. Que tudo o que é confirmado pela vontade e ao mesmo tempo pelo entendimento permaneça pela eternidade é porque cada um é o seu amor, e o amor é a sua vontade. É, também, porque cada homem é o seu bem ou o seu mal, pois se chama bem tudo o que é do amor, do mesmo modo que o mal. Como o homem é o seu amor, é também a forma de seu amor, e pode ser chamado o órgão do amor de sua vida. Acima (n° 279) se disse que as afeições do amor e, daí, os pensamentos do homem, são mudanças e variações do estado e da forma das substâncias orgânicas de sua mente. Agora se dirá o que são e quais são essas mudanças e variações. Pode-se ter uma idéia delas pelo coração e pelo pulmão, nos quais há expansões e compressões, ou dilatações e contrações alternadas, as quais se chamam sístoles e diástoles no coração e respirações no pulmão. São extensões e retenções ou expansões e encolhimentos recíprocos de seus lóbulos. Estas são as mudanças e variações de estado do coração e do pulmão. Há ocorrências semelhantes nas demais vísceras do corpo e também semelhantes em suas partes, pelas quais o sangue e a seiva animal são recebidos e passados adiante.
[2] Há semelhantes ocorrências também nas formas orgânicas da mente, que são os sujeitos das afeições e dos pensamentos do homem, como acima se mostrou, com a diferença de que suas expansões e compressões ou reciprocações são relativamente de uma perfeição tão superior que não pode ser expressa por palavras da língua natural, mas somente por palavras da língua espiritual, as quais não podem ser reproduzidas senão como involuções e evoluções espiralares, segundo a maneira das hélices perpétuas e inflexas, admiravelmente ligadas nas formas receptivas de vida.
[3] Mas agora se dirá como são essas substâncias e formas puramente orgânicas nos maus e como elas são nos bons. Nos bons, essas espirais são voltadas para a frente, mas, nos maus, para trás; e as espirais voltadas para a frente estão voltadas para Senhor e d'Ele recebem o influxo, enquanto as espirais voltadas para trás são voltadas para o inferno e dali recebem o influxo. Cumpre saber que quanto mais são voltadas para trás, mais são abertas por trás e fechadas na face; e, vice-versa, quanto mais são voltadas para a frente, mais são abertas na face e fechadas por trás.
[4] Por aí se pode ver que forma ou que órgão é um homem mau, e que forma ou que órgão é um homem bom, ou seja, são voltados em sentido contrário. E como o sentido, uma vez fixado, não pode ser revertido, é evidente que, do modo como é quando morre, assim permanece pela eternidade. É o amor da vontade do homem que faz esse sentido, ou o converte e inverte, pois, como se disse acima, cada homem é o seu amor. Assim é que cada um, após a morte, segue o caminho de seu amor: para o céu o que está num amor bom e para o inferno o que está num amor mau, e não repousa senão na sociedade onde está seu amor reinante. E, o que é admirável, cada um conhece o caminho. É como se o farejasse pelas narinas.
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