- VI. SE NAO HOUVESSE UM úNICO DEUS, 0 UNIVERSO NAO TERIA PODIDO SER CRIADO NEM SER CONSERVADO.
Se da criação do Universo se pode concluir a unidade de Deus é porque o Universo é uma obra coerente como um desde os primeiros até aos últimos e depende de um único Deus, como o corpo depende de sua alma; o Universo foi criado a fim de que Deus pudesse estar onipresente, manter sob seu auspicio tôdas e cada uma das cousas que o compõem, e sustentá-lo perpètuamente como um, o que é conservar. E' por isso também que Jehovah Deus disse que Êle é o "Primeiro e o último, o Começo e o Fim, o Alfa e o Ômega" (Isaías XLIV, 6 e Apoc. 1, 8 e 17); e em outro lugar: "Que Êle fêz tôdas as coisas; que Êle desdobra os Céus e estende a Terra por si mesmo" (Isaías XLIV, 24). Este grande sistema que se chama Universo, é uma obra coerente como um desde os primeiros até aos últimos, porque Deus criando-o teve em vista um único Fim, que era o Céu angélico formado do Gênero Humano; e os Meios para esse fim são tôdas as cousas de que o Mundo se compõe pois quem quer fim quer também os meios; aquêle portanto que contempla Mundo como uma Obra que contém os meios para este fim, pode contemplar o Universo criado como uma obra coerente como um, e pode ver que o Mundo é um encadeamento de usos de ordem sucessiva para o Gênero Humano, de que se forma o Céu Angélico; o Divino Amor não pode ter em vista um outro fim que não seja a Beatitude eterna dos homens decorrente do Seu Divino, e Sua Divina Sabedoria não pode produzir outra cousa que não seja usos e meios para êste fim. Examinando o Mundo nesta idéia universal, todo homem sábio pode compreender que o Criador do Universo é um, e que Sua Essência é o Amor e a Sabedoria; e por isso que não existe no mundo um singular no qual não haja escondido, de perto ou de longe, um uso para o homem, seja para sua alimentação pelos frutos da terra e também pelos animais, seja para sua vestimenta por estas mesmas cousas. E, como foi dito, está no número das maravilhas que êstes insignificantes insetos, que se chamam Bichos da seda, forneçam vestimentas e decorem com magnificência, as mulheres e os homens, desde as Rainhas e os Reis até às camareiras e aos criados; e que êstes outros insetos, que se chamam Abelhas, forneçam a cera para a luz que enche de esplendor os Templos e os Palácios. Aquêles que examinam no Mundo por alguns objetos, isoladamente, e não o todo universalmente na série em que estão os fins, as causas médias e os efeitos, e que não deduzem que a Criação provém do Divino Amor pela Divina Sabedoria, não podem ver que, o Universo é Obra de um único Deus, nem que este Deus habita em cada um dos usos, porque Ele está nos fins. Com efeito quem está no fim está também nos meios; pois em todos os meios há Intimamente o fim, que põe em ação e dirige os meios. Aquêles que contemplam o Universo não como uma obra de Deus, nem como a habitação de Seu Amor e de Sua Sabedoria, mas como a Obra da Natureza e como a habitação do calor e da luz do sol, fecham os superiores de sua mente para Deus e abrem os inferiores de sua mente para o diabo, e por conseguinte despem o Humano e se revestem do bestial, e não sómente se acreditam semelhantes às bêstas, mas se tornam como tais; com efeito, se tomam raposas quanto à astúcia, lobos quanto à ferocidade, leopardos quanto à velhacaria, tigres quanto à crueldade, crocodilos, serpentes, mochos e corujas quanto à natureza destas bêstas. Os que são tais aparecem também de longe, no Mundo Espiritual, semelhantes a êsses animais; o amor do seu mal toma assim esta forma.
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