. [9] IV. Que essa forma seja a forma do uso em todo o complexo. Que essa forma seja a forma do uso em todo o complexo é porque a forma do amor é a forma do uso, pois os sujeitos do amor são os usos, já que o amor quer fazer os bens, e os bens não são outra coisa senão os usos; e como o Divino Amor transcende infinitamente, por isso sua forma é a forma do uso em todo o complexo. Que seja realmente o Senhor que está nos anjos nos céus e nos homens nas terras, e que seja conjunto a eles pelo amor, e também esteja neles – ainda que Ele seja infinito e incriado, ao passo que o anjo e o homem sejam criados e finitos – é o que não pode ser compreendido pelo homem natural enquanto não puder ser tirado, por iluminação do Senhor, da ideia natural a respeito do espaço e por essa luz [ser esclarecido] a respeito da essência espiritual. Essa essência, considerada em si mesma, é o Divino mesmo procedente, acomodado a cada anjo, tanto ao anjo do céu supremo como ao anjo no céu mais baixo, e também a cada homem, tanto o sábio como o simples. Com efeito, o Divino que procede do Senhor é Divino desde os primeiros até os últimos. Os últimos são os que se chamam carne e osso; que também estes foram feitos Divinos pelo Senhor, Ele o ensinou aos discípulos, [quando disse] que tinha carne e ossos que um espírito não tem (Lc. 24:39), e também por ter entrado por portas fechadas e ter-Se tornado invisível, quando manifestamente testificou que os últimos do homem n’Ele também tinham sido feitos Divinos e que, daí, estão em correspondência com os últimos do homem.
[10] De que modo, porém, o Divino procedente, que é a vida mesma e única, pode estar nos criados e finitos, é o que se dirá agora. Essa vida não se aplica ao homem, senão somente aos usos nele. Os usos, considerados em si mesmos, são espirituais, e as formas do uso, que são os membros, os órgãos e as vísceras, são naturais. Mas elas são, todavia, séries de usos, a ponto de que não existe, em membro, órgão e víscera alguma, uma partícula ou a menor partícula que não seja o uso na forma. A vida Divina se aplica aos usos mesmos em toda série, e por ela dá vida à forma de cada coisa da forma. Daí o homem tem a vida que se chama sua alma. Essa verdade parece de fato transcendente aos homens, mas não aos anjos. Ela, todavia, não transcende tanto o entendimento humano, podendo ser vista de relance, por assim dizer, por aqueles que querem ver. Não transcende o meu entendimento, que é um racional iluminado.
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