Texto
. CINCO CAÍRAM, UM EXISTE, UM OUTRO AINDA NÃO VEIO E, QUANDO VIER, DEVE DURAR POUCO TEMPO. Significa que todas as Divinas Verdades da Palavra foram destruídas, exceto esta, que todo o poder foi dado ao Senhor no céu e na terra, e exceto esta outra que, ainda não veio em questão e que, quando vier, não permanecerá, a qual é que o Humano do Senhor é Divino. Por "cinco" não é significado cinco, mas todo o resto, aqui todo o resto das Divinas Verdades da Palavra, que são significadas pelos "reis", porque os números no Apocalipse, e em geral na Palavra, significam a qualidade das coisas com as quais eles são unidos. Eles são como adjetivos unidos a substantivos ou como certos predicativos adjuntos a sujeitos, como se pode ver pelos números dois, três, quatro, seis, sete, dez, doze, cento e quarenta e quatro, explicados anteriormente. Aqui, pois, "cinco" significa todo o resto, porque "sete" significa todas as coisas santas da Palavra e se diz, depois, que "um existe" e que "um outro deve vir", assim que há dois deles que devem permanecer. Daí, é evidente que por "cinco caíram" é significado que todos os restantes foram destruídos; diz-se "cair" porque se trata de reis que caem pela espada. Por "um existe" não é significada outra coisa senão essa Divina Verdade, que "ao Senhor foi dado todo o poder no céu e na terra", segundo as palavras do Próprio Senhor em Mateus 28: 18 João 13; 3 e João 17; 2, 3 e 10 (veja-se o nº 618). Que este "um" não foi destruído é porque de outro modo eles não poderiam atribuir a si mesmos a dominação sobre todas as coisas da Igreja e da Palavra e sobre o céu. Por "um outro ainda não veio e, quando vier, deve durar pouco tempo" é significada a Divina Verdade que ainda não está em questão e que, quando vier, não permanecerá entre eles, a qual é que o Humano do Senhor é Divino. Diz-se "deve durar pouco tempo", porque isto é segundo a Divina Providência, como se fala antes (nº 686).
Que é uma Divina Verdade que o Humano do Senhor é Divino, vê-se no opúsculo DOUTRINA DA NOVA JERUSALÉM SOBRE 0 SENHOR, do princípio ao fim. Que (esta Divina Verdade) ainda não foi posta em questão é porque, depois que transferiram para si o poder do Senhor, eles não podiam reconhecer o Humano do Senhor como Divino, pois então os leigos e o vulgo diriam que eles tinham transferido para si o Poder Divino e que, assim, o próprio Papa seria Deus e os seus ministros seriam deuses. Mas que, entretanto, essa Verdade tem de ser posta em questão, pode-se ver pelo fato de que ela foi predita no Apocalipse.
Que eles tenham visto essa segunda verdade, que é que o Humano do Senhor é Divino, ainda que como com olhos fechados, é evidente por esse (pensamento) entre eles, (segundo o qual) dizem que na Eucaristia está não somente o corpo e o sangue do Senhor mas também Sua Alma e Sua Divindade, assim que há a Onipresença tanto de Seu Humano quanto de Seu Divino e que o Humano não pode ser Onipresente a menos que seja Divino. E também porque dizem que Cristo, quanto ao corpo e ao sangue e, ao mesmo tempo, quanto à alma e à Divindade, está neles pela Eucaristia e eles estão em Cristo, e isso se diz de Seu Humano, o que não pode ser dito, porque seria impossível se Seu Humano não fosse Divino. Além dessas coisas, eles dizem também que os santos reinam com Cristo, que Cristo deve ser adorado e que os santos devem ser invocados e venerados: também que Cristo é a verdadeira luz e que n'Ele eles vivem e têm mérito, e outras coisas semelhantes que envolvem a Divindade de Seu Humano. Estas explicações são tiradas do Concílio de Trento e da bula (papal). Assim é, como se disse, que eles vêem essa verdade, mas como com olhos fechados.