DWIS &5

Da Divina Sabedoria
Emanuel Swedenborg
Tratado sobre a Natureza e Manifestacao da Divina Sabedoria

. [85.] V. Que no homem, após o parto, a vontade se torne receptáculo do amor, e o entendimento receptáculo da sabedoria. Sabe-se que no homem há duas faculdades da vida, a vontade e o entendimento, pois o homem pode querer e pode entender, e pode mesmo entender o que não quer, pelo que é evidente que a vontade e o entendimento são duas coisas distintas no homem, e que a vontade é o receptáculo do amor e o entendimento receptáculo da sabedoria. Por aí é evidente que o amor pertence à vontade, pois aquilo que o homem ama, isto ele também quer; e que a sabedoria pertence ao entendimento, pois aquilo que o homem sabe ou conhece, isto o seu entendimento vê. A visão do entendimento é o pensamento. Essas duas faculdades não pertencem ao homem enquanto ele está no útero. Que nada, absolutamente, da vontade e do entendimento do feto tenha existido em sua formação, foi confirmado acima. Disto se segue que o Senhor preparou dois receptáculos, um para a vontade do futuro homem e outro para o seu entendimento; o receptáculo que se chama vontade, para a recepção do amor, e o receptáculo que se chama entendimento, para a recepção da sabedoria; e Ele os preparou por Seu amor e por Sua sabedoria, mas esses dois não passaram para o homem antes de ele ser plenamente formado para o parto. O Senhor também proveu meios para que nesses dois receptáculos o amor e a sabedoria oriundos d’Ele sejam recebidos cada vez mais plenamente à medida que o homem amadurece e envelhece.
[2] [86.] Que a vontade e o entendimento sejam chamados receptáculos é porque não é algum espiritual abstrato, mas um sujeito das substâncias, e formado para a recepção do amor oriundo do Senhor; e o entendimento não é algum espiritual abstrato, mas um sujeito das substâncias, e formado para a recepção da sabedoria oriunda do Senhor. Com efeito, eles existem realmente. Embora ocultos à vista, eles estão dentro das substâncias que constituem o córtex cerebral, e também em várias partes na substância medular do cérebro, principalmente nos corpóreos estriados ali, e também dentro da substância medular do cerebelo e na medula espinhal, cujo núcleo eles formam. Por conseguinte, não são dois, mas inúmeros receptáculos, e cada um deles geminado e também de três graus, como foi dito acima.
[3] Que eles sejam receptáculos e estejam ali é claramente evidente pelo fato de serem os princípios e as cabeças de todas as fibras de que todo o corpo é entretecido, e das fibras daí estendidas são formados todos os órgãos do sentido e do movimento, pois são os seus inícios e fins. Os órgãos sensoriais sentem e os órgãos motores se movem unicamente pelo fato de saírem e continuarem dos habitáculos da vontade e do entendimento. Nas crianças, esses receptáculos são muito pequenos e tênues; depois eles aumentam e se aperfeiçoam segundo os conhecimentos e as afeições destes, são integrados segundo a inteligência e o amor dos usos, amolecem segundo a inocência e o amor ao Senhor e se solidificam e endurecem pelos opostos. As suas mudanças de estado são as afeições, as variações de suas formas são os pensamentos, a existência e a permanência destes e daquelas são a memória e a reprodução delas é a lembrança. Ambas, tomadas juntamente, são a mente humana.

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