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Do Divino Amor
Emanuel Swedenborg
Tratado sobre a Natureza e Origem do Divino Amor

. [17] VI. Que em tal forma esteja o homem em geral. Pelo homem, no sentido mais geral, entende-se todo o gênero humano; no geral entendem-se todos os homens de um reino ao mesmo tempo; no menos geral, os homens de uma província no reino; num ainda menos geral, os homens de uma cidade; no particular, os homens de uma casa, e, no singular, cada homem. À vista do Senhor, todo o gênero humano é como um só homem, e todos os de um só reino são como um só homem, semelhantemente a todos de uma província, todos de uma cidade e também todos de uma casa. Não são os homens mesmos que assim aparecem juntamente, mas os usos neles, de modo que aqueles que estão juntamente nos bons usos, a saber, os que os fazem pelo Senhor, aparecem como um homem perfeito e belo. Esses são os que fazem os usos por causa dos usos, isto é, que amam os usos porque são usos da casa, da cidade, da província, do reino ou de todo o mundo. Aqueles, porém, que fazem usos não por causa dos usos, mas por causa de si somente ou do mundo somente, eles também aparecem perante o Senhor como um único homem, mas como um homem imperfeito e disforme. Por aí se pode ver que o Senhor contempla os homens do mundo, isoladamente pelo uso, e agregadamente pelos usos conjuntos na forma de um homem. Por usos se entendem os usos da função de cada um, os quais pertencem a seus ofícios, aplicações e obras. Esses usos são as boas obras mesmas à vista do Senhor.
[18] Visto que todos de um reino aparecem perante o Senhor como um único homem segundo o amor dos usos, é evidente que todos os ingleses aparecem perante o Senhor como um único homem, assim como todos os holandeses, todos os alemães, todos os suecos e dinamarqueses, e também todos os franceses, espanhóis, poloneses e russos, mas cada nação segundo os usos. Aqueles que, nos reinos, amam os usos de seus ofícios porque são usos aparecem juntamente como homem anjo; e aqueles que amam os usos de seus ofícios por causa das volúpias somente, separadas dos usos, aparecem juntamente como homem diabo. Os negociantes, no [caso do] homem anjo, são aqueles que amam a negociação, e por causa delas, a riqueza, e ao mesmo tempo consideram a Deus; mas os negociantes no [caso do] homem diabo são os que amam as riquezas e, por causa delas somente, a negociação. Nestes há avareza, que é a raiz de todos os males, mas não naqueles, pois amar somente as riquezas e não algum uso por causa delas, ou considerar as riquezas em primeiro lugar e a negociação em segundo é ser avaro. Esses são, de fato, úteis ao reino, mas, quando morrem, quando as suas riquezas passam ao uso público das negociações, a utilidade advinda delas é então utilidade para o reino, mas não para as almas deles. * Em suma, adquirir riqueza pela negociação somente por causa da riqueza é a negociação judaica. Mas adquirir riqueza pela negociação por causa da negociação é a negociação holandesa. A opulência não é danosa para esses, mas para aqueles1.

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