BE 110

Exposição Sumária da Doutrina da Nova Igreja
Emanuel Swedenborg
"E JEHOVAH será Rei sobre toda a terra: Nesse Dia JEHOVAH será Um e o Nome d'Ele Um." (Zc. 14:9)

1) A cada um depois da morte é imputado o mal em que está e semelhantemente o bem. Para que este artigo seja apresentado com evidência, ele será examinado por subdivisão nesta ordem:
1º. Cada um tem uma vida que lhe é própria;
2º. Depois da morte a vida de cada um lhe resta;
3º. Então ao mal é imputado o mal de sua vida, e ao bom é imputado o bem de sua vida.
PRIMEIRAMENTE: Cada um tem uma vida que lhe é própria, por conseguinte distinta da vida de um outro; isso é sabido. Existe, pois uma variedade perpétua, e não há coisa alguma que seja a mesma que uma outra. Daí cada um tem o seu próprio. Isso é muito claro pelos rostos dos homens. Pois não há rosto que seja absolutamente semelhante a um outro rosto, e isto nunca poderá acontecer em toda a eternidade, porque não há dois caracteres (animi) que sejam iguais, e dos caracteres os rostos dependem. O rosto, com efeito, é, como se diz, o tipo do caráter, e o caráter tira a sua origem e a sua forma da vida.
Se o homem não tivesse uma vida que lhe fosse própria, como ele tem um caráter e um rosto que lhe são próprios, ela não teria depois da morte uma vida distinta de um outro. Ainda mais, não haveria também o céu, pois o céu consiste em seres perpetuamente diferentes. A sua forma é unicamente composta de variedades de almas e de mentes dispostas em tal ordem, que elas fazem um. E elas fazem um pelo Ser único cuja Vida está em todas e em cada uma dessas variedades, como a alma está no homem. Se assim não fosse, o céu se dissiparia, porque a forma seria dissolvida. O Ser único, pelo Qual a vida está em todas e em cada uma das variedades, e pelo Qual a forma tem coerência, é o Senhor.
SEGUNDO LUGAR: Depois da morte, a vida de cada um lhe resta. Isso é conhecido na Igreja pela Palavra, e por estas passagens da Palavra: "0 Filho do Homem virá e então dará a cada um segundo as suas obras" (Mat. 16:27); "Vi os livros abertos e todos foram julgados segundo as obras suas" (Apoc. 20:12, 13); "No dia do juízo, Deus dará a cada um segundo as suas obras" (Rom 2: 6 e 11 Cor. 5:10).
As obras, segundo as quais se dará a cada um, são a vida, porque a vida as faz, e elas são segundo a vida.
Como me foi permitido, durante muitos anos, estar junto com os anjos e falar, no mundo dos espíritos, com os que chegam de nosso mundo, posso atestar com certeza que cada um é lá examinado para que se saiba qual foi a sua vida, e que a vida, que ele contraiu no mundo, lhe resta para sempre. Falei com aqueles que tinham vivido em nosso mundo há séculos, e cuja vida foi conhecida a mim pelas coisas históricas, e achei que eles são semelhantes à descrição histórica. Ouvi também, dos anjos, que a vida de cada um não pode ser mudada depois da morte, porque ela foi organizada segundo o seu amor e a sua fé, e por conseguinte segundo as suas obras. E se ela fosse mudada, a organização se dissolveria, o que nunca pode acontecer. Finalmente, que a mudança de organização somente se realiza no corpo material e é inteiramente impossível no corpo espiritual, depois que o corpo material foi separado dele.
TERCEIRO LUGAR: Então ao mal é imputado o mal de sua vida, e ao bom é imputado o bem de sua vida. A imputação do mal depois da morte não é uma acusação, nem uma censura, nem uma inculpação, nem um julgamento, como no mundo; mas é o mal mesmo que faz isso. Com efeito, os maus se separam, por sua própria escolha, de junto dos bons, pois não podem estar juntos. Os prazeres do amor do mal têm aversão aos prazeres do amor do bem, e os prazeres emanam de cada um, como os cheiros emanam de todo vegetal na terra. Pois eles não são absorvidos nem escondidos pelo corpo material como antes, mas fluem livremente de seus amores na aura espiritual. E como o mal lá é sentido como em seu cheiro, é esse mal que acusa, censura, inculpa e julga, não perante algum juiz, mas diante de alguém que está no bem; e é isso o que entende por imputação.
A imputação do bem se faz do mesmo modo, e isso se faz para os que, no mundo, reconheceram que todo o bem, no qual eles estiveram e estão, vem do Senhor, e que nada vem deles mesmos. Depois que estes são preparados, eles são introduzidos nos prazeres interiores de seu bem e, então, lhes é aberto um caminho no céu para a sociedade onde os prazeres são da mesma natureza que os deles. Isso é feito pelo Senhor.

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