. (Vers. 3) “E transportou-me em espírito ao deserto”. Que isto signifique ao lugar que aparece na visão, que correspondia ao estado dessa religiosidade, vê-se pela significação de ‘deserto’, que é o estado da igreja na qual não há mais bem e vero algum (de que se tratou no n. 730); como, porém uma igreja na qual não há mais bem e vero algum não é igreja, por isso se chama religiosidade; e pela significação de ‘em espírito’, que é em visão, pois o que João viu em espírito, isto ele viu em visão. Ver em visão é ver coisas tais as que existem no céu com os anjos, as quais são representativas e, daí, significativas de coisas espirituais. Elas, quando aparecem ao homem, não aparecem perante a visão de seu corpo, mas perante a visão de seu espírito, porque o espírito do homem tem olhos igualmente ao seu corpo. Mas os olhos do espírito veem as coisas que estão no mundo espiritual, porque todas as coisas que ali aparecem são de origem espiritual, e, aos olhos, estão na mesma forma que no natural. Mas os olhos do corpo veem as coisas que estão no mundo material, porque todas as coisas que aí aparecem são de origem natural, e pelos materiais o entendimento vê as coisas naturais, e os olhos estão na mesma forma material. Por isso, quando os olhos do espírito foram abertos aos profetas, eles viram coisas tais que representavam e, daí, significavam as coisas Divinas celestes e as coisas Divinas espirituais da igreja, e, às vezes, também coisas tais que representavam e, daí, significavam as futuras que aconteceriam às igrejas. Estas são as coisas que João viu. Que agora ele tenha visto no deserto é porque pelo ‘deserto’ é significado o estado da igreja devastada de todo bem e vero, e é esse estado que corresponde à igreja que se tornou Babilônia, pelo que também Babel é descrita como deserto em muitas passagens na Palavra, como nas seguintes:
Não és tu “que fizeste do mundo um deserto, e destruiu as suas cidades?” (Is. 14:17).
Babel será “como uma ruína... Sodoma e Gomorra; não será habitada eternamente, não quem more [nela] de geração em geração, de modo que não more ali o árabe; ... habitarão ali as filhas da coruja, e saltarão ali os sátiros” (Is. 13:19-22).
(E também em Jeremias, cap. 50:37-40; 51:2, 25-26, 37, 41-43 e outras passagens).
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