DWIS &2

Da Divina Sabedoria
Emanuel Swedenborg
Tratado sobre a Natureza e Manifestacao da Divina Sabedoria

. [70.] II. Que o Senhor tenha criado no homem e, depois, formado nele um receptáculo do amor, que é sua vontade, e a este adjunta o receptáculo da sabedoria, que é o seu entendimento.
Visto que há duas coisas no Senhor, e essas duas procedem d’Ele, [a saber], o amor e a sabedoria, e visto que o homem foi criado para ser imagem e semelhança d’Ele, semelhança pelo amor e imagem pela sabedoria, por isso foram criados no homem os dois receptáculos, um para o amor e o outro para a sabedoria. O receptáculo do amor é o que se chama vontade, e o receptáculo da sabedoria é o que se chama entendimento. O homem sabe que há esses dois nele, mas não sabe que esses são tão conjuntos como o são no Senhor, com a diferença de que no Senhor eles são a Vida, enquanto no homem são receptáculos da vida. Quais são as formas desses dois não se pode explicar, porque são formas espirituais, e as coisas espirituais são transcendentes. Há formas dentro de formas, ascendentes ao terceiro grau, inumeráveis, discretas, mas, no entanto, unânimes, e cada uma delas é receptáculo do amor e da sabedoria. São originárias dos cérebros, e aí nos inícios e cabeças das fibras, pelas quais espalham seus esforços e forças a todas as coisas do corpo, superiores e inferiores, e se apresentam nos órgãos sensoriais os sentidos, nos órgãos motores os movimentos e nas demais funções da nutrição, da produção do quilo, da produção do sangue, da separação, da purificação e da proliferação, assim, em cada um de seus usos. Feitas essas premissas, ver-se-á
(1.) Que essas formas, que são receptáculos do amor e da sabedoria, existem no homem logo que é concebido e nasce, no útero.
(2.) Que delas, pelo contínuo, são criadas e são produzidas todas as coisas do corpo, da cabeça até às plantas dos pés.
(3.) Que essas produções acontecem segundo as leis da correspondência, e, por isso, todas as coisas do corpo, internas e externas, são correspondências.
[71.] [Seção II. 1(2)]
(1.) Que essas formas, que são receptáculos do amor e da sabedoria, passem a existir no homem logo que é concebido e nasce, no útero. Que essas formas, que são receptáculos do amor e da sabedoria, passem a existir no homem logo que é concebido e nasce, no útero, pode-se ver pela experiência e se confirmar pela razão. Pela experiência: Desde os primeiros começos dos embriões nos úteros, após ser concebido, e também pelos começos dos pintos nos ovos, após a incubação. As primeiras formas mesmas não aparecem ao olho, mas as primeiras produções deles, que fazem a cabeça. Sabe-se que ela é maior no princípio e, também, que dela se lança a teia para todas as coisas no corpo, pelo que se vê que essas formas são os inícios. Pela razão: Que toda criação venha do Senhor como Sol, que é o Divino Amor e a Divina Sabedoria, e deste vem a criação do homem. A formação do embrião e do homem infante no útero é uma espécie de criação e se chama geração, porque por transferência (traducem). Segue-se daí que as primeiras formas, principalmente no homem, são receptáculos do amor e da sabedoria, e a criação das demais coisas que constituem o homem se faz por meio delas. Além disso, nenhum efeito existe por si, mas por uma causa anterior a si, causa essa que se chama eficiente. E nem esta se faz por si, mas por uma causa que se chama fim, na qual está tudo o que se segue no esforço e na ideia – no esforço, no Divino amor, e na ideia, na Divina Sabedoria, que são os fins dos fins. Esta verdade será vista mais plenamente na sequência.
[2] [72.] [Seção II. 2 (3)]
(2.) Que dessas formas, pelo contínuo, sejam criadas e produzidas todas as coisas do corpo, desde a cabeça até as plantas dos pés. Que dessas formas, pelo contínuo, sejam criadas e produzidas todas as coisas do corpo, desde a cabeça até as plantas dos pés, pode-se ver também pela experiência e se confirmar pela razão. Pela experiência: Que dessas formas primitivas sejam criadas as fibras e os órgãos sensores da face, que se chamam olhos, ouvidos, narina e língua; depois, os órgãos motores de todo o corpo, que se chamam músculos, igualmente a todas as vísceras organizadas para servirem aos vários usos no corpo. Todas estas e aquelas são meras contexturas de fibras e nervos, fluindo de ambos, o cérebro e a medula espinhal. Os vasos sanguíneos mesmos, pelos quais se fazem juntamente as contexturas, são, também, das fibras e oriundas daí. Qualquer um perito em anatomia pode ver que ao redor do cérebro, como também dentro dele, e no cerebelo e na medula espinhal, há esférulas como que de moléculas, chamadas substâncias e glândulas cortinais e cinerícias; e que todas as fibras, quaisquer que sejam nos cérebros, e todos os nervos originários deles, quaisquer que sejam no corpo, saem e procedem dessas esférulas ou substâncias. Estas são as formas iniciais, das quais são criadas e produzidas todas as coisas do corpo, desde a cabeça até a planta dos pés. Pela razão: Que as fibras não possam existir sem as origens, e que os orgânicos do copo, produzidos pelas fibras variavelmente dispostas (complicatis), sejam efeitos que não podem por si mesmos viver, sentir e mover, mas por suas origens, pelo contínuo. Sejam, para ilustrações, estes exemplos: o olho não vê por si, mas pelo contínuo do entendimento; o entendimento vê pelo olho, e também move o olho, determina-o para os objetos e direciona a vista. Tampouco o ouvido ouve por si, mas pelo contínuo do entendimento; o entendimento ouve pelo ouvido e também o determina, aguça e direciona-o para os sons. Nem a língua fala por si mesma, mas pelo pensamento do entendimento; o pensamento fala pela língua, varia os sons e eleva as modulações à sua vontade. Igualmente em relação aos músculos; eles não se movem por si, mas a vontade unida ao entendimento os move e os põe em ação ao seu bel prazer. Por esses exemplos é evidente que nada no corpo sente ou se move por si, mas por suas origens, nas quais residem o entendimento e a vontade, conseqüentemente, que no homem são os receptáculos do amor e da sabedoria. Também, que essas são as primeiras formas, e os órgãos, tanto os sensoriais quanto os motores, são formados por eles, pois segundo a formação se dá o influxo, que não existe por estes naqueles, mas por aqueles nestes. Com efeito, o influxo espiritual daqueles nestes é o influxo espiritual, e o influxo destes naqueles é o influxo natural, que também se chama influxo físico.
[3] [73.] [Seção II. 3 (4)]
3. Que essas produções se façam segundo as leis da correspondência, e que por isso todas as coisas do corpo, internas e externas, sejam correspondências. Até hoje se ignorou no mundo o que é a correspondência, pelo fato de se ter ignorado o que é o espiritual, e a correspondência é entre o natural e o espiritual; existe correspondência entre estes quando alguma coisa do espiritual como origem e causa se torna visível e perceptível aos sentidos. Existe tal correspondência entre as coisas espirituais e as naturais no homem. As espirituais são todas as coisas que são de seu amor e de sua sabedoria, consequentemente, de sua vontade e de seu entendimento, e as naturais são todas as coisas que são de seu corpo. Como estas tiveram existência por aquelas, e perpetuamente existem, isto é, subsistem, são correspondências, e por isso agem em comum como fim, causa e efeito. Por conseguinte, a face age em união com as afeições da mente, a linguagem com o pensamento e as ações de todos os membros com a vontade, do mesmo modo que as demais coisas. A lei universal das correspondências é que o espiritual se adapte ao uso que é seu fim e atue no uso e o modifique pelo calor e pela luz, e o revista pelos meios providos, até que haja uma forma que sirva ao fim. Nessa forma o espiritual atua o fim, o uso a causa, e o natural o efeito, mas no mundo espiritual o substancial está em lugar do natural. Tais formas são todas as coisas que estão no homem. Mais explicações a respeito da correspondência se veem na obra O Céu e o Inferno (n. 87-102 e 103-115); e da correspondência da face e de seu semblante com as afeições da mente (n. 1568, 2988, 2989, 3631, 4796, 4797, 4800, 5165, 5168, 5695 e 9306); da correspondência do corpo, quanto aos seus gestos e ações, com os intelectuais e voluntários (n. 2988, 3632 e 4215); da correspondência dos sentidos em geral (n. 4318-4330); da correspondência dos olhos e de sua visão (n. 4403-4420); da correspondência das narinas e do odor (n. 4624-4634); da correspondência dos ouvidos e da audição (n. 4652-4660); da correspondência da língua e do paladar (n. 4791-4805); da correspondência das mãos, dos braços, dos ombros e dos pés (n. 4931-4953); da correspondência dos lombos e dos membros de geração (n. 5050-5062); da correspondência das vísceras interiores do corpo, em especial do ventrículo, do timo, do depósito e do duto biliar (n. 5171-5189); da correspondência do baço (n. 9698); da correspondência do peritônio, dos rins e da vesícula (n. 5377-5396); da correspondência da pele e dos ossos (n. 5552-5573); da correspondência da cartilagem xifoide (n. 9236); da correspondência da memória das coisas abstratas (n. 6808); da correspondência da memória das coisas materiais (n. 7253); da correspondência do céu com o homem (n. 911, 1900, 1928, 2996, 2998, 3624, 3636-3643, 3741-3745, 3884, 4041, 4279, 4523, 4524, 4625, 6013, 6057, 9279 e 9632); que a ciência das correspondências entre os antigos tenha sido a ciência das ciências, principalmente entre os orientais, mas que hoje esteja esquecida (n. 3021, 3419, 3472-3485, 4280, 4749, 4844, 4964, 4965, 5702, 6004, 6692, 7097, 7729, 7779, 9391, 10252 e 10407); que sem a ciência das correspondências a Palavra não seja entendida ( n. 2870-2893, 2987-3003, 3213-3227, 3472-3485, 8615 e 10687); que todas as coisas que aparecem nos céus sejam correspondências (n. 1521, 1532, 1619-1625, 1807, 1809, 1971, 1974, 1977, 1980, 1981, 2299 2601, 3213-3226, 3348, 3350, 3475, 3485, 3745, 9481, 9575, 9576 e 9577); que todas as coisas que há no mundo natural e em seus três reinos correspondam a todas as coisas que há no mundo espiritual (n. 1632, 1881, 2758, 2890-2893, 2987-3003, 3213-3227, 3483, 3624-3649, 4044, 4053, 4116, 4366, 4939, 5116, 5377, 5428, 5477, 8211 e 9280). Além destas, nos Arcanos Celestes tratou-se da correspondência do sentido natural da Palavra, que é o seu sentido da letra, com os espirituais, que pertencem ao amor e à sabedoria nos céus oriundos do Senhor, que fazem o seu sentido interno. Verás essa correspondência também confirmada na Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Santa (n. 5-26, e posteriormente, n. 27-69). Para que se tenha uma ideia da correspondência da vontade e do entendimento sejam consultadas também as coisas que foram ditas acima (n. 366 e 367).

1. Que essas formas, que sao os receptaculos do amor e da sabedoria, existam primeiramente no homem concebido e nascente no utero.

2. Que por essas formas, por um continuo, sejam criadas e produzidas todas as coisas do corpo, da cabeca a planta do pe.

3. Que essas producoes se facam segundo as leis da correspondencia, e que, por isso, todas as coisas do corpo, internas e externas, sejam correspondencias.

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