. [28] XI. Que haja graus de afeições e de usos. Existem os graus contínuos e os graus discretos. Estes e aqueles estão em toda forma, tanto no mundo espiritual quanto no mundo natural. Todos conhecem os graus contínuos, mas poucos conhecem os graus discretos, e os que não conhecem estes últimos apalpam como nas trevas quando investigam as causas das coisas. Os dois tipos de graus são descritos na obra O Céu e o Inferno (n. 38).
[29] Os graus contínuos, que todos conhecem, são como os graus da luz para a sombra, do calor para o frio, da rarefação para a densidade. Esse grau de luz, de calor, de sabedoria, e de amor existe em cada sociedade do céu em si mesma. Ali, os que estão no meio acham-se numa luz mais clara do que os que estão nos limites. Dá-se semelhantemente em relação à sabedoria. Os que estão no meio ou no centro da sociedade estão na luz da sabedoria, mas os que estão nos limites ou nas periferias acham-se na sombra da sabedoria, e são os simples. É o mesmo com relação ao amor nas sociedades. As afeições do amor, que fazem a sabedoria, e os usos das afeições, que fazem a vida deles ali, decrescem continuamente do meio ou centro até aos limites ou periferias. Estes são os graus contínuos.
[30] Os graus discretos, porém, são inteiramente diferentes. Estes não avançam na superfície para os lados ao redor, mas do mais alto para o mais baixo, pelo que são chamados graus descendentes. São discretos como as causas eficientes e os efeitos, que de novo se tornam eficientes até o último efeito, e são como a força producente em relação às forças produzidas, que de novo se tornam producentes até o último produto. Em suma, são graus de formação de um desde outro, assim, desde o primeiro ou supremo até o último ou ínfimo, onde a formação subsiste. Por isso esses graus são anteriores e posteriores, e também superiores e inferiores. Toda criação foi feita por esses graus, e toda produção é por meio deles, e toda composição na natureza do mundo igualmente. Se, pois, expuseres algo composto, verás que uma coisa aí vem de outra até o extremo, que é o comum de todos.
[31] Os três céus angélicos são distintos entre si por esses graus; por isso, um está acima do outro. Os interiores do homem, que pertencem à sua mente, acham-se também distintos entre si por esses graus, do mesmo modo que a luz, que é a sabedoria, e o calor, que é o amor, nos céus dos anjos e nos interiores dos homens. Dá-se semelhantemente com a luz mesma, que procede do Senhor como Sol, e também com o calor mesmo, que também daí procede, pelo que a luz no terceiro céu é tão brilhante, e a luz no segundo céu é tão branca, que excedem em milhares de vezes a luz do meio-dia do mundo. Dá-se de modo semelhante em relação à sabedoria, pois a luz e a sabedoria no mundo espiritual estão no mesmo grau de perfeição. São semelhantes a elas os graus de afeições, pois os sujeitos das afeições são os usos. Cumpre saber, além disso, que em toda forma, tanto espiritual quanto natural, há graus, tanto discretos como contínuos. Sem os graus discretos não há interiormente nela o que faça a causa ou alma, e sem os graus contínuos não há sua extensão ou aparência.
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