- 0 homem nasceu não para si, mas para os outros, isto é, a fim de que viva não para si só, mas para os outros; de outro modo nenhuma sociedade teria consistência e não haveria nela bem algum. Diz-se vulgarmente que cada um é seu próximo, mas a Doutrina da Caridade ensina como isso deve ser entendido, a saber, que cada um deve prover para si as necessidades da vida; por exemplo, a alimentação, as roupas, o alojamento e várias cousas que, na vida civil em que êle está, são absolutamente necessárias; e isso, não somente para si mesmo, mas também para os seus, e não somente para o tempo presente, mas também para o futuro; pois se alguém não procura as coisas necessárias à vida, não fica em -estado de exercer a caridade, pois está na carência de tudo. Mas como cada uni deve ser o próximo de si mesmo? Pode-se ver por isto que dá no mesmo: Cada uma deve prover a alimentação de seu corpo, isto será o primeiro, mas com o fim de ter uma Mente sã em um Corpo são; e cada um deve prover a alimentação de sua Mente, isto é, às cousas que pertencem à inteligência e ao julgamento, mas com o fira de ficar em estado de servir o concidadão, a sociedade, a pátria, a Igreja e assina ao Senhor; aquele que faz isto proveu a seu próprio bem para a eternidade; por aí vê-se claramente o que está em primeiro lugar pelo tempo e o que é o primeiro pelo fim; e que o primeiro pelo fim é aquilo para que tendem toa s as coisas E também como quando alguém constrói uma Casa; porá primeiro a fundação, mas a fundação será para a casa e a casa para a habitação; aquele que crê que, em primeiro lugar ou principalmente, é o seu próprio próximo, é semelhante ao -que constrói a fundação como o fim, e não a habitação; quando, entretanto, a habitação é o próprio fim primeiro e último, a Casa com a fundação não é mais que um meio para o fim.
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