DLOV &18

Do Divino Amor
Emanuel Swedenborg
Tratado sobre a Natureza e Origem do Divino Amor

. [52] XVIII. Que a vontade do homem seja a sua afeição. Que a vontade do homem seja a sua afeição é porque a vontade do homem é o receptáculo do seu amor e o entendimento é o receptáculo de sua sabedoria, e o que é o receptáculo do amor é também o receptáculo de todas as afeições, porque as afeições são apenas continuações e derivações do amor, como foi dito acima. Diz-se ‘receptáculo do amor’ porque o amor não pode existir no homem a não ser numa forma recipiente, a qual é substancial. Sem ela o amor não seria eficiente, recorrente e, por esse meio, como que permanente. A sua forma eficiente mesma também pode ser descrita, mas aqui não é o lugar. Daí é que se diz da vontade que ela é o receptáculo do amor. Que a vontade seja tudo do homem e esteja em todas as suas coisas, e, assim, que ela seja o homem mesmo, assim como o amor em seu complexo é o homem, é evidente pelo que se segue.
[53] A respeito de tudo o que é do amor ou de sua afeição, mesmo o que é de sua vida, o homem diz que quer; por exemplo, que quer agir, quer falar, quer pensar e quer perceber. Em todas estas coisas está a vontade, que, se não estivesse nelas, ele não agiria, não falaria, não pensaria nem perceberia. De fato, a menos que ela esteja presente em cada coisa e nas mais singulares delas, elas, num instante, terminam, pois a vontade está nelas assim como a alma ou a vida está no corpo, e em cada uma de suas coisas. Pode-se, também, em lugar de querer, dizer-se amar; por exemplo, que ama fazer, falar, pensar e perceber. Semelhantemente se diz dos sentidos externos do corpo, que querem ouvir, querem comer, beber e saborear, querem sentir o odor, querem andar, conversar, recrear, e assim por diante. Em cada um desses também está a vontade que age, pois, se ela se afastasse, eles cessariam, e também é pela vontade que eles se afastam.
[54] Que a vontade seja o amor do homem em forma é claramente evidente pelo fato de que todo prazer, volúpia, amenidade, ventura e bem-aventurança, que pertencem ao seu amor, são assim sentidos e percebidos. Que estes pertençam à vontade é evidente, pois tudo o que é prazeroso, voluptuoso, ameno, venturoso e bem-aventurado, isto também o homem quer. Também disto se diz querer. O homem fala semelhantemente a respeito do bem e do vero, pois ele chama bem àquilo que ama, e por isso o faz de sua vontade. E ao que confirma o bem de seu amor ou de sua vontade ele chama vero, e também o ama, e quer pensar nisso e disso falar. Também a respeito de tudo o que escolhe, ambiciona, deseja, apetece, busca e tem em intenção o homem diz que quer, porque pertencem ao amor; pois quer o que escolhe, porque o ama, quer o que ambiciona e deseja, porque o ama, quer o que apetece e busca, porque o ama, e quer o que tem intenção, e o tem intenção, porque o ama. Por aí se pode ver que a vontade e o amor, ou a vontade e a afeição, são um só no homem; e que a vontade, porque é o amor, também é a sua vida, e é o homem mesmo. Que a vontade também seja a vida do entendimento e, daí, do pensamento do homem, será confirmado na sequência.
[55] Que o homem ignore que a vontade é o homem mesmo é pela mesma razão pela qual ignora que o amor ou a afeição é o homem mesmo, pois cada um presta atenção às coisas que vê ou sente, mas não à vida, à alma ou à essência pela qual ele vê e sente. Isto jaz encerrado nos sensitivos, e nisto o homem natural não pensa. É diferente com o homem espiritual, porque o sensitivo não é o objeto de sua sabedoria, mas o essencial nele, que em si é também espiritual. Daí é que muitos dizem que o pensamento é tudo do homem e é o homem mesmo, ou que o homem é homem porque pensa, quando, todavia, tudo do seu pensamento é afeição. Remove esta daquele e serás um toco. Pelo espiritual racional o homem que sabe o que é o bem e vero, e daí, o que é o mal e o falso, pelas coisas que foram ditas pode saber o que são as afeições e qual é a afeição reinante, pois há tantos indícios delas quantos são os prazeres do pensamento, da fala, da ação, da visão, da audição, e quantas são as ambições, os desejos e as intenções, mas deve prestar atenção e refletir.

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