. Que não há um laço entre a caridade e a fé é uma conseqüência das proposições seguintes em sua doutrina da justificação. A fé é imputada por justiça sem as obras, (nº 12a). A fé não justifica enquanto é formada pela caridade, (nº 12b). As boas obras devem ser inteiramente excluídas quando se trata da justificação e da vida eterna, (nº 12f). As boas obras não são necessárias à salvação, e a asserção de sua necessidade deve ser inteiramente rejeitada da igreja, (nº 12g, h, i, k). A salvação e a fé não são conservadas nem retidas pela caridade nem pelas obras da caridade, (nº 12m, n). As boas obras misturadas ao assunto da justificação são perniciosas, (nº 14g). As obras do espírito ou da graça, que seguem a fé como seus frutos, também não conferem coisa alguma para a salvação, (nº 14d e em outras partes). Dessas proposições, se segue inevitavelmente que não há laço algum entre essa fé e a caridade, e que, se houvesse um, ele seria pernicioso para a salvação, porque ele agiria contra a fé, que assim não seria a única encarregada da salvação.
Que efetivamente não possa haver um laço entre a caridade e essa fé foi mostrado em nºs 47, 48, 49 e 50. Por isso pode-se dizer que é, pelo previsto e pelo predestinado, que os reformadores lançaram para longe da sua fé a caridade e as boas obras. Pois se as tivessem conjuntado, seria como se tivessem conjuntado um leopardo e uma ovelha, um lobo e um cordeiro, um gavião e uma rola. Essa fé é também descrita por um leopardo no Apocalipse 13; 2. (ver explicação em Apocalipse Revelado nº 572) Mas quanto ao que é a igreja sem a fé, e a fé sem a caridade, e assim a igreja sem o casamento da fé e da caridade, veja no nº 48. Esse casamento é a igreja mesma, e é a Nova Igreja que agora é instaurada pelo Senhor.
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