. [Vers. 3] “E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro”. Que isto signifique significa o reconhecimento e a confissão dos preceitos na Palavra de ambos os Testamentos, e também o reconhecimento e a confissão do Divino do Senhor em Seu Humano vê-se pela significação de ‘cantar o cântico’, que é a confissão pelo reconhecimento e pelo regozijo de coração (de que se tratou nos n. 326 e 857); pela significação de ‘Moisés’, que é a Palavra do Velho Testamento (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘Cordeiro’, que é o Senhor quanto ao Divino Vero (de que se tratou nos n. 297, 343, 460 e 482), assim, quanto à Palavra, pois ela é o Divino Vero. Aqui, como se diz ‘Moisés e o Cordeiro’, é significada a Palavra do Velho e do Novo Testamentos. Que o ‘cântico de Moisés e do Cordeiro’ signifique o reconhecimento dos preceitos que há na Palavra de ambos os Testamentos, como também o reconhecimento do Divino no Humano do Senhor, vê-se pelas coisas que se seguem nesses dois versículos, pois são as coisas que eles cantavam, ou que eram do cântico. No primeiro versículo são glorificadas as obras do Senhor e os Seus caminhos, pelos quais são significados os preceitos; no versículo seguinte é glorificado o Senhor e [se diz] que ele deve ser temido por todos, porque somente Ele é santo. E como essas coisas são dos dois cânticos e pelos ‘cânticos’ são significados os seus reconhecimentos e confissões, é evidente que a expressão cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro’ significa o reconhecimento e a confissão do Divino do Senhor em Seu Humano. Também por esses dois se tem vitória sobre a besta de que se trata aí, a saber, por guardar os preceitos e por reconhecer o Divino do Senhor. Sem esses dois a besta vence.
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[Da desistência dos males]
[2] No artigo precedente foram enumerados do Decálogo os males de que se deve fugir, mas sei que muitos pensam em seu coração que ninguém pode fugir deles por si mesmos, porque o homem nasceu em pecados e, assim, em nenhum poder de fugir deles por si. Mas saibam que qualquer um que de coração pensa que há um Deus, que o Senhor é o deus do céu e da terra, que a Palavra vem d’Ele e, daí, é santa, que há um céu e um inferno e uma vida após a morte, esse pode fugir deles, mas não o que despreza essas coisas e as rejeita da mente, e absolutamente não aquele que as nega. Pois quem pode pensar que alguma coisa é pecado contra Deus quando não pensa em Deus? E quem pode fugir dos males como pecados quando nada pensa a respeito do céu, do inferno e da vida após a morte? Um tal homem desconhece o que é pecado. O homem foi posto no meio, entre o céu e o inferno; do céu influem continuamente os bens, do inferno influem continuamente os males; e como ele está no meio, está no livre de pensar nos bens e pensar nos males. Esse livre o Senhor nunca tira de alguém, pois é a sua vida e é o meio de sua reforma. Quanto mais, pois, o homem pensa por esse livre e quer fugir dos males porque são pecados, e suplica o auxílio do Senhor, mais o Senhor os remove e concede ao homem o desistir deles como por si mesmo e, em seguida, fugir deles.
[3] Pelo livre natural qualquer um pode fugir desses mesmos males por serem contra as leis humanas. Isto é o que faz todo cidadão do reino que teme as penas das leis civis e a perda da vida, da fama, da honra, das riquezas e, assim, da função, do ganho e das volúpias, até mesmo um {indivíduo} mau; e sua vida aparece na forma externa inteiramente semelhante à vida daquele que foge dos males porque são contra as leis Divinas, mas é inteiramente dessemelhante na forma interna. Um age somente pelo livre natural, que vem do homem, e o outro pelo livre espiritual, que vem do Senhor; ambos agem pelo livre. Como o homem pode fugir dos mesmos males pelo livre natural, por que não poderia fugir deles pelo livre espiritual, no qual é mantido constantemente pelo Senhor? Que somente pense que o quer, porque há um inferno, um céu e uma vida após a morte, há uma punição e uma recompensa, e suplique o auxílio do Senhor.
[4] Cumpre saber que cada homem que inicia a vida espiritual porque quer ser salvo, tem medo dos pecados por causa das penas do inferno e, depois, por causa do pecado mesmo, por ser em si nefando, e, finalmente, por causa do vero e do bem, aos quais ama, assim, por causa do Senhor, pois quanto mais alguém ama o vero e o bem, assim, o Senhor, mais tem aversão ao oposto deles, que é o mal. Por aí é evidente que qualquer um que crê no Senhor foge dos males como pecados. E, vice-versa, qualquer um que foge dos males como pecados, crê. Por isso, fugir dos males como pecados é um sinal da fé.
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