DLOV &16

Do Divino Amor
Emanuel Swedenborg
Tratado sobre a Natureza e Origem do Divino Amor

. [47] XVI. Que todo homem seja afeição, e que haja afeições tão variadas quantos são os homens nascidos e quantos nascerão pela eternidade. Que todo homem seja afeição e que haja afeições tão variadas quantos são os homens e quantos nascerão pela eternidade pode-se ver principalmente pelos anjos do céu e pelos espíritos do inferno, que são, todos, afeições; os espíritos do inferno são afeições más, que são as concupiscências, e os anjos do céu, afeições boas. Que todo homem seja afeição é porque a sua vida é o amor, e são as derivações e continuações do amor que se chamam afeições. Por isso, as afeições em si são também amores, mas subordinadas ao amor geral como seu senhor ou cabeça. Como, pois, a vida mesma é o amor, segue-se que todas e cada uma das coisas da vida são afeições, por conseguinte, o homem mesmo é uma afeição. Que isto seja assim, muitos hão de se admirar no mundo. Que hão de ficar admirados é o que foi dado saber pela boca de todos os que vêm do mundo natural ao mundo espiritual. Ainda não encontrei um que soubesse o que era uma afeição, e, de fato, poucos sabiam o que é afeição, e quando eu disse que a afeição é o amor e seu contínuo e seu derivado, perguntaram o que é o amor, dizendo que sabiam o que é pensamento, porque o percebiam, mas não o que é afeição, porque esta ninguém percebe tanto. Que o amor esteja na natureza das coisas é o que diziam saber pelo amor da esposa para com o cônjuge, pelo amor da mãe para com as crianças e, de algum modo, também pelo amor do pai quando beija a esposa ou seu filho, e alguns disseram, em lugar destes, uma meretriz. Quando eu lhes disse que o pensamento não é, absolutamente, algo por si, mas pela afeição que é do amor da vida do homem, porque ele é como o formado de um que forma, e que o pensamento e não a afeição é percebido porque é percebido como formado e não como o que forma, assim como o corpo por seus sentidos e não a alma, e como ficaram espantados diante dessas coisas que lhes foram ditas, foram instruídos a respeito delas por muitas experiências. Por exemplo, que todas as coisas do pensamento são provenientes da afeição e são segundo ela; depois, que eles não podiam pensar sem ela nem contra ela; que cada um é tal qual é sua afeição; e que, por isso, todos são examinados por sua afeição e ninguém por sua fala, pois a fala procede do pensamento da afeição externa, que é quererem ser favorecidos, agradados, louvados e tidos como homens civis, morais e sábios, e isto por causa dos fins da afeição interna, das quais são os meios. Mas que, não obstante, pelo som da fala – a menos que se trate de um sumamente hipócrita – ouve-se a afeição mesma, pois as palavras da fala pertencem ao pensamento, e o seu som à afeição. Por isso lhes foi dito que, assim como a fala não existe sem o som, tampouco o pensamento pode existir sem a afeição, e que daí é evidente que a afeição é tudo do pensamento, assim como o som é tudo da fala, pois a fala é somente a articulação do som. Por estas explicações eles foram instruídos que o homem nada é senão a afeição, e, depois, pelo fato de todo o céu e todo o inferno se acharem distintos em reino, províncias e sociedades, segundo as diferenças genéricas e específicas de afeições, e não, absolutamente, segundo quaisquer diferenças de pensamento, e que somente o Senhor as conhece. Que haja variedades e diferenças infinitas de afeições, e tantas quantos são os homens nascidos e quantos nascerão pela eternidade, é o que se segue daí.

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