- Por estas explicações, pode-se ver como é preciso entender que a Caridade e as Boas Obras são distintas como o bem querer e o bem fazer, isto é que, elas são formalmente distintas como a Mente que pensa e quer e o corpo pelo qual a Mente fala e age; e que são essencialmente distintas, porque a mente mesma é distinguida, como foi dito acima, em uma região interior que é espiritual e uma região exterior, que é natural; é por isso que as obras procedem da Mente espiritual, elas procedem do seu bem querer, que é a Caridade; mas
se procedem de sua mente natural, procedem do bem querer que não é a Caridade na forma interna; e a Caridade na forma externa só, apresenta, é verdade, a aparência da Caridade, mas não possuí a essência da Caridade. Isso pode ser ilustrado com uma comparação com as sementes na terra; de cada semente nasce um rebento, seja útil seja inútil, segundo a qualidade da semente; semelhantemente, a semente espiritual, que é o vero da Igreja. segundo a Palavra; desta semente é formada uma Doutrina, útil se é de veros reais, inútil se é de veros falsificados; dá-se o mesmo com a Caridade segundo o bem-querer; ou o bem-querer é para si mesmo e para o Mundo ou é para o próximo em um sentida estrito ou em um sentido largo; se é para si mesmo e para o Mundo, é a Caridade bastarda; se é para o próximo, é a Caridade real. Mas pode-se ver maiores detalhes sobre este assunto no Capítulo sobre a Fé, e especialmente no Artigo onde foi mostrado que a Caridade é o bem querer e que as Boas obras são o bem-fazer, n. 374. E que a Caridade e a Fé não são coisas mentais e caducas, se, quando isso é possível, elas são determinadas em Obras e aí coexistem, ns. 375, 376.
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