- III. Estas coisas que influem do Senhor são percebidas pelo homem segundo a sua forma: aqui, pela forma é entendido o estado do homem quanto ao seu amor e à sua sabedoria; por conseqüência, também quanto às suas afeições dos bens da caridade e às percepções dos veros da fé. Que Deus seja um, indivisível e o mesmo de eternidade a eternidade, não o mesmo simples, mas infinito, e que toda variedade vem do, objeto em que está, é o que foi mostrado acima; que a For o estado recipiente produza variações, pode-se ver pela Vida das criancinhas, das criança, dos adolescentes, dos adulto e dos velhos; há em cada um, desde a primeira infância até a velhice, a mesma Vida, porque há a mesma alma, mas do modo por que varia seu estádo segundo as idades e as conveniências, do mesmo modo, também é percebida sua vida. A Vida de Deus está em. toda plenitude, não somente em todos os homens bons, mas também nos homens maus e ímpios, semelhantemente, nos Anjos do Céu e nos Espíritos do Inferno; a diferença é que os maus bloqueiam o caminho e fecham a porta, a fim de que Deus não entre' nos inferiores de sua mente, enquanto que os bons aplainam o caminho, abrem a porta e também convidam Deus para que entre nos inferiores de sua mente, do mesmo modo que habita nos 'supremos, e assim formam o estado da vontade para o influxo do amor e da caridade e o estado do entendimento para o influxo da sabedoria e da fé, por conseqüência, para a recepção de Deus; mas os maus põem obstáculos a este influxo por diversas, cobiças da carne e diversas imundícies espirituais, que colocam em baixo e impedem a passagem; Deus, entretanto, reside em seus supremos com toda Sua Divina Essência e lhes dá a --faculdade de querer o bem e de compreender o vero, faculdade que cada homem possui e que não teria, de modo algum, se a vida procedente de Deus não estivesse em sua alma; que os maus tenham também esta faculdade, é o que me foi dado saber por grande número de experiências. Que cada um recebe segundo sua forma a vida que procede de Deus, isso pode ser ilustrado por comparações com os vegetais de todo gênero: Cada árvore, cada arbusto e cada erva, recebe o influxo do calor e da luz segundo sua forma; assim, não somente os vegetais de um uso bom, mas também os que são de um uso mau; e o Sol com seu calor não muda as formas, mas as formas mudam em si mesmas os efeitos do Sol. Acontece o mesmo com os objetos do Reino mineral; cada um deles, tanto preciosos como vis, recebe o influxo segundo a forma da contextura de suas partes; assim, uma pedra diferentemente de uma outra, um mineral diferentemente de um outro mineral e um metal, diferentemente de um outro metal; alguns deles são coloridos com muito belas cores, outros transmitem a luz sem colorido e outros a absorvem e abafam. Por estes exemplos pudesse ver que do mesmo modo que o Sol do Mundo, com seu calor e sua luz, está igualmente presente em um objeto como em um outro, mas que as formas recipientes variam suas operações, do mesmo modo que o Senhor pelo: Sol do Céu, no meio do qual está, com seu calor que em sua essência é amor, e com sua luz que em sua essência é sabedoria, está igualmente presente em um como em outro, mas que a forma do homem, que foi introduzida pelos estados de sua vida, varia as operações; por conseqüência, não é o Senhor a causa do homem não renascer e não ser salvo, mas o homem mesmo é a causa disso.
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