. “E de seda e de escarlate”. Que isto signifique os bens e veros de origem espiritual, profanados, vê-se pela significação de ‘seda’ que é o vero de origem espiritual (de que se tratará a seguir), e pela significação de ‘escarlate’, que é o bem de origem espiritual (de que se tratou acima, n. 1142). Esse bem coincide com o vero de origem celeste, pelo que o mesmo é também significado na Palavra por ‘escarlate’. Mas pela ‘seda’ e pelo ‘escarlate’ aqui são significados esses veros e esses bens profanados por Babilônia, e são profanados pelo fato de terem pervertido o amor espiritual, que é o amor para com o próximo, porque aqueles que estão no amor de si, como esse em que os babilônicos estão, não podem de maneira alguma amar o próximo; se o amam, é por causa de si, de modo que o fim é o homem mesmo, e o amor ao próximo é o meio, e o fim ama o meio enquanto este o serve, e, se não o serve, ele o rejeita. Isto também é vidente em cada coisas de suas obras. O amor ao próximo no sentido espiritual é o amor dos usos, e quanto os usos são por causa de si, então não há amor dos usos, mas amor de si. Que a ‘seda’ signifique o vero de origem espiritual pode-se ver pela passagem em Ezequiel (16:10, 13), que foi explicada há pouco acima (n. 1143). Que a ‘seda’ signifique o vero de origem espiritual é devido ao seu brilho, pois na seda há o brilho da luz, e a ‘luz’ significa o Divino Vero, que também é chamado Divino espiritual.
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[2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor
Foi dito que o amor de si e o amor do mundo são o inferno. De onde, porém, vêm esses amores, é o que se dirá agora. O homem foi criado para amar a si e o mundo, para amar o próximo e o céu, e para amar o Senhor. Assim, quando o homem nasce, ele ama primeiro a si e o mundo, e, depois, à medida que se torna sábio, ama o próximo e o céu; e à medida que se torna ainda mais sábio, ama o Senhor. Quando ele é tal, estão está na ordem Divina e é realmente conduzido pelo Senhor e aparentemente por si mesmo, Na proporção, porém, que não se torna sábio, assim também permanece no primeiro grau, que é amar a si e o mundo; e, se ama o próximo, o céu e o Senhor, é por causa de si perante o mundo. Se, porém, se torna completamente não sábio, então ama somente a si e o mundo por causa de si, do mesmo modo que o próximo; então ou despreza ou nega o céu e o Senhor, ou lhes tem ódio, se não de boca, contudo de coração. Estas são as origens do amor de si e do amor do mundo; e como esses amores são o inferno, é evidente de onde o inferno procede.
[3] Quando o homem se torna um inferno, então ele é como uma árvore cortada ou como uma árvore cujos frutos são malignos; e é como uma terra arenosa, na qual nenhuma semente lança raiz, ou como uma terra da qual brota somente espinhos que furam ou urtiga que queima. Quando o homem se torna um inferno, então os interiores ou superiores de sua mente são fechados, e os exteriores e inferiores são abertos. E como o amor de si determina para si todas as coisas do pensamento e da vontade, e as imerge não corpo, assim, nos exteriores da mente que, como foi dito, foram abertos, esse amor [se] inverte e volta[-se] para trás, pelo que elas se inclinam, tendem e são levadas para trás, isto é, para o inferno.
[4] Como, todavia, o homem tem a faculdade de pensar, querer, falar e fazer, faculdade essa que nunca lhe é tirada, pois nasceu homem, por isso, como ele é invertido e não recebe mais do céu bem algum nem vero algum, mas somente o mal e o falso do inferno, por isso, para se elevar acima dos outros ele adquire para si um lume por meio das confirmações do mal oriundo do falso e do falso oriundo mal. Ele crê que isto é o lume racional, quando, todavia, é o lume infernal e, em si, estúpido, pelo que o homem tem visão como de sonho na noite ou tem fantasia de delírio, pela qual as coisas que são aparecem como se não fossem, e que não são, como se fossem. Mas estas coisas são vistas de modo mais evidente pela comparação entre o homem anjo e o homem diabo.
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