- Dir-se-á primeiro alguma coisa sobre a Subordinação destes três Amores Universais, que são o Amor do Céu, o Amor do Mundo e o Amor de si; e em seguida, sobre o influxo e a inserção de um no outro; e enfim, sobre o estado do homem segundo a subordinação. Estes três Amores são, um em relação ao outro, como as três regiões do corpo, de que a suprema, é a Cabeça; a média é o Peito com o Ventre; e a terceira, os Joelhos, os Pés e as Plantas dos pés. Quando o Amor do Céu faz a Ca. beça, o Amor do Mundo o peito e o ventre, e o Amor de si os pés com as plantas dos pés, o homem está em um estado perfeito segundo, a criação, porque então os dois Amores inferiores servem ao Amor supremo, como o Corpo e as partes do corpo servem à Cabeça; quando, portanto, o Amor do Céu faz a Cabeça, este Amor influi no amor do Mundo, que é principalmente o Amor das riquezas e faz, por elas, usos; e medianamente, pelo amor do Mundo influi no Amor de si, que é principalmente o Amor das dignidades e faz, por elas, usos; assim, pelo influxo de um no outro estes três Amores respiram os usos. Quem não compreende que, quando o homem pelo Amor espiritual, que vem do Senhor e é entendido pelo Amor do Céu, quer fazer usos, o homem Natural os faz pelas riquezas e por seus outros bens, e o homem Sensual exercendo sua função e que sua honra consiste em produzi-los? Quem não compreende que tôdas as obras que o homem faz com o corpo são feitas segundo o estado de sua mente na Cabeça e que, se a mente está no Amor dos usos, o Corpo por seus membros os efetua? e isso tem lugar porque a Vontade e o Entendimento nos seus princípios estão na Cabeça e que, em seus principiados, estão no Corpo; e por comparação, como o prolífico da semente está em tôdas e em cada uma das partes da árvore pelas quais ela produz os frutos, que são seus usos; e também orno o fogo e a luz em um vaso de cristal, pelos quais este vaso se aquece e brilha; e além disso, a Vista espiritual da Mente unida à Vista natural do Corpo, naqueles em que estes três Amores foram justa e regularmente subordinados, segundo a luz que influi do Senhor pelo Céu, pode ser assemelhada a um Fruto da África que é transparente até ao meio, onde está o invólucro das sementes; alguma coisa de semelhante é entendida por estas palavras do Senhor: "A lâmpada do corpo é o olho, se o olho é simples, isto é, bom, todo o corpo é iluminado" (Mateus VI, 22; Lucas, XI, 34). Nenhum homem gozando de uma razão sã pode condenar as riquezas, pois elas são no Corpo comum como o sangue é no homem; não pode também condenar as honras ligadas às funções, pois são as mãos do Rei e as colunas da Sociedade, desde que os amores naturais e sensuais dos que delas gozam tenham sido subordinados ao amor espiritual; há também administrações no Céu e dignidades a elas são ligadas, mas aqueles que exercem estas funções não amam cousa alguma mais do que fazer usos, porque são espirituais.
📥 Download
📚 Versão Impressa
Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.