. Aqueles que viram propriedades meramente humanas indignas de Deus, e entretanto atribuídas a Deus, para defender o sistema da justificação, uma vez concebida, e para velá-lo com uma aparência, disseram que a ira, a vingança, a danação e outras coisas semelhantes são atribuídas a Sua justiça, e que é por isso que na Palavra tais expressões são muitas vezes empregadas e como apropriadas a Deus.
Mas pela ira de Deus, na Palavra, é significado o mal no homem. E, como esse mal é contra Deus, ele é chamado a ira de Deus, não porque Deus se irrita contra o homem, mas porque o homem por seu mal se irrita contra Deus. E, porque o mal traz consigo a sua pena, como o bem traz a sua recompensa, por isso quando o mal pune o homem parece lhe que é Deus que o pune. É, com efeito, como se um malfeitor censurasse a lei pelo fato de ter sido punido, ou como se alguém censurasse o fogo pelo fato de ter sido queimado quando pôs sua mão nele, ou como se censurasse uma espada nua na mão de um defensor quando se precipita sobre a ponta. Tal é a justiça de Deus.
Mas sobre isto é possível ver muitas coisas no Apocalipse Revelado. Sobre a justiça e o juízo em Deus e por Deus veja nº 668. Porque a ira é atribuída a Deus, ver nº 635, e também a vingança, nº 658. Mas isso no sentido da letra, porque este sentido foi escrito por aparências e correspondências. Mas não se atribui a Deus ira e vingança no sentido espiritual. Neste sentido a verdade está em sua luz.
Posso afirmar que os anjos, quando ouvem alguém dizer que Deus por ira decidiu a danação do gênero humano, e que sendo inimigo Ele é reconciliado pelo Filho como outro Deus gerado d'Ele, eles se tornam como os que são excitados a evacuação por uma comoção das vísceras e ao mesmo tempo do estômago. Eles dizem: "Que mais de abominável pode ser dito sobre Deus?".
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