- II. DEUS É 0 BEM MESMO E 0 VERO MESMO, PORQUE 0 BEM PERTENCE AO AMOR, E 0 VERO A SABEDORIA.
E' Universalmente sabido que tôdas as cousas se referem ao bem e ao vero, índice de que tôdas as cousas existem pelo Amor e a Sabedoria; com efeito, tudo o que procede do Amor é chamado bem, pois isso é sentido; e o prazer pelo qual o Amor se manifesta é para cada um o bem; por outro lado, tudo o que procede da Sabedoria é chamado vero, pois a Sabedoria não consiste senão em veros e afeta seus objetos pelo encanto da luz e êste encanto, quando é percebido, é o vero procedendo do bem; também o Amor é o complexo de tôdas as bondades e a Sabedoria o complexo de tôdas as verdades; mas uns e outros vêm de Deus, que é o Amor mesmo e, por conseguinte, o Bem mesmo ,e também a Sabedoria mesma e, por conseguinte, o Vero mesmo. Daí vem que na Igreja há dois essenciais que são chamados Caridade e Fé, nas quais consistem tôdas as coisas da Igreja e que devem estar em tôdas e cada uma das cousas da Igreja; e isso porque os bens da Igreja pertencem à Caridade e são chamados Caridade, e todos os veros da Igreja pertencem à Fé e são chamados Fé; os prazeres do Amor que são também prazeres da Caridade fazem com que os prazeres sejam chamados bens; e os encantos da Sabedoria, que são também encantos da Fé, fazem -com que os encantos façam a vida dos bens e dos veres; sem a vida que daí provém os bens e os veros são como inanimados, e são também estéreis. Mas os Prazeres do amor são de dois gêneros, semelhantemente os Encantos que parecem pertencer à Sabedoria; a saber, os prazeres do amor do bem e os prazeres do amor do mal e, por conseguinte, os encantos da fé do vero e os encantos da fé do falso; estes dois prazeres do amor, nas pessoas em que estão por suas sensações, são chamados bens; e estes dois encantos da fé, por suas percepções são também chamados bens, mas como estão no entendimento não são outra coisa seUM veros; ainda que os dois gêneros sejam opostos entre si e que o bem de um dos amôres seja o bem e o bem do outro amor o mal, e que o vero de uma das fés seja o vero e o vero da outra fé o falso; mas o amor cujo prazer é essencialmente o bem é como o calor do Sol, frutificando, vivificando e operando em um humus fértil, em árvores de boa qualidade e em colheitas e fazendo do terreno onde opera, uma espécie de paraíso, de jardim de Jehovah e uma espécie de terra de Canaan; e o encanto do vero dêsse amor é como a luz do Sol na primavera e como a luz que influi em um vaso de cristal onde estão encerradas belas flores e de onde se exala um perfume suave quando é aberto; ao contrário, o prazer do amor do mal é como o calor do sol dessecando, sufocando e operando em um humus estéril e em árvores estéreis tais como espinheiros e sarças e faz do terreno onde opera, uma espécie de deserto da Arábia habitado por serpentes, hidras e dipsadas; e o encanto do falso dêsse amor é como a luz do sol no inverno e como a luz que influi em uma garrafa, onde estão vermes nadando no vinagre e répteis de um odor infecto. V preciso que se saiba que todo bem se forma por veros, se reveste dêles também e se distingue assim de um outro bem; é preciso ainda que se saiba que os bens de uma mesma origem se ligam em feixes e os cobrem com uma vestimenta e se distinguem assim dos outros; que as formações se façam desta maneira é o que se vê claramente por tudo que se passa em geral e em particular no Corpo humano; que a mesma coisa se faça na Mente humana isso é evidente pelo fato de haver uma correspondência perpétua de tôdas as coisas da mente com tôdas as coisas do corpo; daí resulta que a Mente humana foi organizada interiormente com substâncias espirituais e exteriormente com substâncias naturais; e enfim, com substâncias materiais; a Mente cujos prazeres do amor são bons consiste interiormente em substâncias espirituais como as que estão no-Céu, enquanto que a Mente cujos prazeres são males consiste interiormente em substâncias espirituais tais como as que estão no Inferno; e os males desta mente são ligados em feixes pelos falsos, como os bens da outra Mente são ligados em feixes pelos veros; pois que os bens e os males são ligados assim em feixes, eis porque o Senhor disse "que o joio deve ser reunido em feixes para ser queimado e que acontecerá o mesmo com os escândalos" (Mateus XIII, 30, 40, 41; João XV, 6).
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