Índice Completo da Obra
Capítulo 1: A Natureza da Divina Providência
- &1 — A Divina Providência é o governo do Divino Amor e da Divina Sabedoria do Senhor
- &3 — O universo, com todas e cada uma de suas coisas, foi criado pelo Divino Amor por meio da Divina Sabedoria
- &4 — O Divino Amor e a Divina Sabedoria procedem do Senhor como um só
- &5 — Essa unidade está numa espécie de imagem em tudo o que foi criado
- &7 — É da Divina Providência que tudo o que foi criado seja tal unidade, no geral e no particular, e, se não for, que assim se torne
- &10 — O bem do amor não é bem além da medida em que estiver unido ao vero da sabedoria, e o vero da sabedoria não é vero além da medida em que estiver unido ao bem do amor
- &14 — O bem do amor não unido ao vero da sabedoria não é o bem em si, mas um bem aparente, e o vero da sabedoria não unido ao bem do amor não é o vero em si, mas um vero aparente
- &16 — O Senhor não consente que algo seja dividido; por isso, deve-se estar ou no bem e ao mesmo tempo no vero, ou no mal e ao mesmo tempo no falso
- &19 — Aquilo que está no bem e ao mesmo tempo no vero é alguma coisa; e aquilo que está no mal e ao mesmo tempo no falso não é coisa alguma
- &21 — A Divina Providência do Senhor faz com que o mal e o falso juntamente sirvam para o equilíbrio, a relação, a purificação e, assim, a conjunção do bem e do vero nos outros
Capítulo 2: A Providência do Senhor tem por fim um céu proveniente do gênero humano
- &28 — O céu é a conjunção com o Senhor
- &32 — Pela criação, o homem é tal que pode ser conjunto cada vez mais de perto ao Senhor
- &34 — Quanto mais de perto o homem é conjunto ao Senhor, mais sábio se torna
- &37 — Quanto mais de perto o homem é conjunto ao Senhor, mais feliz se torna
- &42 — Quanto mais de perto o homem é conjunto ao Senhor, mais distintamente lhe parece que se pertence, e mais claramente nota que pertence ao Senhor
Capítulo 3: A Divina Providência do Senhor visa o infinito e o eterno em tudo que faz
- &48 — Que o Infinito e Eterno em si seja o mesmo que o Divino
- &52 — O Infinito e Eterno em si não pode deixar de visar o infinito [e o eterno] por si nos finitos
- &55 — A Divina Providência, em tudo que faz, visa o infinito e o eterno por si, principalmente salvar o gênero humano
- &60 — A imagem do Infinito e do Eterno existe no céu angélico proveniente do gênero humano salvo
- &64 — O íntimo da Divina Providência é visar o infinito e o eterno na formação do céu angélico, que é, diante de Deus, como um único homem que é a Sua Imagem
Capítulo 4: Há leis da Divina Providência que são desconhecidas do homem
1ª Lei: É uma Lei da Divina Providência que o homem aja pelo livre segundo a razão
- &73 — O homem tem a razão e o livre, ou a racionalidade e a liberdade, e essas duas faculdades são do Senhor no homem
- &74 — Tudo o que o homem faz pelo livre, seja ou não da razão, contanto que seja segundo a sua razão, lhe parece como seu
- &78 — Tudo o que o homem faz pelo livre segundo seu pensamento é-lhe apropriado como seu, e permanece
- &82 — O homem é reformado e regenerado por meio dessas duas faculdades, e sem elas não pode ser reformado e regenerado
- &87 — Por meio dessas duas faculdades o homem pode ser reformado e regenerado tanto quanto puder por elas ser conduzido a reconhecer que todo bem e vero que pensa e faz é procedente do Senhor e não de si mesmo
- &92 — A conjunção do Senhor com o homem e a conjunção recíproca, do homem com o Senhor, se fazem por essas duas faculdades
- &96 — O Senhor, em toda progressão de Sua Divina Providência, preserva intactas e como santas essas duas faculdades no homem
- &97 — Por isso, é da Divina Providência que o homem aja pelo livre segundo a razão
2ª Lei: É uma Lei da Divina Providência que o homem remova como por si mesmo os males como pecados no homem externo
- &103 — Cada homem tem um externo e um interno do pensamento
- &106 — O externo do pensamento do homem é em si tal qual é o seu interno
- &111 — O interno não pode ser purificado das concupiscências do mal enquanto os males no homem externo não forem afastados, porque esses obstruem
- &114 — Os males no homem externo não podem ser afastados pelo Senhor a não ser por intermédio do homem
- &118 — Por isso o homem deve remover como por si mesmo os males do homem externo
- &119 — O Senhor então purifica o homem das concupiscências do mal no homem interno e dos males mesmos no externo
- &123 — O contínuo da Divina Providência do Senhor consiste em conjuntar o homem a Si e Ele ao homem, para que possa lhe dar as felicidades da vida eterna, e isso não pode ser feito a não ser na medida que forem afastados os males com suas concupiscências
3ª Lei: É uma Lei da Divina Providência que homem não seja constrangido por meios externos a pensar e a querer
- &130 — Ninguém é reformado por meio de milagres e sinais, porque eles constrangem
- &134 — Ninguém é reformado por meio de visões e por conversas com os mortos, porque elas constrangem
- &136 — Ninguém é reformado por meio de ameaças e castigos, porque eles constrangem
- &138 — Ninguém é reformado em estados de não racionalidade e de não liberdade
- &145 — Não é contra a racionalidade e a liberdade constranger-se a si mesmo
- &150 — O homem externo deve ser reformado por meio do interno e não o contrário
4ª Lei: É uma lei da Divina Providência que o homem seja conduzido e ensinado por meio da Palavra
- &155 — O homem é conduzido e ensinado somente pelo Senhor
- &162 — O homem é conduzido e ensinado somente pelo Senhor por meio do céu angélico e a partir desse céu
- &165 — O homem é conduzido pelo influxo e ensinado pela iluminação
- &171 — O homem é ensinado por meio da Palavra, da doutrina e das pregações da Palavra, assim, imediatamente pelo Senhor, somente
- &174 — O homem é conduzido e ensinado pelo Senhor, nos externos, em toda aparência de como por si mesmo
5ª Lei: É uma lei da Divina Providência que o homem não perceba e não sinta coisa alguma da operação da Divina Providência
- &176 — Se o homem percebesse e sentisse a operação da Divina Providência não agiria pelo livre segundo a razão nem coisa lhe pareceria como vinda de si. Seria do mesmo modo se ele previsse os eventos
- &180 — Se o homem visse manifestamente a Divina Providência, interferiria na ordem e no curso de sua progressão, e os perverteria e destruiria
- &182 — Se o homem visse manifestamente a Divina Providência, ou negaria a Deus ou far-se-ia um deus
- &187 — É concedido ao homem ver a Divina Providência por trás e não pela face; também, num estado espiritual e não num estado natural
Capítulo 5: A prudência própria é nula, somente parece existir
- &193 — Todos os pensamentos do homem são provenientes das afeições do amor de sua vida e sem nelas não há nem pode haver pensamentos
- &197 — As afeições do amor da vida do homem são conhecidas pelo Senhor, somente
- &200 — As afeições do amor da vida do homem são conduzidas pelo Senhor por meio de Sua Divina Providência e, ao mesmo tempo, também os pensamentos de que vem a prudência humana
- &201 — O Senhor, por Sua Divina Providência, compõe as afeições [de todo o gênero humano] em uma forma, que é a forma humana
- &204 — O céu e o inferno estão nessa forma
- &205 — Os que reconheceram somente a natureza e somente a prudência humana constituem o inferno; e os que reconheceram Deus e Sua Divina Providência constituem o céu
- &210 — Todas essas coisas não podem ter lugar a menos que pareça ao homem que é por si mesmo que ele pensa e dispõe
Capítulo 6: A Divina Providência visa as coisas eternas e não as temporais
- &215 — As coisas temporais se referem às dignidades e às riquezas, assim, às honras e ao ganho no mundo
- &216 — As eternas se referem à honras e riquezas espirituais, que são do amor e da sabedoria no céu
- &218 — As temporais e as eternas são separadas pelo homens, mas conjuntas pelo Senhor
- &220 — A conjunção das temporais e das eternas é da Divina Providência do Senhor
Capítulo 7: O homem não é introduzido interiormente nos veros da fé
- &222 — O homem pode ser introduzido na sabedoria das coisas espirituais e também no amor por elas e, todavia, não ser reformado
- &226 — Se o homem em seguida se afasta deles e vai em sentido contrário profana as coisas santas
- &229 — Há muitos gêneros de profanação, mas esse gênero é o pior de todos
- &232 — Por isso, o Senhor não introduz o homem interiormente nos veros da sabedoria e, ao mesmo tempo, nos bens do amor senão tanto quanto o homem pode neles ser mantido até o fim da vida
Capítulo 8: As leis da permissão são também leis da Divina Providência
Algumas coisas que são da permissão e, todavia, segundo as leis da Divina Providência
- &241 — Que o mais sábio dos homens, Adão, e a sua esposa se deixaram seduzir pela serpente, e que Deus não evitou isso por Sua Divina Providência
- &242 — Que o primeiro filho deles, Caim, matou seu irmão, Abel, e que Deus não o dissuadiu, falando com ele, mas somente depois do fato o amaldiçoou
- &243 — Que a nação israelita no deserto adorou um bezerro de ouro e o reconheceu como o deus que os tirara da terra do Egito, enquanto Jehovah viu isso de perto, do Monte Sinai, e não o impediu
- &244 — Depois, que David enumerou o povo e, por causa disso, foi enviada uma peste de que tantos milhares de homens pereceram, e Deus, não antes, mas depois do fato, enviou a ele o profeta Gade e este anunciou a pena
- &245 — Que tenha sido permitido a Salomão instaurar um culto idolátrico
- &246 — [Que tenha sido permitido] a muitos reis depois de Salomão profanarem o templo e as coisas santas da igreja
- &247 — E, finalmente, que àquela mesma nação fosse permitido crucificar o Senhor
Pelas quais o homem meramente natural se confirma contra a Divina Providência
- &249 — Todo adorador de si mesmo e adorador da natureza se confirma contra a Divina Providência quando vê no mundo tantos ímpios e as tantas impiedades deles, e ao mesmo tempo as glórias que alguns deles daí têm, sem que Deus lhes inflija punição alguma por causa disso. E ainda mais se confirma contra a Divina Providência quando vê que são bem sucedidas as maquinações, as astúcias e os dolos, até contra os piedosos, justos e sinceros, e que a injustiça triunfa sobre a justiça nos julgamentos e nos negócios
- &250 — O adorador de si mesmo e da natureza se confirma contra a Divina Providência quando vê ímpios serem elevados às honrarias e se tornarem grandes e primazes, e também abundarem em riquezas e viverem no luxo e na magnificência, enquanto os adoradores de Deus vivem no desprezo e na pobreza
- &251 — O adorador de si mesmo e da natureza se confirma contra a Divina Providência quando pensa que as guerras são permitidas e que então tantos homens são mortos e suas riquezas arruinadas
- &252 — O adorador de si mesmo e da natureza se confirma contra a Divina Providência quando pensa, segundo sua percepção, que as vitórias estão do lado da prudência e nem sempre do lado da justiça, e que pouco importa se o comandante é probo ou sem probidade
- &254 — O homem meramente natural se confirma contra a Divina Providência quando vê as religiões das diversas nações e considera que existem os que desconhecem Deus completamente e existem os que adoram o sol e a lua, bem como ídolos e imagens de escultura
- &255 — O homem meramente natural se confirma contra a Divina Providência quando vê que a religião maometana foi aceita por tantos impérios e reinos
- &256 — O homem meramente natural se confirma contra a Divina Providência quando vê que a religião cristã está somente numa pequena parte do mundo habitável, que se chama Europa, e que aí está dividida
- &257 — O homem meramente natural se confirma contra a Divina Providência pelo fato de que em muitos reinos, onde a religião cristã foi aceita, há os que se arrogam poder Divino e querem ser adorados como deuses, e pelo fato de se invocarem homens mortos
- &258 — O homem meramente natural se confirma contra a Divina Providência pelo fato de que, entre os que professam a religião cristã, há os que põem a salvação em algumas palavras que pensam e pronunciam, e não em algum bem que fazem
- &259 — O homem meramente natural se confirma contra a Divina Providência pelo fato de terem existido e ainda existirem no mundo cristão tantas heresias, como a dos quakers, dos moravianos, dos anabatistas e muitas outras
- &260 — O homem meramente natural se confirma contra a Divina Providência pelo fato de o judaísmo ainda persistir
- &262 — Pode-se levantar dúvida contra a Divina Providência pelo fato de que todo o mundo cristão adora ao Deus uno sob três Pessoas, isto é, três Deuses, e por ter-se ignorado até aqui que Deus é Um em Essência e Pessoa, na qual está a Trindade, e que esse Deus é o Senhor
- &264 — Pode-se levantar dúvida contra a Divina Providência pelo fato de que até aqui se ignorou que em cada uma das coisas da Palavra existe um sentido espiritual e que a santidade da Palavra venha daí
- &265 — Pode-se levantar dúvida contra a Divina Providência pelo fato de que até aqui se ignorou que fugir dos males como pecados seja a religião cristã mesma
- &274 — Pode-se levantar dúvida contra a Divina Providência pelo fato de que até o presente se ignorou que o homem vive homem após a morte, e por não ter isso sido revelado antes
Capítulo 9: Os males são permitidos para um fim, que é a salvação
- &277 — Que todo homem esteja no mal, e que deva ser tirado do mal para que seja reformado
- &278 — Os males não podem ser afastados a menos que apareçam
- &279 — Quanto mais os males são afastados, mais são remidos
- &281 — Assim, que a permissão do mal seja para um fim, que haja salvação
Capítulo 10: A Divina Providência está igualmente nos maus e nos bons
- &287 — A Divina Providência é universal nas coisas mais singulares, não somente nos bons, mas também nos maus, sem, todavia, estar em seus males
- &295 — Os maus continuamente se lançam nos males, mas o Senhor continuamente os tira dos males
- &297 — Os maus não podem ser tirados inteiramente dos males pelo Senhor e conduzidos ao bem enquanto acreditarem que a própria inteligência é tudo e que a Divina Providência nada é
- &299 — O Senhor governa os infernos pelos opostos, e os maus que estão no mundo Ele governa no inferno quanto aos interiores, mas não quanto aos exteriores
Capítulo 11: A Divina Providência não apropria o mal nem o bem a pessoa alguma
- &310 — O que é a própria prudência e o que é a prudência não própria
- &312 — O homem, pela própria prudência, se persuade e se confirma de que todo bem e vero procede de si e está em si, do mesmo modo que todo mal e falso
- &317 — Tudo o que é persuadido e confirmado permanece como o proprium no homem
- &320 — Se o homem cresse, como é a verdade, que todo bem e vero procede do Senhor, e todo mal e falso procede do inferno, não apropriaria a si o bem, fazendo-o meritório, nem apropriaria a si o mal, fazendo-se culpado do mal
Capítulo 12: Todo homem pode ser reformado, e não existe predestinação
- &323 — O propósito da criação é um céu proveniente do gênero humano
- &325 — Assim, é da Divina providência que cada homem possa ser salvo, e são salvos aqueles que reconhecem Deus e vivem no bem
- &327 — É culpa do homem mesmo, se não é salvo
- &329 — Assim, todos foram predestinados para o céu e ninguém para o inferno
Capítulo 13: O Senhor não pode agir contra as leis da Divina Providência
- &332 — A operação da Divina Providência para salvar o homem começa em seu nascimento, continua até o fim de sua vida e, depois, na eternidade
- &335 — A operação da Divina Providência se faz continuamente por meios da pura misericórdia
- &338 — Não existe salvação instantânea por misericórdia imediata
- &340 — A salvação instantânea por misericórdia imediata é uma serpente de fogo voando na igreja
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