. (iv.) O adorador de si mesmo e da natureza se confirma contra a Divina Providência quando pensa, segundo sua percepção, que as vitórias estão do lado da prudência e nem sempre do lado da justiça, e que pouco importa se o comandante é probo ou sem probidade. A razão por que se vê que as vitórias estão do lado da prudência e nem sempre do lado da justiça é porque o homem julga pela aparência e favorece o lado de um mais do que o de outro, e pelos raciocínios pode confirmar aquilo que ele favorece. Não sabe que a causa da justiça está no céu espiritual e no mundo natural, como há pouco se disse, acima, e que ambos estão conjuntos pela ligação das coisas passadas e futuras ao mesmo tempo, as quais são conhecidas somente pelo Senhor.
[2] Que pouco importe se o comandante é probo ou sem probidade, é pela causa que foi confirmada acima (n° 250), a saber, que os maus e os bons prestam igualmente usos, e os maus por seu próprio ardor, mais inflamado do que o dos bons. Isto ocorre principalmente nas guerras, porque os maus são mais hábeis e mais astutos do que os bons em maquinar dolos e, pelo amor da glória, na cobiça de matar e de depredar os que reconhece e declara como inimigos. Os bons estão somente na prudência e no zelo de proteger e raramente em alguma prudência e zelo para invadir. Isto é semelhante aos espíritos do inferno e aos anjos do céu; os espíritos do inferno agridem e os anjos do céu protegem. Daí se conclui que é permitido a cada um proteger sua pátria e seus companheiros contra inimigos invasores, até por meio de comandantes maus, mas que não é permitido fazer-se inimigo sem razão. A razão de fazê-lo somente por causa da glória é em si mesma diabólica, pois é o amor de si.
Versão Impressa
Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.