DIVPROV &79

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. Foi dito que aquilo que o homem faz pelo livre segundo seu pensamento também permanece, porque nada daquilo de que o homem se apropria pode ser erradicado, pois se tornou de seu amor e ao mesmo tempo de sua razão, ou de sua vontade e ao mesmo tempo de seu entendimento, assim, de sua vida. Isso pode, de fato, ser afastado, mas não rejeitado; e quando é afastado, é transferido como do centro para as periferias e ali fica. É isso que se entende por permanecer.
[2] Por exemplo: Se na meninice e na adolescência o homem se apropriou de algum mal, praticando-o pelo prazer de seu amor, como se tiver fraudado, blasfemado, cometido vingança e devassidão, então, porque os fez pelo livre segundo a razão, também se apropriou disso. Mas, se depois pratica a penitência, foge dessas coisas e as considera como pecados de que se deve ter aversão, e assim, pelo livre segundo a razão, desiste delas, então são-lhe apropriados bens que são opostos a esses males. Esses bens então fazem o centro e removem os males para as periferias, cada vez mais segundo a aversão e a abstenção deles. Entretanto, eles não podem ser rejeitados a ponto de se dizer que foram extirpados. Todavia, por sua remoção parecem como se tivessem sido extirpados, o que acontece porque o homem é desviado dos males e mantido nos bens pelo Senhor. Assim acontece com todo mal hereditário, e é semelhante em relação a todo mal ativo do homem.
[3] Isto vi também, por experiência, ser comprovado em muitos no céu, os quais, por serem mantidos nos bens pelo Senhor, achavam-se isentos de males. Mas, para que não cressem que o bem em que estavam era propriamente deles, foram tirados do céu e repostos em seus males até reconhecerem que estavam por si mesmos nos males mas nos bens pelo Senhor. Depois desse reconhecimento foram reconduzidos ao céu.
[4] Saiba-se, pois, que esses bens não são apropriados ao homem de outro modo senão como constantemente do Senhor com o homem; e quanto mais o homem reconhece isso, mais o Senhor concede que o bem pareça ao homem como seu, isto é, que pareça ao homem que ama ao próximo e tem caridade como por si, crê ou tem fé como por si, faz o bem e entende o vero, assim, sabe como por si. Por esses pontos esclarecidos pode-se ver qual é e quão forte é a aparência na qual o Senhor quer que o homem esteja. E o Senhor quer isso por causa da salvação do homem, pois ninguém pode ser salvo sem essa aparência. Sobre isso, também, vide as coisas mostradas acima (n° 42-45).

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