. [84.] IV. Que haja similitude e analogia entre a formação do homem no útero e sua reforma e regeneração.
A reforma do homem é inteiramente semelhante à sua formação no útero, com a única diferença de que o homem que está sendo reformado tem vontade e entendimento, e, quando no útero, ele não tem vontade e entendimento, mas essa diferença não impede que haja semelhança e analogia. Com efeito, quando o Senhor reforma e regenera o homem, ele conduz semelhantemente sua vontade e seu entendimento, mas, pela vontade e pelo entendimento que lhe são dados, parece ao homem que ele mesmo se conduz, isto é, que ele quer e faz por si mesmo, e que por si mesmo pensa e fala, mas sabe pela Palavra e pela doutrina da Palavra que não o faz por si mesmo, mas pelo Senhor, por conseguinte, que isto é somente uma aparência. E ele também pode saber que essa aparência é por causa da recepção e da apropriação, pois sem ela não existe o recíproco, que ele ame o Senhor assim como o Senhor o ama, ame o próximo como a si mesmo e creia no Senhor como por si. Sem esse recíproco o homem seria como um autômato no qual o Senhor não poderia estar, pois o Senhor quer ser amado, pelo que dá ao homem querer isto. Por isto é evidente que o homem não tem vontade nem entendimento, e que este e aquela são em si mesmos como foram nele no útero, a saber, não foram do homem, e que essas duas faculdades foram dadas ao homem para que ele queira, pense, faça e fale como por si, mas saiba, entenda e creia, todavia, que isto não vem dele mesmo. Por esse modo o homem é reformado e regenerado, e na vontade recebe o amor e no entendimento, a sabedoria, pelos quais também foi formado no útero.
[2] Também por esse modo são abertos ao homem os dois graus superiores de sua vida, os quais, como foi dito acima, foram os habitáculos do Senhor na formação do homem. E é reformado, também, o grau mais baixo, que foi invertido e virado para trás, conforme foi dito acima. Por esta analogia e semelhança é evidente que o homem que é regenerado é, por assim dizer, de novo concebido, formado, nasce e cresce, e isto a fim de que se torne uma similitude do Senhor quanto ao amor e imagem do Senhor quanto à sabedoria. E, se quiseres crer, o homem também se torna novo por este meio, não somente quanto à nova vontade que lhe é dada, e ao novo entendimento, mas também novo quanto ao corpo de seu espírito. As coisas anteriores não são abolidas, mas removidas, para que não apareçam, e novas coisas são formadas como que em um útero pelo amor e pela sabedoria, que são o Senhor, porque qual é a vontade e o entendimento do homem, tal é também o homem em todas e cada uma das coisas, pois todas e cada uma das coisas do homem, da cabeça ao calcanhar, são produções, como também foi confirmado acima.
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