DIVPROV &74

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. (ii.) Tudo o que o homem faz pelo livre, seja ou não da razão, contanto que seja segundo a sua razão, lhe parece como seu. O que é a racionalidade e o que é a liberdade, que são próprias do homem, não pode ser conhecido mais claramente do que por uma comparação dos homens com as bestas, porque estas não têm racionalidade alguma, ou faculdade de entender, nem liberdade alguma, ou faculdade de livremente querer, e por isso tão têm entendimento e vontade, mas, em lugar do entendimento, uma ciência, e em lugar da vontade, uma afeição, uma e outra naturais. E como não têm essas duas faculdades, não têm, por conseguinte, pensamento, mas em lugar do pensamento uma visão interna que faz um com a visão externa neles pela correspondência.
[2] Cada afeição tem seu par, como um casamento; a afeição do amor natural tem a ciência, a afeição do amor espiritual tem a inteligência e a afeição do amor celeste tem a sabedoria, pois a afeição sem seu par é como o ser sem o seu existir e como a substância sem a forma, às quais nada se pode atribuir. Por isso é que tudo que é criado tem em si algo que pode ser relacionado ao casamento do bem e do vero, como se mostrou muitas vezes anteriormente. Nas bestas existe o casamento das afeições e da ciência; a afeição nelas pertence ao bem natural e a ciência pertence ao vero natural.
[3] Ora, como a afeição e a ciência nelas agem inteiramente como uma só coisa, e sua afeição não pode ser elevada acima de sua ciência, tampouco a ciência acima da afeição - se elevadas, ambas são elevadas ao mesmo tempo - e como elas não têm uma mente espiritual na qual ou em cuja luz e calor possam ser elevadas, por isso não possuem a faculdade de entender ou a racionalidade, nem a faculdade de querer livremente ou a liberdade, mas uma mera afeição natural com sua ciência. A afeição natural que elas têm é a afeição de se nutrir, habitar, proliferar, de fugir do que lhes é danoso e tê-lo em aversão, com toda ciência necessária. Como assim é o estado de suas vidas, não podem pensar: "Quero isso e não quero aquilo, sei isso e não sei aquilo", e ainda menos: "Entendo isso e isso amo", mas são levadas por sua afeição por meio da ciência, sem racionalidade e sem liberdade. Que sejam assim levadas, isso não vem do mundo natural, mas do espiritual, pois nada existe no mundo natural sem conexão com o mundo espiritual. Toda causa que produz um efeito vem dali. Algumas coisas sobre esse assunto serão vistas também abaixo (n° 96).

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