhor pelo afeição espiritual. A razão por que essas coisas são significadas pelas ‘harpas de Deus’ é porque as afeições espirituais, que são as afeições do vero, são expressas pelos instrumentos de corda, enquanto as afeições celestes, que são as afeições do bem, pelos instrumentos de sopro (vide n. 323 e 326).
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Continuação
[2] No artigo precedente tratou-se de dois requisitos para que as obras sejam boas, a saber, que se reconheça o Divino do Senhor e se fuja dos males que estão no Decálogo como pecados. Os males que são enumerados no Decálogo contêm em si todos os males que existem; por isso o Decálogo é também chamado ‘dez preceitos’, porque ‘dez’ significa todas as coisas. O primeiro preceito, ‘Não adorarás outros deuses’, contém também não amar a si e ao mundo, pois quem ama a si e ao mundo sobre todas as coisas adora outros deuses, pois o deus de cada um é aquilo que amado acima de todas as coisas. O segundo preceito, ‘Não profanarás o nome de Deus’, contém também não desprezar e de coração rejeitar a Palavra, a doutrina da Palavra e, assim, a igreja, pois estas coisas são o nome de Deus. O quinto preceito, ‘Não roubarás’, contém também fugir das fraudes e dos ganhos ilícitos, pois estes também são roubos. O sexto preceito, ‘Não adulterarás’, contém em particular ter prazer nos adultérios e desprazer nos casamentos, e, especialmente, pensar coisas imundas a respeito das coisas que pertencem ao casamento, pois estas coisas também são adultérios. O sétimo preceito, ‘Não matarás’, contém também não ter ódio ao próximo e não amar as vinganças, pois os ódios e vinganças aspiram a morte. O oitavo preceito, ‘Não testificarás falsamente’ contém também não mentir e blasfemar, pois a mentira e as blasfêmias são também falsos testemunhos. O nono preceito, ‘Não cobiçarás a casa do próximo’, contém também não querer possuir e não desviar para si os bens dos outros contra a vontade deles. O décimo preceito, ‘Não cobiçarás a esposa do próximo, nem seus servos’ e várias outras coisas, contém também não querer dominar sobre os outros e sujeita-los a si, pois pelas coisas que são nomeadas ali se entendem o proprium do homem. Qualquer um vê que nestes oito preceitos estão contidos os males de que se deve fugir, e não os bens que devem ser feitos.
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