DLOV &10

Do Divino Amor
Emanuel Swedenborg
Tratado sobre a Natureza e Origem do Divino Amor

. [23] X. Que haja gêneros e espécies de afeições, e diferenças de espécies ao infinito. Semelhantemente de usos. Que haja gêneros e espécies de afeições e diferenças de espécies ao infinito, semelhantemente de usos, pode-se ver pelo corpo humano, pelo gênero humano e pelo céu angélico, e também pelo reino animal e pelo reino vegetal. Em cada um desses há gêneros de afeições ou de usos, espécies e diferenças, em número inefável, porque não existe algo que seja o mesmo [que outro], mas é variado, e este variado em toda parte se distingue em gêneros e em espécies, e estas e aqueles em diferenças, e as diferenças em si são infinitas, porque vêm do Infinito. Que isto seja assim, qualquer um pode ver pelas faces humanas, das quais não existe, desde o dia da criação, uma que seja tão completamente semelhante a outra de forma a ser a mesma, nem pode existir na eternidade. Assim, tampouco existe algo, por menor que seja, no corpo humano, que aí seja o mesmo que outro. Dá-se de modo semelhante em relação às afeições e aos seus usos. Que se dê o mesmo em relação às afeições e os usos daí o homem ignora completamente, a ponto de perguntar o que é a afeição e o que é o amor. Portanto, isto não pode ser esclarecido senão do céu, onde todos são afeições, e isto vem do Divino Amor, que é a vida mesma.
[24] Ali, o Divino Amor, que é a vida mesma, se distingue em dois reinos: um em que reina o amor ao Senhor, e o outro em que reina o amor para com o próximo. O amor ao Senhor envolve os usos de que procede, e o amor ao próximo envolve os usos a quem se destina. O Divino Amor, que é a vida mesma, se distingue, além disso, em reinos menores, que podem ser chamados de províncias, e estas, por sua vez, em sociedades, e as sociedades em famílias e em casas. Tais são, nos céus, as distinções do Divino Amor em gêneros e em espécies, e estas, por sua vez, em suas, que se entendem por diferenças. Que assim sejam distinguidas as afeições e, semelhantemente, os usos, é porque cada anjo é uma afeição e também um uso.
[25] Como no inferno todas as coisas estão no oposto em relação às que estão no céu, assim também estão em relação ao amor. O amor diabólico, que é a morte mesma, também é distinto ali em dois reinos: um em que reina o amor de si, e o outro em que reina o amor do mundo. O amor de si envolve os usos maus, de que procede, que é por si; e o amor do mundo envolve os usos maus para quem se destina; esses, porque são feitos de si, também são feitos por causa de si, porque todo amor retorna, como por um círculo, àquilo de que veio. O amor diabólico é distinto, além disso, em províncias, e estas, por sua vez, em sociedades e ulteriormente.
[26] Há semelhantes distinções de afeições no corpo humano, igualmente aos usos, porque, como foi dito acima, todas as coisas do homem correspondem a todas as coisas do céu. O coração e os pulmões ali correspondem aos dois reinos do céu. Os membros, órgãos e vísceras ali correspondem às províncias do céu, e a composição de cada membro, órgão e víscera corresponde às sociedades do céu. Estas, por serem usos no geral e no particular, e os usos vivem pela vida que é o amor, a vida deles não pode ser chamada de outra coisa senão afeição do uso. Como é no corpo humano, e também no céu, assim é também em todo o gênero humano, porque este, como o céu diante do Senhor, é como um homem, como foi dito anteriormente.

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