. Nos tratados acima citados também se demonstrou que o amor da vida produz de si amores subalternos, que se chamam afeições, e que essas são exteriores e interiores. Tomadas em conjunto, elas constituem um único domínio ou reino, por assim dizer, no qual o amor da vida é o senhor ou rei. Também se demonstrou que esses amores subalternos ou afeições adjuntam a si consortes, cada um com o seu; as afeições interiores adjuntam a si consortes que se chamam percepções, e as afeições exteriores, consortes que se chamam pensamentos; e cada um habita com seu consorte e desempenha as funções de sua vida. E a conjunção de um e outro é tal como a conjunção do Ser da vida com o Existir da vida, que é tal que um não é coisa alguma a menos que esteja ao mesmo tempo com o outro. Pois o que é o Ser da vida, a menos que exista? E o que é o Existir da vida se não provir do Ser da vida? Além disso, a conjunção da vida é tal como é a do som com a harmonia, também do som com a linguagem e, em geral, como é a do batimento do coração com a respiração do pulmão. Essa conjunção é tal que um não é coisa alguma sem o outro; mas um, pela conjunção com o outro, torna-se alguma coisa. As conjunções devem estar nelas ou serem feitas por elas. Seja, por exemplo, o som: engana-se quem pensa que o som é alguma coisa sem que nele haja aquilo que o distingue; o som também corresponde à afeição no homem, e como nele sempre há alguma coisa que o distingue, por isso pelo som da fala de um homem se conhece a afeição de seu amor, e por sua variação, que é da linguagem, o seu pensamento. Por isso é que os anjos mais sábios percebem pelo som de quem fala o amor de sua vida, ao mesmo tempo que algumas afeições, que são suas derivações. Estas coisas foram ditas para que se saiba que não existe afeição sem seu pensamento, nem pensamento sem sua afeição. Mas, a esse respeito, vide muitas coisas acima, neste tratado, e no Sabedoria Angélica sobre o Divino Amor e a Divina Sabedoria.
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