VRC &399

A Verdadeira Religião Cristã
Emanuel Swedenborg
Contendo toda a teologia da Nova Igreja

- Do Amor em geral.
1) A Vida mesma do homem é seu Amor; tal é o Amor, tal é a Vida, e tal é todo o homem, mas é o Amor dominante ou reinante que faz o homem. Este Amor tem sob sua dependência vários amores que são derivações; estas se mostram sob uma outra forma, mas não obstante estão tôdas no Amor Dominante e fazem com êle um mesmo Reino; o Amor Dominante é como seu Rei e seu Chefe; êle os dirige, e por eles como fins médios, visa e tende para seu Fim, que é o primeiro e o último de. todos; e isso tanto direta como indiretamente. 2) 0 que pertence ao Amor Dominante é o que é amado acima de todas as coisas. 0 que o homem ama acima de todas as coisas. está sem cessar presente em seu pensamento, porque isto está em sua Vontade e faz sua vida mesma (ipsissima); por exemplo, é que ama acima de tôdas as coisas as riquezas, quer constiam em dinheiro ou em posses, está continuamente preocupado com os meios de as adquirir, está intimamente alegre quando as adquire e está intimamente triste quando as perde, seu coração está nelas. Aquele que se ama acima de tôdas as coisas. Use, em todas as circunstâncias, se lembra de si, pensa em si, fala de si e age para si, pois a sua vida é a vida de si mesmo. 3) 0 homem tem por fim o que ama acima de tudo, o que tem em vista em tôdas as cousas; isso está em sua vontade como a vela escondida de um rio, que a arrasta e domina, mesmo quando se ocupa de outra cousa, pois é o que êle ama. E isso o que um homem examina em um outro; e por isso, ou o dirige, ou age com ele. 4) 0 homem é tal qual é o Dominante de sua vida; é por este Dominante que é distinguido dos outros; é êle que faz seu Céu, se é bom e seu Inferno, se é mau; é a sua Vontade mesma, seu Próprio mesmo e sua Natureza mesma, pois é o Ser mesmo de sua vida; depois da morte, êle não pode ser mudado, porque é o homem mesmo. 5) Todo prazer, toda felicidade procedem era cada um de seu Amor Dominante e é segundo este amor; pois o homem chama prazer o que ama porque o sente; o que êle pensa e não ama, pode também chamar prazer, mas não é o prazer de sua vida. E o prazer de seu amor, que é para o homem o Bem e é o desprazer que é para êle o Mal. 6) Há dois amores de onde decorrem todos os bens e todos os veros, como de suas fontes mesmas; e há dois amores de onde decorrem todos os males e todos os falsos. Os dois amores de onde decorrem todos os Bens e todos os Veros, são o Amor para com o Senhor e o Amor em relação ao próximo; e os dois amores de onde decorrem todos os males e todos os falsos, são o Amor de si e o Amor do Mundo; êstes dois amores quando dominam, são inteiramente opostos aos dois outros amores 7) Os dois Amores que são o Amor para com o Senhor e o Amor em relação ao próximo, fazem o Céu no homem, pois reinam no Céu; e como fazem o Céu no homem, fazem também a Igreja nêle; os dois Amores, de onde decorrem todos os males e todos os falsos, são o Amor de si e o Amor do mundo, fazem o Inferno no homem, pois reinam no Inferno, conseqüentemente também destroem a Igreja nele. 8) Os dois Amores de onde decorrem todos os bens e todos os veros e que são os Amores do Céu, abrem e formam o homem interno espiritual porque residem nesse homem; os dois Amores de onde decorrem todos os males e todos os falsos, são os Amores do Inferno, fecham e destroem o homem interno espiritual, quando dominam, fazem com que o homem seja Natural e Sensual segundo a quantidade e a qualidade de sua Dominação.

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