- VII. O sol do mundo natural é puro fogo, e por esse sol a natureza do mundo tem existido e subsistido.
9. A natureza e seu mundo, pelos quais se entendem as atmosferas e as terras que se chamam planetas, entre as quais está o globo terráqueo sobre o qual habitamos, e também todas e cada uma das coisas que adornam a sua superfície todos os anos, subsistem, todas elas, unicamente pelo sol que faz o seu centro, pelos raios de sua luz e pelas tempéries de seu calor em toda parte onde está presente. Isto qualquer um sabe com certeza pelo exame pessoal, pela noção dos sentidos e pelos escritos a respeito de sua habitação. E visto que a perpétua subsistência vem daí, a razão pode concluir também com certeza que a existência também vem daí, pois o perpétuo subsistir é o perpétuo existir tal como existe. Disto se segue que o mundo natural foi criado por JEHOVAH Deus por meio desse sol secundário.
[2] Que as coisas espirituais e as naturais sejam inteiramente distintas entre si, e que a origem e a sustentação espiritual venham do Sol que é puro amor, em cujo meio está JEHOVAH Deus, o Criador e Sustentador do universo, é o que foi demonstrado até aqui. Que, porém, a origem e a sustentação das coisas naturais seja o sol que é puro fogo, e que esse sol venha daquele, e ambos de Deus, segue-se por si, como o posterior segue do anterior e o anterior** do Primeiro.
[3] Que o sol da natureza e de seus mundos seja puro fogo, todos os seus efeitos demonstram, como a concentração de seus raios no foco de um artefato óptico, do qual o fogo se produz com ardente veemência e também a chama. A qualidade de seu calor é semelhante ao calor do fogo elementar, e a graduação desse calor é segundo a incidência, donde procedem os climas e também as quatro estações do ano, além de muitas outras coisas pelas quais a razão por confirmar por meio dos sentidos do seu corpo que o sol do mundo natural é mero fogo, e também que é o fogo em sua pureza mesma.
[4] Aqueles que nada sabem a respeito da origem das coisas espirituais de seu Sol, mas somente a respeito da origem das naturais do seu, dificilmente podem deixar de confundir as coisas espirituais com as naturais e concluir ,pelas falácias dos sentidos e pelos raciocínios daí, que as espirituais não passam de naturais mais puras, e que da atividade delas excitada pela luz e pelo calor surgem a sabedoria e o amor. Esses, porque não vêem com os olhos outra coisa, nem percebem com as narinas outra coisas, nem respiram com o peito outra coisa senão a natureza, por isso a ela atribuem todas as coisas, mesmo as racionais, e assim se imbuem do naturalismo tal como a esponja absorve a água. Mas eles podem ser comparados a carroceiros que atrelam parelhas de cavalos atrás e não na frente do carro.
[5] É diferente com aqueles que fazem distinção entre as coisas espirituais e as naturais, e estas deduzem daqueles. Esses também percebem que o influxo da alma no corpo é espiritual, e que as coisas naturais, que pertencem ao corpo, servem à alma de veículos e meios para produzir no mundo natural os seus efeitos. Se tu concluis diferentemente, podes ser assemelhado ao caranguejo, que anda avançando pela cauda gradativamente e volta os olhos para trás segundo a progressão. E tua visão racional pode ser comparada à visão dos olhos de Argos, no occipício, estando dormentes os olhos do rosto. Esses até se crêem Argos quando raciocinam, pois dizem: "Quem não vê a origem do universo na natureza? E, então, o que é Deus senão a extensão íntima da natureza?" E semelhantes irracionalidades, com as quais se gloriam mais do que os sábios com as coisas racionais.