VRC &727

A Verdadeira Religião Cristã
Emanuel Swedenborg
Contendo toda a teologia da Nova Igreja

- Que no Mundo as conjunções e as consociações se façam por convites à mesa e por festins, isso é sabido; pois por isto o que convida tem alguma intenção dirigida para algum fim concernente ao acordo ou à amizade; com mais forte razão os convites que têm por fim as cousas espirituais; os Banquetes nas Antigas Igrejas eram banquetes de caridade, semelhamente na primitiva Igreja Cristã; nesses banquetes eles se fortaleciam uns aos outros, a fim de permanecer com um coração, sincero no culto do Senhor. Os banquetes que os filhos de Israel faziam perto do Tabernáculo com os restos dos sacrifícios não significavam outra cousa senão a unanimidade no culto de Jehovah; por isso a Carne que comiam era chamada santa (Jeremias XI, 15; Hag. 11, 12), e em muitos outros lugares, porque provinha dos sacrifícios; o que não será do Pão e do Vinho, e da Carne Pascal sobre a Ceia do Senhor, que se oferece em sacrifício para os pecados do Mundo inteiro? Além disso, a conjunção com o Senhor pela Santa-Ceia pode ser ilustrada pela conjunção das famílias provenientes de trai mesmo Pai; deste pai descendem os consangüíneos; depois, em ordem, os parentes de diversos graus, e todos tiram alguma coisa do tronco primeiro, não entretanto que tirem assim a Carne e o Sangue, mas tiram alguma coisa pela carne e pelo sangue, assim a alma e por conseguinte a inclinação para cousas semelhantes pelas quais foram conjuntos; a conjunção mesma se faz ver comumente nas faces e também nos costumes, e daí eles são chamados uma mesma Carne, como em Gen. 29, 14; 37, 27; 11 Sam. V, 1; XIX, 12. 13, e em outros lugares. Dá-se o mesmo com a conjunção com o Senhor, que é o Pai de todos os fiéis e bem-aventurados; a conjunção com Ele se faz pelo amor e a, fé, pela recepção das quais são chamados uma mesma Carne; é por isso que Ele disse: "Aquele que come a minha Carne e bebe o meu Sangue, em Mim permanecerá, e eu nele. Quem não vê que não é nem o Pão nem o Vinho que fazem isso, mas que é o bem do amor que é entendido pelo Pão, e o vero da fé que é entendido pelo Vinho, os quais são próprios do Senhor, e procedem d'Êle só e são comunicados por Êle só; também toda conjunção se faz pelo amor, e o amor não é o amor sem a confiança. Que os que acreditam que o Pão é a Carne e que o Vinho é o Sangue, e que não podem elevar o pensamento além disso, permaneçam nessa crença, mas não de outro modo senão que é uma cousa santíssima, que é um conjuntivo com o Senhor, a qual é atribuída e apropriada ao homem como estando nele, ainda que permaneça continuamente uma cousa do Senhor.

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