. [32] XII. Que cada uso derive sua vida do geral, e que dele influam as coisas necessárias, úteis e prazerosas da vida segundo a qualidade do uso e a qualidade de sua afeição. Que cada uso derive sua vida do geral, e que dele influam as coisas necessárias, úteis e prazerosas da vida segundo a qualidade do uso e a qualidade de sua afeição é um arcano ainda não desvendado. De fato, alguma coisa disso aparece no mundo, mas não de um modo tão claro que se possa ver que assim é, pois no mundo todo homem recebe do geral as coisas necessárias, úteis e prazerosas da vida segundo a excelência e amplitude de sua administração. Alguns são remunerados pelo geral, outros se enriquecem pelo geral. O geral é como um lago do qual influem as remunerações e as riquezas. Os usos e aplicações que pertencem à afeição os determinam e produzem. No entanto, disto não se pode concluir que os usos mesmos sejam tais em si, porque, no mundo, os maus e os bons igualmente, tanto os que não prestam usos – e, também, os usos maus – quanto os que prestam usos – e os usos bons – são às vezes remunerados e enriquecem. Ao contrário, no mundo espiritual, onde os usos são desnudados e se revela de que origem são e em que lugar estão no Homem espiritual, que é o Senhor nos céus, ali cada um é remunerado segundo os usos que prestam e, ao mesmo tempo, segundo a afeição dos usos. Nenhum ocioso é tolerado ali, nem indolente vadio, nem preguiçoso que se glorie com alguma aplicação ou obra de outrem, mas cada um deve ser expedito, ativo, zeloso e diligente em sua função e seu negócio, e deve pôr a honra e a recompensa não no primeiro, mas no segundo ou terceiro lugar. Segundo estas é que influem neles as coisas necessárias, úteis e prazerosas da vida. Que elas influam do geral é porque elas não são adquiridas para si como no mundo, mas passam a existir num momento e são dadas gratuitamente pelo Senhor. E como há comunicação e extensão de todos os pensamentos e afeições dos usos no mundo espiritual, e há no céu a comunicação e a extensão das afeições dos usos segundo a qualidade delas, e como todos os que estão nos céus são afetados pelos usos e se deleitam neles, por isso as coisas necessárias, úteis e prazerosas da vida refluem e superabundam no seu uso, e, como usufruto, naquele que presta o uso.
[33] As coisas necessárias da vida que são dadas gratuitamente pelo Senhor e que passam a existir num só momento são o alimento, a vestimenta e a habitação, que correspondem inteiramente ao uso em que o anjo está. As coisas úteis são as que servem a esses três e deleitam àquele que os recebem, além de vários ornamentos sobre a mesa, para as vestimentas e na casa, belos segundo o uso e esplêndido segundo a sua afeição. As coisas prazerosas são com o cônjuge, os amigos, os companheiros, pelos quais se é amado e os quais ele mesmo ama. De toda afeição do uso vem esse amor mútuo e recíproco.
[34] Que existam tais coisas no céu é porque elas estão no homem, pois o céu corresponde a todas as coisas do homem. Também, o homem que está na afeição do uso pelo uso, ou por causa do uso, é um céu na mínima forma. No homem não há membro algum, nem parte alguma no membro, que não tire do geral suas necessidades, utilidades e prazeres. Aí o geral provê para cada um segundo o uso. Tudo aquilo que um exige para sua obra, isto lhe é transferido pelos vizinhos, e estes de seus vizinhos, assim, do todo. E ele, semelhantemente, comunica do que é seu aos demais, segundo a necessidade. Dá-se o mesmo no Homem Divino espiritual, que é o céu, porque dá-se o mesmo no Senhor. Por aí é evidente que cada uso é representativo de todos os usos em todo o corpo, e, assim, que em cada uso há uma ideia do universo e, por ela, uma imagem do homem. Daí é que o anjo do céu é homem segundo o uso. De fato, se se permite falar espiritualmente aqui, o uso é um homem anjo.
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