AE 955

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. [Vers. 8] “E o templo encheu-se de fumaça por causa da glória de Deus e por causa de Sua virtude.” Que isto signifique o Divino Vero ou Palavra no sentido natural na luz e no poder pelo Divino Vero no sentido espiritual vê-se pela significação de ‘templo’, que é o Divino Vero ou Palavra no sentido natural iluminado pelo Divino Vero no sentido espiritual (de que se tratou acima, n. 948); pela significação de ‘fumaça’, que é o entendimento da Palavra no sentido natural (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘glória de Deus’, que é a luz do céu, que é o Divino Vero no sentido espiritual (de que se tratou nos n. 33, 288, 345 e 874); e pela significação de ‘virtude de Deus’, que o poder Divino, pois no sentido natural da Palavra, por seu sentido espiritual, há glória e virtude, ou luz e poder, mas não sem esse sentido. Sem esse sentido estão aqueles que não têm a Palavra como santa, p ara os quais, por isso, o Divino Vero ali é desprovido de luz e poder, enquanto para aqueles que têm a Palavra como santa há essa luz e esse poder. A razão é disso é que estes, pelo sentido espiritual, foram conjuntos ao céu, ainda que não o saibam. Por aí agora é evidente que ‘o templo encheu-se de fumaça por causa da glória de Deus e por causa de Sua virtude’ significa que a Palavra no sentido natural está na luz e no poder pelo Divino Vero no sentido espiritual.
[2] Que a ‘fumaça’ signifique o entendimento da Palavra no sentido natural é porque pela ‘fumaça’ é significado o mesmo que pela ‘nuvem’; que pela ‘nuvem’ seja significada a Palavra no sentido natural vê-se nos n. 36, 504, 594 e 906); e porque que pela ‘fumaça’ aqui é significado o mesmo que pela ‘fumaça do incenso’. Que pela ‘fumaça do incenso’ também seja significada a Palavra no sentido natural vê-se nos n. 494 e 539, no fim. A razão porque isto é significado pela ‘fumaça’ é porque a fumaça vem do fogo, e pelo ‘fogo’ é significado o amor em ambos os sentidos, e pelo ‘fogo santo’ o amor celeste. Semelhante é a Palavra no sentido da letra iluminado e, por assim dizer, acesa pelo sentido espiritual, a saber, que quanto ao seu entendimento o vero aí está na obscuridade, como pela fumaça, antes de serem dissipados os falsos e males que espalham trevas e cegam. Isto também se entende pelo fato de ‘ninguém ter podido entrar no templo até que fossem consumadas as sete pragas dos sete anjos’.
[3] O Divino Vero no sentido natural também é significado pela ‘fumaça’ em Isaías:
“Jehovah criará sobre todo habitáculo do Monte Sião, e sobre as suas convocações, uma nuvem de dia e uma fumaça e um esplendor de chama de fogo de noite, pois sobre toda glória há uma cobertura” (Is. 4:5);
no mesmo:
“Abalaram-se as bases [postes] dos limiares à voz” dos serafins clamando; “e casa encheu-se de fumaça” (Is. 6:4).
Semelhantemente pela ‘fumaça’ vista sobre o Monte Sinai, quando a Lei foi promulgada, e em outras passagens na Palavra, pela ‘fumigação dos montes’ quando Jehovah desceu. Também pelo
“Linho que fumega” (Is. 42:3);
e pela
“Fumaça do incenso que sobre das orações dos santos” (Ap. 8:4)
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Continuação sobre o Primeiro Preceito
[4] Quando o homem foge dos males porque são pecados e tem aversão a eles, pela luz do céu não somente vê que há um Deus e que Deus é um, mas também que Deus é Homem, pois quer o seu Deus, e não pode vê-Lo de outro modo senão como Homem. Assim viram Deus os antigos antes de Abrahão e depois dele; assim veem Deus, por uma percepção interior, as nações nas terras fora da igreja, principalmente os que são interiormente sábios, ainda que não pelos conhecimentos; assim veem Deus todas as crianças, todos os meninos e os simples probos; e assim veem Deus os habitantes de todos os planetas [tellurum], pois dizem que o invisível não cai na ideia nem cai na fé. A razão disso é que o homem que foge dos males como pecados e tem aversão a eles pensa pelo céu, e todo o céu, e cada um ali, não estão em outra ideia sobre Deus senão como de um Homem, nem podem estar em outra ideia, porque todo o céu está na efigie máxima de um Homem, e o Divino procedente do Senhor faz o céu. Por isso, pensar diferentemente de Deus que não segundo essa forma Divina, que é Humana, é coisa impossível para os anjos, porque os pensamentos angélicos estendem-se no céu. (Que todo o céu em conjunto se refira a um Homem vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 51-86; e que os anjos pensem segundo a forma do céu, n. 200-212 ali).
[5] Essa ideia de Deus influi do céu em todos nos mundo e reside em seu espírito. Mas parece como que extirpada na igreja, naqueles que estão na interno pelo proprium, e, de fato, tão extirpada como se não existisse. A razão disso é que pensam sobre Deus pelo espaço. É diferente, porém, quando os mesmos se tornam espírito, o que se tornou evidente para mim por muitas experiências, pois no mundo espiritual uma ideia indeterminada sobre Deus é uma ideia nula sobre Ele; por isso existe a ideia determinada em alguém que está no alto, ou em outro lugar, e dá resposta. {???} Pelo influxo geral que vem do mundo espiritual, há ideias recebidas nos homens a respeito de Deus como Homem, variavelmente segundo o estado de percepção. Daí é que Deus Triuno conosco é chamado Pessoas, e que Deus Pai, como um Homem antigo de dias é apresentado em pinturas nos templos. É, também, pelo influxo geral, que homens vivos e homens mortos, que são chamados santos, são adorados como deuses pela plebe no paganismo cristão e as imagens deles são amadas. É semelhante em relação a muitas nações em outros lugares e também entre os antigos na Grécia, em Roma e na Ásia, os quais tiveram muitos deuses, e todos eles foram vistos como homens. Estas coisas foram ditas para que se sabia que existe um ínsito, a saber, no espírito do homem, de ver Deus como Homem. Chama-se ínsito o que vem do influxo geral.

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