AE 971

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E ouvi o anjo das águas dizendo". Que isto signifique a pregação da justiça do Senhor por Seu reino espiritual vê-se pela significação de ‘anjo das águas’, que é o reino espiritual do Senhor, pois pelo ‘anjo’ na Palavra é significado algo do Senhor, uma sociedade celeste e também o céu. Pelo ‘anjo das águas’ aqui são significados os céus de que o reino espiritual do Senhor consiste, porque pelas ´’águas’ são significados os veros, por conseguinte, as coisas espirituais, pois o Divino Vero nos céus é o se chama espiritual, enquanto o Divino Bem se chama celeste. Todos os céus foram distintos em dois reinos, um chamado reino espiritual e o outro, reino celeste. O reino espiritual consiste de céus e, ali, os anjos que estão no Divino Vero, e esses céus estão na plaga meridional e na plaga setentrional, enquanto o reino celeste consiste de céus e, ali, os anjos que estão no Divino Bem, e esses céus estão nas plagas oriental e ocidental. Por isso, o reino espiritual, que consiste de céus e, ali, os anjos que estão no Divino Vero, se entendem pelo ‘anjo das águas’, enquanto o reino celeste, que consiste de céus e, ali, anjos que estão no Divino Bem, se entendem pelo ‘anjo do altar’ (de que se tratará no versículo sétimo, seguinte), pois pelo ‘altar’ é significado o Divino Bem. Que o ‘anjo das águas’ tenham pregado a justiça do Senhor vê-se pelas coisas que foram ditas a respeito desse anjo e que se seguem.
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Continuação sobre o Quinto Preceito
[2] Quanto mais o homem desiste dos males, foge deles e tem aversão a eles como pecados, mais influi o bem vindo do Senhor. O bem que influi é a afeição de saber e de entender os veros, e a afeição de querer e de fazer os bens. Mas o homem não pode por si mesmo desistir dos males, fugindo deles e tendo aversão a eles, porquanto está nos males de nascença e, assim, de natureza, e os males não podem fugir de si mesmo, pois isto seria como se o homem fugisse de sua natureza, o que não é possível. Por esse motivo, deve ser o Senhor, que é o Divino Bem e Divino Vero, Quem faz com que o homem fuja deles. O homem deve, no entanto, fugir dos males como por si mesmo, pois o que o homem faz como por si mesmo se torna seu e lhe é apropriado como seu, mas o que ele não faz como por si mesmo nunca se torna seu nem lhe é apropriado. O que vem do Divino ao homem é deve ser recebido pelo homem, e isto não pode ser recebido senão ele estando ciente, isto é, como de si mesmo. Esse recíproco é necessário para a reforma. Daí é que foram dados dez preceitos e aí foi ordenado que o homem não adorará outros deuses, não profanará o nome de Deus, não roubará, não adulterará, não matará, não cobiçará a casa, a esposa e os servos dos outros, por conseguinte, que o homem desista de fazer tais coisas, pensando, quando o amor do mal o atrair e incitar, que tais coisas não devem ser feitas porque são pecados contra Deus e em si infernais. Quanto mais o homem foge dessas coisas, mais entra o amor do vero e do bem vindo do Senhor, e esse amor faz com o homem fuja deles males como pecados e, finalmente, tenha aversão deles. E como é o amor do vero e do bem que foge desses males, segue-se que o home não foge deles por si, mas pelo Senhor, pois o amor do vero e do bem procede do Senhor. Se o homem foge deles somente pelo temor do inferno, os males são, de fato, removidos, mas, não obstante, os bens não sucedem em lugar deles, pois quando o temor se afasta, os males retornam.
[3] Somente ao homem foi concedido pensar como por si mesmo a respeito do bem e do mal, assim, que o bem deve ser amado e feito, porque é Divino e permanece na eternidade, e que se deve ter ódio ao mal e não fazê-lo porque é diabólico e permanece na eternidade. Pensar assim não foi concedido a besta alguma; a besta pode até fazer o bem e fugir do mal, porém não por si, mas ou pelo instinto, ou pelo uso, ou pelo temor, mas nunca pelo pensamento de que tal coisa é um bem ou tal coisa é um mal, assim, por si mesma. Por isso, aqueles que querem que o homem não fuja dos males como por si, nem faça os bens como por si, mas por um influxo imperceptível, ou pela imputação do mérito do Senhor, esses querem que o homem viva sem pensamento, percepção e afeição do vero e do bem, como uma besta. Que isto seja assim é o que me foi manifesto por múltiplas experiências no mundo espiritual. Após a morte, todo homem é ali preparado ou para o céu ou para o inferno; do homem que é preparado para o céu são removidos os males, e do quem é preparado para o inferno são removidos os bens, e todas as remoções se fazem como se por eles mesmos. Semelhantemente, os que fazem os males são levados por meio de penas, para que rejeitem os males como por si mesmo; se não for como por si mesmo, as penas são inúteis. Daí se tornou evidente para mim que aqueles que afrouxam as mãos, esperando o influxo ou a imputação do mérito do Senhor, permanecem no seu estado de mau, e afrouxam as mãos na eternidade.
[4] Fugir dos males como pecados é fugir das sociedades infernais que estão neles, e o homem não pode fugir delas a menos que tenha aversão a elas e, assim, se devia delas; e o homem não pode desviar-se delas por aversão a menos que ame o bem e por esse amor não queira o mal. Porque o homem deve querer o mal ou querer o bem; quanto mais quer o bem, mais não quer o mal, e querer o bem é concedido por praticar os preceitos do Decálogo de sua religião e viver segundo eles.
[5] Como o homem deve como por si mesmo desistir dos males como pecados, por isso esses dez preceitos foram escritos pelo Senhor em duas tábuas, e elas são chamadas aliança. Assim, pois, essa aliança foi estabelecida como costumam ser firmadas as alianças entre dois, a saber, que um dita e outro aceita, e o que aceite, consinta; se não consentir, a aliança não é estabelecida. Consentir aqui é pensar, querer e fazer como por si mesmo. O homem pensa que foge do mal e faz o bem como por si mesmo, {porém} não é o homem que faz, mas o Senhor. Que o Senhor faça isso é por causa do recíproco e, daí, da conjunção, pois o Divino Amor do Senhor é tal que quer que as suas coisas sejam do homem, e como elas não podem ser do homem, porque são Divinas, por isso Ele faz com que sejam como que do homem. Por esse meio se faz a conjunção recíproca, a saber, que o homem esteja no Senhor e o Senhor no homem, segundo as palavras do Senhor mesmo em João (cap. 14:20). Isto não é possível a menos que algo como que do homem esteja na conjunção. Que o homem faça como por si mesmo, isto ele faz como se de sua vontade, de sua afeição, de seu livre e, por conseguinte, de sua vida. A menos que esteja presente da parte do homem como seu, não há o receptivo, por não há reativo algum, assim, não há aliança, tampouco conjunção; nem mesmo há alguma imputação por se ter feito o mal ou o bem, ou por se ter crido o vero ou o falso, assim, que alguém tenha o inferno por causa das más obras por merecimento, ou que alguém tenha o céu por causa das boas obras pela graça.

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