DLOV &20

Do Divino Amor
Emanuel Swedenborg
Tratado sobre a Natureza e Origem do Divino Amor

. [58] XX. Que o amor produza o calor. Que o amor produza o calor é porque o amor é a vida mesma e a força viva de tudo o que há em todo o mundo. Não têm outra origem todos os esforços, todas as forças, todas as atividades e todos os movimentos aí, senão o Divino Amor que é o Senhor, que aparece como Sol no céu diante dos anjos. Que o amor seja uma coisa e o calor outra vê-se claramente pela diferença de ambos no anjo e no homem. Pelo amor o anjo quer e pensa, percebe e sabe, e sente intimamente em si a bem-aventurança e a felicidade, e também ama, semelhantemente ao homem. Essas coisas estão em sua mente, mas, no corpo, ambos sentem o calor [calidum] e isto sem a bem-aventurança e a felicidade. Daí é evidente que o calor é o efeito da atividade da vida ou do amor. Que o calor seja o efeito do amor pode-se ver por muitas coisas, por exemplo, que o homem se aquece pelos íntimos segundo os amores de sua vida, mesmo em meio ao inverno, e o calor do sol do mundo nada tem em comum com esse calor; que ele se abrasa, inflama e aquece segundo os aumentos do amor, e entorpece, resfria e morre segundo as suas diminuições, portanto, absolutamente segundo as atividades do amor. Dá-se o mesmo com os animais da terra e as aves do céu; estas e aqueles às vezes se aquecem mais em meio ao inverno do que em meio ao verão, pois então seu coração palpita, o sangue se aquece, as fibras esquentam e tudo desempenha suas funções vitais, as menores e as maiores, e esse calor não vem do sol, mas da vida de sua alma, que é a afeição.
[59] Que o amor produza calor é porque é a vida de todas as forças no universo, as quais não podem entrar nas substâncias recipientes que foram criadas senão por um meio ativo, que é o calor. Na criação do universo, o Senhor preparou para Si todos os meios, desde os primeiros até os últimos, pelos quais produzisse usos em todo grau, e o meio universal e próximo da conjunção é o calor, no qual pode existir a essência da atividade do amor. Como o amor existe proximamente pelo calor, por isso há correspondência entre o amor e o calor, já que há correspondência entre toda causa e efeito. Pela correspondência é que o Sol do céu, que é o Senhor, aparece como ígneo, e também o amor daí procedente é percebido pelos anjos como calor, do mesmo modo que a Divina sabedoria do Senhor aparece nos céus como luz e, também, que a face do Senhor, quando foi transfigurado, “resplandeceu como o Sol” (Mt. 17:2). Por essa correspondência é que a santidade do amor do Senhor é representada pelo fogo do altar e pelo fogo nas lâmpadas do castiçal no tabernáculo; é, também, por isso que o Senhor apareceu no fogo sobre o monte Sinai e também na chama de fogo de noite sobre o tabernáculo. E é também daí que muitas nações fizeram um fogo sagrado e diante dele colocaram virgens que, em Roma, foram chamadas de vestais. Por causa dessa correspondência é que em muitas passagens na Palavra pelo ‘fogo’ e pela ‘chama’ se entende o amor, e também é por uma percepção interior dessa correspondência que oramos para que incendeie nossos corações o fogo sagrado, pelo qual se entende o amor santo. Pela mesma correspondência é que o amor celeste no céu aparece de longe como fogo; por isso, também, o Senhor disse que
“Os justos brilharão como sol no reino do Pai” (Mt. 13:43).
Paralelamente, o amor infernal aparece de longe como fogo no inferno (a cujo respeito se vê na obra O Céu e o Inferno, n. 566-575).

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