DLOV &9

Do Divino Amor
Emanuel Swedenborg
Tratado sobre a Natureza e Origem do Divino Amor

. [21] IX. Que haja tantas afeições quantos são os usos. Que o Divino Amor seja a vida mesma e que, daí, o amor no homem seja a sua vida, há muitas coisas que o atestam. Mas, entre as provas que atestam, esta é sobre-eminente: que o espiritual do homem não é senão a afeição, e que assim é que o homem, após a morte, torna-se afeição: um anjo do céu, se a afeição é de um bom uso, e um espírito do inferno, se a afeição é de um mau uso. Daí é que todo o céu está distinto em sociedades segundo os gêneros e as espécies de afeições, e, semelhantemente, o inferno, pelo oposto. Assim, quer digas afeições, quer digas sociedades no mundo espiritual, é a mesma coisa.
[22] Por afeições entendem-se as continuações e as derivações do amor. O amor pode ser comparado a uma fonte, e as afeições a um rio originando dela. E pode ser comparado ao coração, e as afeições a vasos daí derivados e continuados. E é notório que os vasos que levam o sangue do coração se referem em todo ponto ao seu coração, de modo que são como suas extensões. Daí as circulações do sangue do coração pelas artérias e, das artérias, nas veias, e de novo ao coração. Tais são, também, as afeições, pois são derivadas e continuadas do amor, e produzem usos nas formas, e nelas progridem desde os primeiros dos usos até os seus últimos, e daí retornam ao amor de que se originaram, pelo que é evidente que a afeição é o amor em sua essência, e o uso é o amor em sua forma. Disso resulta que os objetos ou fins das afeições são os usos, e, daí, os sujeitos delas são os usos; e as formas mesmas, em que existem, são efeitos que são efígies delas, nos quais progridem desde o primeiro fim até o último, e do último fim até o primeiro, pelos quais operam suas obras, ofícios e exercícios. Quem não pode ver por isso que a afeição, só, não é coisa alguma, e que ela se torna alguma coisa pelo fato de estar num uso? e que a afeição do uso não é coisa alguma senão uma ideia, a menos que esteja na forma? e que a afeição do uso na forma tampouco é alguma coisa senão o poder, mas que se torna alguma coisa pela primeira vez quando está no ato? Isto é o que se entende pelo uso mesmo, que, em sua essência, é a afeição. Ora, como as afeições são as essências dos usos, e os usos são os sujeitos delas, segue-se que há tantas afeições quantos são os usos.

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