AE 1166

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E revestida de linho fino e púrpura, e escarlate”. Que isto signifique a aparência nos externos como se fosse do vero e bem espiritual e celeste vê-se pela significação de ‘linho fino’, que é o vero de origem celeste (de que se tratou no n. 1143); pela significação de ‘púrpura’, que é o bem de origem celeste (de que se tratou no n. 1042); pela significação de ‘escarlate’, que é o bem de origem espiritual (de que se tratou no n. 1144); e pela significação de ‘ser revestida destes’, que é a aparência nos externos. Daí é evidente que ‘revestida de linho fino e púrpura e escarlate’ significa a aparência nos externos como se fosse do vero e bem celeste e espiritual, quando, todavia, considerada interiormente, essas coisas são males e falsos de origem infernal. O que é o celeste e o que é o espiritual foi dito muitas vezes anteriormente.
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[2] Continuação
Que somente o Senhor resista aos males no homem, e não por intermédio de quaisquer anjos do céu, é porque resistir aos males no homem pertence à Divina onipotência, Divina onisciência e Divina providência. Pertence à Divina onipotência porque resistir a um mal é resistir a muitos, e também é resistir aos infernos, pois cada mal está conjunto a males inumeráveis; eles estão ligados como os infernos entre si, pois assim como os males fazem um só, assim os infernos, e assim como os infernos, assim os males, e ninguém pode resistir aos infernos assim conjuntos senão o Senhor somente. Pertence à Divina onisciência porque somente o Senhor conhece a qualidade do homem e quais são seus males, e em que conexão estão com os demais males, por conseguinte, em que ordem eles devem ser removidos a fim que seja curado do interior ou radicalmente. Pertence à Divina providência para que nada se faça contra as leis da ordem, e o que for feito conduza o homem na eternidade, pois a Divina onipotência, a Divina onisciência e a Divina providência consideram o eterno em cada coisa.
[3] Por aí se pode ver que nenhum anjo pode resistir aos males no homem, mas o Senhor somente. O Senhor opera essas coisas no homem imediatamente por si e também mediatamente pelo céu, mas de modo que nenhum anjo saiba coisa alguma disso. Com efeito, o céu em todo o conjunto é o Senhor, porque é o Seu Divino procedente; por isso, quando Ele opera por meio do céu, é também por Si. Mas é dito ‘mediatamente’ porque a operação Divina flui através dos céus, embora nada tire do proprium de cada anjo ali, mas do que é Seu neles. A aparência é como a de quando o homem produz uma ação, movendo inumeráveis fibras motrizes espalhadas ao redor de todo o corpo para efetuá-la, do que nenhuma fibra sabe coisa alguma; tais são, também, os anjos no Corpo Divino que é chamado céu.

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