AR 798

Emanuel Swedenborg
Obra: Apocalipse Revelado
Em que são desvendados os arcanos preditos no Apocalipse, e que ficaram ocultos até o tempo presente

Texto

. Como se diz que eles não têm qualquer conjunção do bem e da verdade, porque neles não há o casamento do Senhor e da Igreja, aqui se dirá alguma coisa do poder de abrir e de fechar o céu, poder que faz um com o de perdoar e reter pecados, que eles reclamam para si como sucessores de Pedro e dos apóstolos.
0 Senhor disse a Pedro: "Sobre esta mesma Pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; e tudo que ligares na terra será ligado nos céus e tudo que desligares na terra será desligado nos céus" (Mateus 16; 18 e 19).
A Divina Verdade que se entende pela "Pedra", sobre a qual o Senhor ia edificar a Sua Igreja, é a verdade que Pedro então confessou, e que era: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo" (Mateus 16; 16).
Pelas "chaves do reino dos céus", que são aquela Pedra, que é o Senhor, pelas quais "tudo que for ligado na terra será ligado nos céus e tudo que for desligado na terra será desligado nos céus", se entende que o Senhor tem todo o poder sobre o céu e a terra, como também Ele diz (Mateus 28; 18); assim, tem o poder de salvar os homens que, pela fé no coração, estão naquela confissão de Pedro. A Divina operação do Senhor para salvar os homens se faz dos primeiros por meio dos últimos; e é isso que se entende por "tudo que ligares ou desligares na terra será ligado ou desligado no céu". Os últimos pelos quais o Senhor opera estão na terra e até mesmo nos homens. Por causa disso, para que o Senhor Mesmo estivesse nos últimos como estava nos primeiros, Ele veio ao mundo e revestiu o Humano. Que toda a operação Divina do Senhor se faça dos primeiros pelos últimos, assim d'Ele Mesmo nos primeiros e d'Ele Mesmo nos últimos, vê-se no livro SABEDORIA ANGNÉLICA SOBRE 0 DIVINO AMOR E A DIVINA SABEDORIA (nºs 217, 218, 219 e 221). Daí vem que o Senhor é chamado "Primeiro e último, Alfa e Ômega, Princípio e Fim, Onipotente", como se vê nos nºs 29 a 31, 38 e 57.
Quem não pode ver, se quiser, que a salvação do homem é uma contínua operação do Senhor no homem desde o primeiro momento de sua infância até o último momento de sua vida e que isso é puramente Divino, e não é prerrogativa de homem algum? Esse Divino é tal que ele pertence ao mesmo tempo à Onipresença, à Onisciência e à Onipotência. Que a reforma e a regeneração do homem, assim sua salvação, é tudo da Divina Providência do Senhor, pode-se ver no livro SABEDORIA ANGÉLICA SOBRE A DIVINA PROVIDÊNCIA, do começo ao fim. A vinda mesma do Senhor ao mundo foi unicamente para a salvação do homem; para realizá-la, Ele assumiu o Humano, removeu os infernos e Se glorificou, revestindo-se de Onipotência também nos últimos, o que é entendido por "sentar-se à direita de Deus". Que é, pois, mais abominável que fundar uma Religiosidade, pela qual se estabelece que essa autoridade e esse poder Divinos pertencem a um homem e não mais ao Senhor, e que o céu é aberto ou fechado quando um sacerdote diz "absolvo" ou "excomungo", e que um pecado enorme até é perdoado quando ele diz "perdôo"? Há muitos diabos no mundo que, para evitarem as penas temporais, pedem e obtêm absolvição de crime diabólico por meio de artifícios e de presentes. Quem pode ser tão insensato a ponto de crer que é dado poder para introduzir diabos no céu?
No fim do nº 790, é dito que "Pedro" representou a verdade da fé da Igreja, "Tiago" o bem da caridade da Igreja e "João" as boas obras dos homens da Igreja, e que os doze apóstolos juntamente representaram a Igreja quanto a todas as coisas que lhe pertencem. Que eles representaram todas essas coisas, é claramente evidenciado pelas seguintes palavras que o Senhor lhes dirigiu: "Quando o Filho do Homem sentar sobre o trono de Sua glória, vós também sentareis sobre doze tronos, julgando as doze tribos de Israel" (Mateus 19; 28 Lucas 22; 30).
Por essas palavras não pode ser entendida outra coisa senão que o Senhor é que julgará todos de acordo com os bens e as verdades da Igreja. Se não se entendesse isso por tais palavras, mas os próprios apóstolos, todos os que, na grande cidade da Babilônia, se dizem sucessores dos apóstolos poderiam reclamar para si o direito de se sentarem sobre tantos tronos quantos eles são, desde o Papa até o monge, e de julgarem todos sobre o globo terrestre.

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Advento do SENHOR