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Sabedoria Angélica
Emanuel Swedenborg
Sobre o Divino Amor e Sobre a Divina Sabedoria

- XII. O Amor ou a Vontade se conjunta à Sabedoria ou ao Entendimento, e faz com que a sabedoria ou o entendimento seja recì-procamente conjunto. Que o Amor ou a Vontade se conjunta à Sabe-doria ou ao Entendimento, isto é evidente por sua correspondência com o Coração e o Pulmão. A experiência anatômica ensina que o Coração está no movimento de sua vida quando o Pulmão ainda não está nêle; a experiência o ensina por aquêles que estão em desfalecimento e por aquêles que estão sufocados; e também pelos embriões nos úteros, e os pintos nos ovos. A experiência anatômica ensina ainda que o co-ração, enquanto age só, forma o pulmão, e o dispõe a fim de aí poder operar a respiração, e que êle forma também as outras vísceras e os outros órgãos, a fim de aí poder fazer diversos usos, os 6rgãos da face a fim de poder sentir, os órgãos do movimento a fim de poder agir, e as outras causas do corpo a fim de poder produzir usos corres-pondentes às afeições do amor. Por isto, vi-se primeiro que, do modo porque o coração produz estas cousas em vista das diversas funções quo tem a desempenhar no corpo do ¿esmo modo o amor produz causas semelhantes no seu receptáculo, que se chama vontade, em vista das diversas afeições que fazem sua forma, a qual, como já foi mostrado, é a forma humana. Ora, como as primeiras e as mais próximas afeições do amor são a afeição de saber, a afeição de compreender e a afeição de ver o que se sabe e compreende, segue-se que o amor forma o en-tendimento para estas afeições, e que êle entra efetivamente nelas, desde que começa a sentir e a agir, e quando começa a pensar. Que o en-tendimento não contribui em nada para isso, vê-se pelo paralelismo do coração e do pulmão, de que se falou acima. Por isto, pode-se ver que o amor ou a vontade se conjunta à sabedoria ou ao entendimento, e que não é a sabedoria ou o entendimento que se conjunta ao amor ou à vontade; e por isto vê-se também que a ciência, que o amor adquire pela afeição de saber, e a percepção do vero, que adquire pela afeição de compreender, e o pensamento cpie adquire pela afeição de ver o que sabe e compreende, pertencem não ao entendimento mas ao amor. Os pensamcntos, as percepções e por conseguinte as ciênci;:.s influem, é ver-dade, do Mundo espiritual, mas são sempre recebidas, não pelo en-tendimento, mis pelo amor segundo suas afeir,ões no entendimento. Parece que é o entendimento que ;!s recebe, e não o amor ou a von-tade, mas é uma ilusão; parece t.ìmbém que é o entenàimento que se conjunta ao amor ou à vontade, mas ainda é uma ilusão; o amor ou a vontade se conjunta ao entendimento, e faz com que seja recìproca-mente conjunto; se é recìprocamente conjunto, é devido ao casamento do amor com a sabedoria, daí se faz uma conjunção como recíproca pela vida e por conseguinte pelo poder do amor. Dá-se o mesmo com o casamento do bem e do vero, pois o bem pcrte.nce ao amor, e o verc, pertence ao entendimento; o bem faz tudo, e recebe o vero em sua casa, e se conjunta com êle desde que êle concorde; o bem pode mesmo admitir os veros que não concordam, mas o faz pela afeição de saber, de compreender e de pensar cousas suas, enquanto ainda não se de-terminou por usos coque são seus fins, e são chamados seus bens. A conjunção recíproca, ou do vero com o bem, é absolutamente nula; se o vero é recìprocamente conjunto, é pela vida do bem. Daí vem que todo homem, todo espírito e todo anjo, é considerado pelo Senhor se-gundo seu amor ou seu bem, e que ninguém é considerado segundo seu entendimento ou segundo o vero separado do amor ou do bem; com efeito, a vida do homem é seu amor, como foi mostrado acima, e sua vida é conforme êle elevou suas afeições pelos veros, isto é, conforme pela sabedoria êle aperfeiçoou as afeições; pois as afeições do amor são elevadas e aperfeiçoadas pelos veros, assim pela sabedoria; e então o amor age conjuntamente com ela como por ela, mas êle age por si por ela, como por sua própria forma, que nada tira do entendimento abso-lutamente, mas tira tudo de uma determinação do amor, a qual é cha-mada afeição.

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