- IV. Portanto, o homem que divide o Senhor, a Caridade e a Fé não é uma forma que recebe, mas é uma forma que destrói; com efeito, aquele que separa o Senhor da Caridade e da Fé, separa delas a vida, e quando a vida é separada delas, a Caridade e a Fé ou não existem ou são abortos; que o Senhor seja a Vida mesma, vê-se acima, n. 358. Aquele que reconhece o Senhor e separa d'Ele a caridade, não reconhece o Senhor senão de boca; seu reconhecimento e sua confissão são frios, não há neles a fé, pois que lhes falta a essência espiritual, pois a caridade é a essência da fé. Aquele que pratica a Caridade e não reconhece o Senhor como sendo o Deus do Céu e da Terra, um como Pai, como Êle mesmo ensina, não pratica outra caridade senão uma caridade puramente natural, na qual não há a vida eterna; o homem da Igreja sabe que todo bem, que é em. si o bem, vem de Deus; por conseqüência, do Senhor, "que é o, verdadeiro Deus e a Vida eterna" (I João V, 21); acontece o mesmo com a Caridade, porque o bem e a caridade são um. Se a Fé separada da Caridade não é a Fé, é porque a Fé é a luz da vida do homem e a Caridade é o calor de sua vida; se, portanto, a Caridade está separada da Fé, é como quando o Calor está separado da Luz; desde então, o estado do homem se torna tal como é o estado do Mundo na estação das geadas, quando tudo na terra está em um estado de morte; a Caridade e a Fé, para que a caridade seja caridade e a Fé seja a fé, não podem ser separadas mais do que a Vontade e o Entendimento; pois se estes forem separados, o Entendimento se torna nulo e também a Vontade; se acontece o mesmo com a Caridade e a Fé, é porque a Caridade reside na Vontade e a Fé, no Entendimento. separar a Caridade da Fé, é como separar a essência de sua forma; no Mundo Sábio sabe-se que a Essência sem a Forma e a Forma sem a Essência nada são, pois não há qualidade da Essência a senão pela Forma; e a Forma é um ser subsistente pela Essência; por conseqüência, nada se pode dizer de uma ou de outra separadas uma da outra; a caridade também é a essência da fé e a fé é a forma da caridade, absolutamente, como foi dito acima, como o Bem é a Essência do Vero e o Vero, a forma do Bem. Estes dois, a saber, o Bem e o Vero, estão em tôdas e cada uma das cousas que existem essencialmente; é por isso que a caridade, por que pertence ao bem, e a fé, por que pertence ao vero, podem ser ilustradas por comparações com várias cousas do corpo humano e com várias cousas da Terra; podem ser justamente comparadas com a respiração do pulmão e com o movimento sistólico do coração, pois a caridade não pode ser separada da fé mais do que o coração o pode ser do pulmão, pois que o movimento do coração, cessando; imediatamente cessa a respiração do pulmão; e a respiração do pulmão, cessando dos os sentidos desfalecera e todos os músculos ficam privados da ação de mover-se; e pouco depois, o coração também cessa de bater e toda a vida se dissipa; esta comparação é exata, pois que o Coração corresponde à Vontade; por conseguinte, também à Caridade, a respiração do Pulmão, ao Entendimento, por conseguinte também à Fé; pois, como foi dito acima, a Caridade reside na Vontade e a Fé no Entendimento; não é mesmo entendida outra cousa na Palavra pelo Coração e o Espírito (sopro). A separação da Caridade e da Fé coincide também com a separação do sangue e da carne, pois o sangue, separado da carne, é um sangue coagulado (cruor) e se toma sânie; e a carne, separada do sangue, se corrompe sucessivamente e nela nascem vermes; o sangue também no sentido espiritual significa o Vero da sabedoria e da fé; e a carne, o bem do amor e da caridade; que ia sangue tenha essa significação, isso foi mostrado no ira Apocalipse Revelado, n. 379; e quanto à carne, n. 832. A Caridade e a Fé, para que uma e outra sejam alguma coisa não podem, ser separadas mais do que, no homem, o Alimento e a Água, ou o Pão e o Vinho, pois o Alimento e o Pão tomados sem água e sem vinho distendem somente o ventre, o estragam com massas indigestas e se tornam como uma lama podre; a Água e o Vinho, sem Alimento e sem Pão, distendem do mesmo modo o ventre e também os vasos e os poros, que, privados assim de alimento, emagrecem o corpo até à morte; esta comparação ajustasse ainda, pois que o alimento e o pão, no sentido espiritual, significam o bem do amor e da caridade; e a água e o vinho, o vero da sabedoria e da fé; ver o Apocalipse Revelado, ns. 50, 316, 778, 932. A Caridade conjunta a Fé e a Fé reciprocamente conjunta a Caridade, podem ser comparadas à face de uma donzela, que é embelezada pelo rubor e a brancura convenientemente misturados; esta comparação é ainda exata, pois que, no Mundo espiritual, o Amor e, por conseguinte, a Caridade são de um vermelho Inflamado pelo fogo do Sol desse Mundo, e a Verdade e por conseguinte, a Fé é de uma branco brilhante pela luz desse Sol; é por isso que a Caridade separada da Fé, pode ser comparada a uma face inflamada com pústulas; e a Fé separada da Caridade pode ser comparada à face pálida de um morto. A fé. separada da caridade pode também ser comparada à Paralisia em um dos lados, chamada Hemiplegia, de que o homem morre quando ela torna consistência; pode ainda ser comparada à Dansa de S. Vito ou de S. Guido, moléstia produzida no homem pela picada da Tarântula; o racional toma-se semelhante a um tal homem, salta como êle com furor; e então, se crê vivo; entretanto, não pode mais reunir as razões em um, nem pensar sobre os veros espirituais, mais do que a poderia um homem deitado em um leito e oprimido por um pesadelo. Estas explicações bastam para a demonstração destes dois teoremas deste Capítulo; o Primeiro, que a Fé sem a Caridade não é a Fé, e a Caridade sem a Fé não é a Caridade, e que uma e outra não vive senão pelo Senhor; e o Segundo, que o Senhor, a Caridade e a Fé fazem um, como a Vida, a Vontade e o Entendimento no homem; e que se são divididos, cada um se perde como uma pérola reduzida: a pó.
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