. Não é apropriada ao homem coisa alguma do que ele somente pensa, nem mesmo do que ele pensa querer, a não ser que ao mesmo tempo o queira igualmente e, também, quando tem oportunidade, o faça. A razão disso é que, quando o homem faz assim, ele o faz pela vontade por meio do entendimento, ou pela afeição da vontade por meio do pensamento do entendimento. Mas, enquanto está somente no pensamento, isso não lhe é apropriado, porque o entendimento não se conjunta à vontade, ou seja, o pensamento do entendimento não se conjunta à afeição da vontade, mas é a vontade e sua afeição que se conjuntam ao entendimento e seu pensamento, como foi mostrado muitas vezes no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria, na Quinta Parte. Isto é o que se entende por estas palavras do Senhor:
"O que entra na boca não faz o homem impuro, mas o que" desde o coração "sai da boca, isso faz o homem impuro" (Mt. 15:11, 17, 18, 19);
pela 'boca', no sentido espiritual, entende-se o pensamento, visto que o pensamento fala pela boca; e pelo 'coração' nesse sentido se entende a afeição que pertence ao amor. Se o homem pensa e fala por essa afeição, então se torna imundo. Pelo 'coração' também é significada a afeição que pertence ao amor ou vontade, e pela 'boca' o pensamento que é do entendimento, em Lucas (6:45).
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