SEGUEM TRÊS MEMORÁVEIS TIRADOS DO APOCALIPSE REVELADO
118. Primeiro Memorável: Quando eu estava na explicação do Capítulo 20 do Apocalipse, meditando sobre o dragão, a besta e o falso profeta, apareceu-me um espírito angélico e me perguntou: "Em que meditas?"
E eu disse: "No falso profeta."
Então disse-me ele: "Levar-te-ei ao lugar onde moram os que se entendem pelo Falso Profeta." Ele disse que são os mesmos que, no Capítulo 13, se entendem pela besta subindo da terra, a qual tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro, e que falava como o dragão.
Eu o segui, e eis que vi uma turba em cujo meio estavam chefes da igreja, que tinham ensinado que não há outra coisa que salve o homem, senão a fé no mérito do Cristo, e que as obras são boas, mas não para a salvação, e que elas devem, contudo ser ensinadas segundo a Palavra, para que os leigos, especialmente os simples, se mantenham mais rigorosamente rios vínculos da obediência para com os magistrados, e sejam impelidos para exercerem a caridade moral como pela religião, assim interiormente.
E então vendo-me um deles disse: "Queres ver nosso Templo, no qual está a imagem representativa de nossa fé?"
Aproximei-me e vi, e eis que ele era magnífico, e no meio dele havia a imagem de uma mulher que estava vestida com um vestido escarlate, tendo na mão direita uma moeda de ouro, e na esquerda uma cadeia de pérolas grandes. Mas eram uma imagem e um templo induzidos por fantasias, pois os espíritos infernais podem por fantasias representar coisas magníficas, fechando os interiores da mente e abrindo unicamente os seus exteriores.
Mas quando observei que esses objetos eram imposturas, orei ao Senhor, e de repente se abriram os interiores de minha mente. E vi então, em vez do Templo magnífico, uma casa cheia de fendas desde o telhado até às fundações, na qual nada estava ligado entre si. E em vez da mulher vi nessa casa uma representação suspensa, cuja cabeça era semelhante à do dragão, o corpo semelhante ao de um leopardo, os pés como os de uma ursa e a boca como a de um leão; assim inteiramente como a besta que sobe do mar é descrita. (Apoc. 13: 2) E em vez da terra havia um pântano no qual havia uma multidão de rãs. E me foi dito que, debaixo do pântano havia uma grande pedra talhada, sob a qual a Palavra jazia profundamente escondida.
Depois de ter visto isso, eu disse ao impostor: "Então esse é o vosso templo? E ele disse: "Sim". Mas, de repente a sua vista interior também foi aberta, pela qual viu as mesmas coisas que eu.
A essa vista, ele exclamou a toda voz: "Que é isso e de onde vem isso?"
E eu disse: Isso vem da luz do céu, que descobre a qualidade de cada forma, e aqui a qualidade da vossa fé separada da caridade espiritual".
E logo o vento oriental soprou e arrebatou o Templo com a imagem, e também secou o pântano e descobriu a pedra, debaixo da qual estava a Palavra. E depois disso, fez-se sentir do céu um calor tal qual o da primavera; e eis que se viu então nesse mesmo lugar um tabernáculo, simples quanto à forma externa.
E os anjos que estavam comigo, disseram: "Eis o tabernáculo de Abraão, tal qual era, quando os três anjos vieram, a ele e lhe anunciaram o nascimento próximo de lsaac. Ele aparece simples diante dos olhos, mas se torna cada vez mal$ magnífico segundo o influxo da luz do céu.".
E foi-lhes dada permissão para abrir o Céu onde estavam os anjos espirituais que estão na sabedoria. E então, pela luz fluindo dali, esse tabernáculo aparecia como um templo, semelhante ao de Jerusalém. Quando eu o examinei, vi a pedra no fundo, debaixo da qual tinha sido depositada a Palavra, coberta de todos os lados de pedras preciosas, cujo brilho se refletia sobre as paredes onde estavam formas de querubins e fazia-os brilhar por uma variedade de belíssimas cores.
Enquanto eu admirava essas coisas, os anjos disseram: "Verás coisas ainda mais admiráveis", e foi-lhes dada permissão para abrirem o Terceiro Céu, onde estavam os anjos celestes que estão no amor. E então, pela luz fluindo daí, todo esse templo se dissipou, e em seu lugar foi visto o Senhor Só de pé sobre a Pedra do fundo, que era a Palavra, e tal qual Ele apareceu a João, no Cap. 1 do Apocalipse.
Como então, porém, os interiores da mente dos anjos se encheram de uma santidade, que os levava a se prostrarem sobre as suas faces, o Senhor fechou logo o caminho da luz que vinha do terceiro céu, e abriu o caminho da luz do segundo céu, pela qual o aspecto precedente do Templo voltou, e também do tabernáculo, mas no templo.
Por estas coisas é ilustrado o que se entende no Cap. 21: 3 do Apocalipse, por estas palavras: "Eis, o Tabernáculo de Deus está com os homens, e Ele habitará com eles."
E por estas: "Não vi templo em a Nova Jerusalém, porque o Senhor Deus Todo-poderoso e o Cordeiro é o seu Templo", (Vers. 22)
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