DLOV &3

Do Divino Amor
Emanuel Swedenborg
Tratado sobre a Natureza e Origem do Divino Amor

. [5] III. Que a vida, que é o Divino Amor, esteja numa forma. O Divino Amor, que é a Vida mesma, não é simplesmente amor, mas é o Divino procedente, e o Divino procedente é o Senhor mesmo. De fato, é o Senhor no Sol que aparece aos anjos nos céus, Sol do qual procede o amor como calor e a sabedoria como luz. No entanto, o amor com a sabedoria é também Ele fora do Sol. A distância é somente uma aparência, pois o Divino não está no espaço, mas é sem distância, como acima foi dito. Que pareça haver distância é porque o Divino Amor, que é o Senhor, não pode ser recebido por anjo algum, porquanto o consumiria. Com efeito, Ele é em si mais ardente que o fogo no sol do mundo, pelo que é diminuído sucessivamente por infinitas circunvoluções, até que, quando abrandado e acomodado, possa vir aos anjos, que, além disso, são cobertos com uma nuvem tênue, para não serem feridos pelo ardor. Esta é a causa da aparência semelhante a uma distância entre o Senhor, como Sol, e o céu onde estão os anjos. Não obstante, o Senhor mesmo está presente no céu, mas adequado à recepção.
[6] A presença do Senhor não é como a presença do homem, que enche o espaço, mas é uma presença sem espaço, a qual é que Ele está nos máximos e nos mínimos, assim, Ele mesmo está nos máximos e Ele mesmo está nos mínimos. Sei que isto dificilmente pode ser compreendido pelo homem, porque ele dificilmente pode remover os espaços das ideias de seu pensamento, mas pode ser compreendido pelos anjos, em cujas ideias não há espaços. Nisto o pensamento espiritual difere do pensamento natural.
[7] Como, pois, o amor procedente do Senhor como Sol é o Senhor mesmo, e esse amor é a Vida mesma, segue-se que o amor mesmo, que é a vida, é um Homem, e tal que assim contém numa forma infinita todas e cada uma das coisas que há no homem. Estas são, também, consequências das coisas que foram ditas anteriormente a respeito da Vida de todos desde o Senhor, e também a respeito de Sua Providência, onipotência, onipresença e onisciência.

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