VRC &280

A Verdadeira Religião Cristã
Emanuel Swedenborg
Contendo toda a teologia da Nova Igreja

- Quarto Memorável: Um dia vi, de longe, Passeios formados de aléas de árvores e aí, Jovens reunidos em grupos e cada um con conversava sobre coisas concernentes à sabedoria; era no Mundo espiritual; aproximei-me e quando cheguei perto, vi um que os o os veneravam como seu Primaz, em razão de ter ele mais sabedoria que todos os outros; quando êste me viu, disseme: Estou muito muito admirado; desde que te vi aproximando, ora caías sob minha vista, ora me escapavas, ou, de repente, não te via mais; certamente não estás no estado de vida dos nossos; a isso respondi sorrindo: Não sou nem um bufão, nem um vertumno, mas estou alternativamente, ora na vossa luz, ora na vossa sombra, por conseqüência, estrangeiro aqui e também indígena; então, este sábio me encarou e me disse: As tuas palavras são estranhas e surpreendentes; diz-me quem és; e eu disse: Estou no Mundo onde vós estivestes e de onde saístes, que é chamado Mundo Natural, eu estou também no Mundo onde estais, que é chamado Mundo Espiritual; daí vem que estou no estado Natural e, ao mesmo tempo, no estado Espiritual; no estado Natural com os homens da terra; e no estado Espiritual, convosco; e quando estou no estado natural, não sou visível para vós; mas quando estou no estado espiritual, torno-me visível; foi-me dado pelo Senhor ser assim; quanto a ti, Homem ilustrado, sabes que o homem do Mundo natural não vê o homem do Mundo espiritual e vice-versa; é por isso que, quando eu mergulhava meu Espírito no Corpo, não era visível por ti, mas quando o retirava do corpo, tornava-me visível; e isso vem da diferença entre o Espiritual e o Natural. Quando ouviu falar da diferença entre o Espiritual e o Natural, êle me disse: Qual é esta diferença? Não é como entre o que é mais puro e o que é menos puro, assim, o que é o Espiritual senão um Natural mais puro? E eu respondi: Tal não é a diferença; jamais o Natural pode por sutilizacao se aproximar do Espiritual a ponto de se tornar espiritual, pois
*** missing page 312***
preender que o pensamento Espiritual ultrapassa o pensamento natural, a a ponto de ser relativamente inefável, eu lhes disse: Fazei uma experiência; entrai em vossa Sociedade espiritual, pensai urna coisa qualquer, retende-la, voltai e a exprimi diante de mim; e eles entraram, pensaram, voltaram; e quando quiseram exprimir a cousa pensada, não puderam, pois não encontraram Idéia alguma do pensamento natural adequada a uma, idéia do pensamento espiritual, assim nenhuma palavra para exprimi-la, pás as' idéias do pensamento tornam-se palavras da língua; em seguida, entraram de novo, voltaram e se confirmaram. que as idéias espirituais eram sobrenaturais, inexprimíveis, Inefáveis incompreensíveis para o homem natural; e porque, são tão supereminentes, diziam que as idéias e os pensamentos espirituais, relativamente aos naturais, eram idéias de idéias e pensamentos de pensamento isso mesmo, exprimiam as qualidades das qualidades e as afeições das afeições; que, por Conseqüência, os Pensamentos espirituais eram os começos e as origens dos pensamentos naturais; por isso, tornou-se ainda evidente que a Sabedoria espiritual era a Sabedoria da sabedoria, por conseqüência, inexprimível para qualquer Sábio do Mundo Natural. Então foi dito do Céu superior, que há ainda uma Sabedoria interior ou superior, que é chamada Celeste, cuja relação, com a Sabedoria espiritual, é semelhante à relação desta com a Sabedoria natural; e que estas sabedorias, em ordem segundo os Céus, influem da Divina Sabedoria do Senhor, que é Infinita. Em seguida, o Sábio (Vir) que falava comigo me disse: Vejo isso, porque percebi que uma única idéia natural é o continente de um grande número de idéias espirituais; e também, que uma única
idéia espiritual. é o continente de um grande número de idéias celestes; daí resulta também esta conseqüência, que o dividido se torna não cada vez mais simples, mas cada vez mais multiplicado porque se aproxima cada vez mais do Infinito, no qual todas as cousas estão infinitamente. Depois disso, disse aos assistes: Por estes três ensinamentos da experiência vedes qual é a diferença entre o Espiritual e o Natural e também a razão peIa qual o homem Natural não é visível para o homem Espiritual, nem o homem Espiritual para o homem Natural, embora estejam um e outro em perfeita forma humana; e por causa desta forma, parece que um devia ser visível para o outro; mas são os interiores, pertencentes à Mente, que fazem esta forma e a Mente dos Espíritos e dos Anjos foi formada de coisas espirituais; e a dos homens, enquanto vivem no Mundo, é formada naturais. Em seguida, uma voz vinda do Céu superior foi ouvida, dizendo a um dos assistentes: Sobe aqui; e ele subiu, voltou e disse que os Anjos não conheciam antes as diferenças entre o Espiritual e o Natural porque antes não tinha havido meio algum de confrontação entre um homem que estivesse ao mesmo tempo em um e outro Mundo; e que estas diferenças não podem ser conhecidas sem confrontação e sem relação. Antes de nos separarmos, falamos de novo sobre este assunto e eu disse: Estas diferenças não vêm senão de que vós, no Mundo espiritual, sois substanciais e não naturais e que as coisas substanciais são os começos das cousas naturais; o que é a matéria senão uma aglomeração de substâncias? Vós, portanto, estais nos princípios e assim nos singulares; mas nós estamos nos principiados e nos compostos; vós estais nos particulares; mas nós estamos nos comuns; e do mesmo modo que os comuns não podem entrar nos particulares, também os naturais, que são materiais, não podem entrar nos espirituais, que são substanciais; do mesmo modo que um cabo de navio não pode absolutamente entrar ou passar pelo buraco de uma agulha de coser, ou do mesmo modo que um nervo não pode ser introduzido em uma das fibras de que é composto. Está aí portanto a razão pela qual o o homem Natural não pode pensar as coisas que pensa o homem Espiritual, nem por conseqüência as pronunciar; por isso Paulo chamava inefáveis as que ouviu do Terceiro Céu. Acrescentai a isso, que pensar espiritualmente, é pensar sem o tempo à o espaço e que, pensar Naturalmente é pensar com o tempo e o espaço; pois a toda idéia do pensamento natural se liga a coisa do tempo e do espaço, mas não a qualquer idéia es espiritual; isso vem de que o Mundo espiritual não está, como o o natural, no espaço e no tempo, mas está na aparência do espaço e do tempo; nisto diferem também os pensamentos e as percepções; é por isso que vós podeis pensar na Essência e na Onipresença ,de Deus de toda a eternidade, isto é, em Deus antes da Criação do Mundo, porque pensais na Essência de Deus sem o tempo, e em Sua Onipresença sem o espaço; e assim apreendeis coisas que estão acima das idéias naturais do homem; e então contei que uma vez eu tinha pensado na Essência e na Onipresença de Deus de toda a eternidade, isto é, em Deus antes da Criação do Mundo e que,
como eu não tinha ainda podido afastar das idéias do meu pensamento os espaços e os tempos, fiquei inquieto porque a idéia da Natureza entrava em lugar de Deus; mas me foi dito: Afasta as idéias do espaço e do tempo e tu verás; me foi dado afastá-las e eu vi; e desde esse tempo pude pensar em Deus de toda a eternidade e de modo algum na Natureza de toda a eternidade porque Deus está em todo tempo sem tempo e em todo espaço sem espaço, enquanto que a Natureza está em todo tempo no tempo e em todo espaço no espaço; e como a Natureza com seu tempo e seu espaço não pode deixar de ter começo enquanto que não acontece o mesmo com Deus que é sem tempo e sem espaço; é por isso que a Natureza vem de Deus, não de toda a eternidade, mas no tempo com seu tempo e seu espaço.

📚 Versão Impressa

Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.