. Visto que o homem pode, na forma externa, viver como os outros, pode enriquecer-se, banquetear-se, habitar e vestir-se esplendidamente segundo sua condição e função, bem como fruir de prazeres e alegrias e ocupar-se de coisas mundanas por causa dos ofícios e negócios e por causa da vida do espírito e do corpo, contanto que interiormente reconheça o Divino e queira bem ao próximo, é evidente que não é tão difícil, como muitos crêem, seguir o caminho do céu. A única dificuldade é poder resistir ao amor de si e do mundo e impedir que estes predominem, pois daí procedem todos os males *236. Que não seja tão difícil como se crê, é o que se entende por estas palavras do Senhor:
“Aprendei de Mim, que Sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas; porque Meu jugo é suave e Meu fardo é leve” (Mat. 11:29, 30).
Que o jugo do Senhor seja suave e o fardo leve, é porque quanto mais o homem resiste aos males que se propagam do amor de si e do mundo, mais é conduzido pelo Senhor e não por si mesmo e o Senhor depois resiste os males pelo homem e os remove.
*236 Que do amor de si e do mundo procedam todos os males (n. 1307, 1308, 1321, 1594, 1691, 3413, 7255, 7376, 7490, 7488, 8318, 9335, 9348, 10038, 10742), que são o desprezo pelos outros, as inimizades, os ódios, as vinganças, as violências e o dolo (n. 6667, 7370, 7371, 7372, 7373, 7374, 9348, 10038, 10742). Que o homem nasça nesses amores; portanto, que esteja neles pelo seu mal hereditário (n. 694, 4317, 5660).